Enquanto considerarem que merecemos receber salário menor que os homens;
Enquanto considerarem que não podemos exercer uma série de profissões; 
Enquanto considerarem que os afazeres domésticos são só de nossa responsabilidade;
Enquanto considerarem que nossos corpos podem ser usados e abusados sem nosso consentimento,

NÃO NOS BASTA UM LAÇO NO PEITO!!!

Se não podemos cuidar de nossos corpos e mentes, ao longo do tempo, conforme precisarmos;
Se não podemos ter jornadas de trabalho, jornada doméstica e jornada de lazer equilibradas;
Se não podemos escolher profissão que atenda nossos interesses, aptidões e especificidades, independente de força física ou intelectual;
Se não podemos receber remuneração condigna com o trabalho desempenhado, sem parecer favor ou troca de interesses;

NÃO NOS BASTA UM LAÇO NO PEITO!!!

O rosa, da cor ou da flor, não é uniforme, inodoro, incolor.
O rosa, da cor ou da flor, exala matizes de nossos labores.
O rosa, da cor ou da flor, exala o tamanho de nossas dores,
Que há tempos esvoaçam e pousam em nossos clamores.
Apenas um mês, apenas um dia, apenas um papo?!

NÃO NOS BASTA UM LAÇO NO PEITO!!!

Esse laço precisa crescer e se expandir a partir do peito.
Esse laço precisa abraçar e ser abraçado nas relações interpessoais domésticas.
Esse laço precisa abraçar e ser abraçado no trato no local de trabalho.
Esse laço precisa abraçar e ser abraçado nas relações afetivas individuais.
Esse laço precisa abraçar e ser abraçado nas propostas e fazeres de políticas públicas.

Se não for para, a partir desse símbolo, pensar, querer e fazer 
Brotar e crescer um outro mundo, mais justo, solidário, inclusivo para nós,

NÃO NOS BASTA UM LAÇO NO PEITO!!!

* Erilza Galvão

Secretária de Gênero, Raça, Etnias e Contra as Opressões/ CONDSEF/ FENADSEF e Coordenadora de Formação Sindical/ SINTSEF- BA