A CONDSEF, foi criada no ano de 1990, no 3º Congresso dos
Servidores Públicos Federais, realizado em Brasília
no período de 28 a 31 de agosto/90, no Centro de Convenções
de Brasília, num congresso massivo, com a participação
de 1.185 delegados(as) 331 suplentes e 27 observadores, sendo que
65% dos delegados presentes, votaram pela criação
da Confederação Democrática dos Trabalhadores
no Serviço Público Federal. Participaram do III Congresso
dos Servidores Públicos Federais as seguintes entidades:
FASUBRA, SINDSEP-DF, FENASPS, FENASMIT, SINDSEP/MA, ASSIBGE, FETRAMS,
SINTRASEF/RJ e SINDFAZ/PR. A finalidade era criar uma Entidade Nacional,
que conseguisse aglutinar todos os trabalhadores e suas federações,
Sindicatos Nacionais em uma única entidade com o fito de
fortalecer nossa luta e nossa organização sindical
no combate aos ataques do Governo Federal contra nossa categoria.
O ano de 1990 foi um marco para os trabalhadores no Serviço
Público Federal que massivamente compareceram, discutiram
e aprovaram a criação da CONDSEF, que atualmente é
a maior Confederação de Servidores Públicos
Federais do Brasil, representando aproximadamente 500 mil trabalhadores.
A primeira diretoria eleita foi composta pelos seguintes companheiros(as):
Maria Laura Sales Pinheiro (MEC-DF), Odilon Silva (MTPS-DF), Antônio
Carlos de Andrade (MTPS- DF), José Victor Martins (MTPS-
SP), Alberto Honorato de Lima Sealba (MTPS-AM), Edvaldo Andrade
Pitanga (MEFP BA), Jorge Augusto Oliveira (S. CULTURA-DF),
Marcos Nunes (MTPS-SC), Lígia Maria Correia Pinto Viana (MEC-ES),
Antônio Paulo Guimarães (MS-DF), Miguel Antônio
Cedraz Nery (MINFRA-BA), Priscila Maira Borges de Resende (MEFP-ES),
Leda Vasconcelos (ME-CE), Antônio José do Espiríto
Santo Nunes (MEC-RJ) Gilmar Gonçalves (MS-RO), Iná
Meireles de Souza (MS-RJ), Antônio Roberto Medeiros Braga
( MEC-GO), Antônio Fernando da Silva Ferreira (MTPS-ES), Regina
Célia Lima (MTPS-ES), Francisco Machado (IBAMA-DF), Luís
Henrique Monteiro Nunes (MEFP-MG) e Joaquim Welingthon Luís
de Oliveira (MEC-MA). Suplentes dessa primeira Direção
da CONDSEF: Francisco Carlos Zóccoli (MS-DF), Idel Profeta
(MS-SP), José Inácio Schuck (MS-PI), Marly Aparecida
Reis (MTPS-ES) Austregesilo Fereira de Melo (MEFP-DF), Luis Roberto
Domingues Bicalho (MEFP-DF), Expedito Carneiro de Mendonça
(MS-DF), Maria do Perpetuo Socorro Souza Constantino (MARA-DF) e
Luís Fernando Campís (MEC-DF). Sua sede inicial foi
no Edifício Venâncio V, 6º andar, onde ocupávamos
uma sala pequena, atualmente, já contamos com um espaço
maior localizado no SCS Qd. 02 Bloco C, nº 164, Ed. Wady Cecílio
II, 6º andar, Brasília-DF. Temos em nosso quadro 37
Entidades Filiadas: SINDSEP/AC; SINTSEF/AL; SINDSEP/AP; SINDSEP/AM;
SINTSEF/BA; SINTSEF/CE; SINDSEP/DF; SINDSEP/ES; SINTSEP/GO; SINDSEP/MA;
SINDSEP/MT; SINDSEP/MS; SINDSEP/MG; SINTSEP/PA; SINTSERF/PB; SINDSEP/PE;
SINSEP/PI; SINTRASEF/RJ; SINTSEF/RN; SINDSERF/RS; SINDSEF/RO; SINDSEP/RR;
SINTRAFESC/SC; SINDSEF/SP; SINTSEP/SE; SINTSEP/TO. SINDSEP/PR. Das
entidades Filiadas à CONDSEF, além dos Sindicatos
Gerais acima citados existem os sindicatos específicos: SINDFAZ/PA;
SINDNER/PA; SIMAPAR/PR; SINFA/RJ; SINDAGRI/RS; SINDFAZ/RS; SINTRACER/RO;
SINDC&T/SP; SINTFEAC/AC. Inicialmente a sigla CONDSEF era para
designar a Confederação Democrática dos Servidores
Públicos Federais, a alteração para a atual
moneclatura da Confederação dos Trabalhadores no Serviço
Público Federal foi deliberada na Plenária Estatutária,
realizada em junho de 1996 na cidade de Rio de Janeiro. A CONDSEF
é filiada a Central Única dos Trabalhadores
CUT, DIAP, DIEESE e integra a Coordenação Entidades
de Servidores Públicos Federais CNESF.
A partir da Plenária Estatutária de
julho/96 foi incorporada na Estrutura Organizacional da CONDSEF
os Departamentos Setoriais como instancias organizativas com o fim
de atender as demandas especificas dos diversos setores que compõe
a base da CONDSEF, tendo atualmente estruturados oito Departamentos
setoriais: DESC Departamento dos Trabalhadores em Saúde,
DARA Departamento dos Trabalhadores em Agricultura e Reforma
Agrária; DOMC Departamento do Pessoal Civil dos Órgãos
Militares; DEC Departamento dos Trabalhadores em Educação;
DENAP Departamento dos Aposentados e Pensionistas; DENFA
Departamento dos Trabalhadores da Fazenda; DENTMA
Departamento dos Trabalhadores do Meio Ambiente e DEET Departamento
Extraordinário dos Trabalhadores dos Ex-Territórios.
Concepção e Prática Sindical
Nossa concepção determina nossa organização,
prática de luta e relação com as entidades
filiadas. Defendemos: a liberdade e a autonomia sindical; a diversidade
e pluralidade na CONDSEF; a organização pela base;
sindicatos gerais. Esses quatro pontos são centrais na formulação
do nosso pensamento sobre o Movimento Sindical.
A liberdade e a autonomia sindical, para nós
da CONDSEF, tem rebatimento imediato nas finanças, na luta,
na capacidade de organização e no relacionamento com
as entidades filiadas. No caso das finanças, estamos falando
sobre as contribuições e o posicionamento claro e
inequívoco contra o Imposto Sindical Compulsório,
imposto pela CLT, que já na nossa fundação
entramos na justiça contra o recolhimento. Não somos
uma entidade cartorial. Somos um instrumento de luta, independente,
com espaço para realizar as mais diversas ações
contra a exploração, sempre ao lado do trabalhador.
Nossa vida é sustentada pela contribuição espontânea
de cada filiado aos sindicatos de base. E nós somos sustentados
diretamente através do repasse de nossas entidades filiadas.
Nossa organização depende então apenas da nossa
capacidade, que não é burocrática, mas sim
definida pela luta de classes. Sabemos bem que nosso potencial de
luta e organização não é isolado da
correlação de forças entre as classes dominantes
e os trabalhadores no Brasil e no mundo. Ai repousa nossa capacidade,
onde por nossa independência, temos liberdade de buscar criar
condições favoráveis, influenciando e contribuindo
para modificar a conjuntura a nosso favor, a favor dos trabalhadores
do serviço público, a favor de todos os explorados.
Portanto nossa relação com as entidades tinha que
expressar tal liberdade. Buscamos sempre uma unidade entre CUT,
CODNSEF e Sindicatos Filiados, mas essa unidade é feita através
do acúmulo de forças e do convencimento, e nunca através
da imposição. Nossa estruturação, com
os fóruns de discussão e deliberação,
buscam unificar a luta, fortalecendo a categoria e o setor, coerentes
sempre com a argumentação da liberdade e da autonomia
sindical. Portanto, sempre afirmarmos e voltamos a afirmar que somos
independente do Estado, dos patrões, dos partidos e dos governos,
e temos clareza que é este um dos pontos centrais de nossa
formação sindical combativa e classista.
Como uma entidade nacional, uma Confederação,
que agrega os sindicatos do setor, filiada a CUT desde o nascimento,
ligado ao espírito democrático do movimento de esquerda
que se formou no Brasil após a Ditadura Militar, somos pela
mais ampla democracia e representação. Nossas eleições
são congressuais, onde os Sindicatos elegem para representa-los
como delegados ou delegadas, 1 para cada 100 filiados. Nos nossos
Congressos fazemos o processo eleitoral através de chapa,
valendo o critério de representação proporcional.
Não somos defensores da unicidade, nem sindical, muito menos
dentro da nossa entidade. Não somos defensores do monolitismo.
É um processo de formação e de crescimento
político, poder dialogar com os diversos setores da CUT que
existem em nossa categoria e unificar linhas comum para uma ação
unificada. Fazemos a disputa, mantemos a disputa através
do diálogo, do convencimento e do exercício democrático
do voto. Assim cultivamos uma política de diversidade, de
pluralidade, de choques de idéia, tendo clareza que o fim
último do nosso movimento será sempre levado por todos:
a defesa dos trabalhadores, a luta por conquistas e melhoria da
qualidade de vida e a destruição da contradição
entre capital e trabalho para criar uma sociedade regida pela solidariedade.
Se um dos nossos pilares democráticos é
a diversidade, a pluralidade, o direito amplo e irrestrito de cada
filiado, cada força de pensamento concorrer aos cargos e
votar, fazendo valer o critério da proporcionalidade, o outro
princípio que prezamos é a participação
de base. Apostamos então em uma entidade com a base organizada.
No nosso caso, nossa base direta são os sindicatos. Entretanto,
dialogamos constantemente com nossas filiadas apostando na organização
de base em cada estado. Temos certeza que há, entre nós,
um consenso e uma disposição de organizar as OLTs
(Organização por Local de Trabalho), ou seja através
das Delegacias Sindicais, de espaços reais de decisão
dos delegados sindicais, etc.. A base organizada, além de
reforçar a democratização das entidades de
base e por conseqüência da CONDSEF, são os verdadeiros
suportes de luta. Quanto maior o nosso grau de organização,
maior nossa possibilidade de lutar e sairmos vencedores. Apostamos
nesse processo contínuo de democratização,
defendendo a democracia e aprendendo, dialeticamente, a sermos democráticos,
pois vivemos em uma sociedade onde a classe dominante só
usa a democracia no discurso e a substitui por um autoritarismo
velado e as vezes até descarado.
Uma de nossas marcas fundamentais nesse processo
de organização são os Sindicatos Gerais. A
defesa desse modelo organizativo marca toda a nossa história,
pois, fomos criados pelos sindicatos gerais e dialogamos até
hoje, em todos os espaços sindicais, defendendo o papel que
cumprem e sua importância estratégica no nosso movimento.
Além disso, a defesa dos Serviços Públicos,
que estamos aprofundando com o tempo, com esses 10 anos de CONDSEF,
vem nos apontando a unidade de todos os setores, não apenas
para lutas coorporativas, mas, principalmente, para lutas de interesse
de toda a sociedade que precisa e utiliza os serviços, em
defesa da Nação. Isso nos impõem a capacidade
de formular um projeto global, tendo clareza de todas as suas fases
e todas as suas esferas, na relação com a sociedade
civil. Ou seja, um projeto de desenvolvimento solidário em
que o Estado assume uma função diferenciada, que no
lugar da repressão, da dominação direta, comece
a exercer papel chave na estrutura da sociedade, superando problemas
estruturais. Sabemos que a neutralidade do Estado é impossível,
por isso devemos ser sempre autônomos em relação
a ele, mas com um posicionamento claro de que o mesmo deve estar
ao lado dos trabalhadores. A unificação dos diversos
setores facilita nossa posição, permite uma análise
mais profunda e geral e a qualifica com propostas concretas para
as diversas ações do Estado. Estamos caminhando para
isso, a divisão somente nos fragilizar. Além disso,
os sindicatos gerais, não permite que o governo transfira
uma ou outra liderança de um órgão para outro,
fragilizando ou mesmo acabando com toda uma direção
sindical.
Outro aspecto que soma em nossa argumentação
diz respeito à capacidade de luta, a nossa unidade, ao nosso
fortalecimento. Não é à-toa que o governo editou
a PEC 623. Ele conseguiu identificar que quanto mais dividido, mais
estratificado, mais separado, amplia o corporativismo, rebaixa a
capacidade de luta e, com isso, amplia sua força em relação
às entidades sindicais. Portanto, fomos contra essa PEC desde
o primeiro momento de sua edição. Não podemos
então nos calar quando, o próprio movimento, toma
rumos que reforça a posição das classes dominantes.
Temos que dialogar com os companheiros e companheiras buscando atraí-los
para a unificação da classe. Unificação
essa que começa entre nosso setor, mas avança para
o conjunto dos trabalhadores através da unificação
dos movimentos sociais e da CUT.
Hoje há sindicatos na nossa base que são
específicos. Não escondemos e não queremos
esconde-los. Tais organizações são fundamentais
para a nossa luta e têm dado contribuições importantes
na organização da CONDSEF e das ações
conjunturais. Por outro lado, em todo os momentos, discutidos e
debatemos com os companheiros e companheiras que as compõem,
a importância dos Sindicatos Gerais. Não apostamos
em uma relação despolitizada. Estamos crescendo com
a presença dessas entidades, estamos com elas no mesmo lado,
no fortalecimento da luta, ao mesmo tempo em que buscamos travar
um diálogo permanente sobre o papel das organizações
sindicais, concepção e prática.
O momento não é de divisão.
Muitos pelo contrário. É um momento de unidade, que
devemos pensar nos passos para a nossa vitória, para uma
campanha unificada, em defesa dos Serviços Públicos,
dos nossos trabalhos e salários. O momento exige um grau
de organização e unificação superior
para enfrentar um Governo que conseguiu impor mais de 5 anos sem
reajuste para o conjunto da categoria. É verdade que FHC
e seus aliados vêm, há um tempo, mostrando sinais de
enfraquecimento. Mas nós não nos iludimos. Para derrota-los
é necessário uma grande campanha, uma grande mobilização
nacional, uma greve forte, madura e vencedora. A unidade então,
nesse momento, tem tanto os argumentos estratégicos como
táticos. Apostar no caminho contrário é apostar
no nosso enfraquecimento.