As mudanças no mundo do trabalho ocorrem de maneira acelerada e abrangente, com a expansão das novas tecnologias e da inteligência artificial para todas as áreas da economia, de bens e serviços, no setor público e privado. O emprego e o trabalho do futuro serão muito diferentes, tudo indica, e as inovações são tantas e tão profundas que geram muitas especulações, incertezas e apreensão.

Os futurologistas chutam números para todos os lados, que denotam otimismo cínico (mais empregos para todos) ou grande pessimismo (o emprego protegido será para um pequeno grupo de pessoas e as demais terão que se equilibrar em ocupações precárias, em situação de pobreza). Tantas incertezas colocam para o Dieese a árdua tarefa de entender o que está acontecendo, para tentar vislumbrar o que pode acontecer.

Para agravar a situação, o movimento sindical brasileiro sofreu um pesado ataque, causado pelas mudanças na legislação impostas pela reforma trabalhista e terceirização. A crise instalou-se no cotidiano sindical e tem obrigado as entidades a promover mudanças regressivas na estrutura e no financiamento. Para o Dieese, que, desde 2015, vem passando por um processo de reestruturação, o impacto pode reduzir a receita anual à metade do arrecadado em 2014/2015.

Uma grande reestruturação sindical precisa ser promovida para responder a este cenário, que traz imensas dificuldades, muitas já sentidas, outras já vislumbradas e algumas ainda inimagináveis. O Dieese entende que o movimento sindical do futuro precisa:

1) ser renovado com os jovens que hoje chegam ao mundo do trabalho;
2) se organizar para responder às grandes mudanças nos empregos;
3) atuar em um novo sistema de relações laborais;
4) organizar os trabalhadores, que estarão submetidos a uma multiplicidade de vínculos laborais, de curta duração e com múltiplos empregadores;
5) interagir com novas formas de comunicação; e
6) atuar politicamente em uma sociedade que renovará o papel das instituições nas democracias do futuro.

Para ajudar na reestruturação do movimento sindical, o Dieese também precisa se reorganizar.

Desse modo, a “nova cara” da entidade será resultante da “nova cara” do movimento sindical. O Dieese foi criado e existe para produzir e difundir conhecimento que subsidie as lutas dos trabalhadores, por meio de estudos, formação e assessoria, de modo a qualificar a intervenção do movimento sindical e aperfeiçoar os resultados dos processos negociais.

Para onde o Dieese deve ir? No Comitê de Reestruturação da entidade, formado pela Direção Executiva e as Centrais Sindicais, definiram-se as seguintes diretrizes para o projeto e processo de reestruturação:

• produção de pesquisas e estudos sobre o trabalho do futuro e o futuro do emprego;
• elaboração de diagnósticos e prospecções sobre o sindicalismo do futuro;
• realização do PCDA 4.0, um Programa de Capacitação de Dirigentes e Assessores sindicais, para estudar, debater e compreender as mudanças no mundo do trabalho e o futuro do sindicalismo; e
• promoção e organização de uma rede de assessoria capaz de combinar investimento no uso de tecnologia de dados e comunicação, presente em todo o território nacional.

Será o mesmo Dieese, só que atuando de forma diferente. O que foi construído até aqui terá que ser, em parte, deixado de lado, para que esse novo projeto cresça e se torne crível. O Dieese do futuro é uma proposta mobilizadora e que, com certeza, ajudará a aliviar as dores desse momento de tantas transições em todas as instâncias.

CLEMENTE É DIRETOR-TÉCNICO DO DIEESE. É SOCIÓLOGO


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