:: Um Grande Congresso e Uma Nova Direção
para Derrotar FHC
No Hotel Glória, na cidade do Rio de Janeiro, entre os dias
9 e 12 de dezembro de 1999, ocorreu o V Congresso da CONDSEF. Foi
o Congresso mais representativo da história da Confederação.
Contamos com a presença de 1.159 delegados e delegadas, representantes
de 28 entidades sindicais (24 entidades gerais e 4 entidades específicas).
Contamos com a presença de 24 estados o que propiciou a participação
representativa de todas as regiões do país. Foram
1076 votantes e 4 chapas em disputa, onde todas conseguiram alcançar
os 10% necessários para incorporar a nova Direção
da Entidade.
O Congresso aprovou as resoluções, que pela primeira
vez serão publicadas, não deu prejuízo financeiro
e nos trouxe um grande lucro político, elegeu uma nova direção
e, durante sua realização, os Departamentos elegeram
suas coordenações. São oito Departamentos,
onde todos contam com 5 coordenadores/coordenadoras.
A renovação da Direção, do Conselho
Fiscal e dos Departamentos é outro fator positivo que nos
chamou atenção. As Direções Executiva
e Plena contaram com uma renovação de 66,7% dos seus
membros, assim como o conselho fiscal que teve o mesmo percentual.
Os departamentos também contaram com uma grande renovação.
Dois Departamentos renovaram 60%, três renovaram 80% e dois
renovaram 100%. Isso para nós é importante, pois vivemos
uma realidade no movimento sindical onde, geralmente, não
há grandes renovações das direções.
Remamos contra e esperamos que isso nos traga saldo positivo.
A realidade imposta por FHC onde os concursos públicos foram
praticamente suprimidos, nos impôs uma faixa etária
razoavelmente elevada em nossas organizações. Apenas
2% dos congressistas tinham até 30 anos de idade; 38,81%
dos Congressistas tinham acima de trinta até quarenta anos
e 59,21% possuíam mais que 40 anos de idade. Uma cifra importante
para nós ficou registrada nas novas participações
em Congresso. O V CONCONDSEF contou com 46,46% de delegados e delegadas
que nunca participaram em Congresso da Confederação.
Ou seja, quase 50% de sangue novo para assumir funções
de direção nos sindicatos (entre delegados e membros
de direção), percentual, inclusive, coerente com o
grau de renovação que teve a entidade. A diferença
entre gênero para nós ainda é um problema. Cerca
de 72% dos Congressistas eram do sexo masculino. Fica fácil
de explicar os apenas 18,52% de mulheres que temos na nova Direção.
Mais um dos golpes sofridos pela nefasta política de FHC
está visível na faixa salarial dos trabalhadores no
serviço público. Contamos com 55,67% dos Congressistas
que recebem menos de R$ 1.000,00 (Um mil reais) em seus contra-xeques.
Isso é um absurdo. Fica claro a queda monstruosa das condições
de vida dos trabalhadores e trabalhadoras em nossa categoria. Mas,
por outro lado, fica claro a capacidade que temos de nos unificarmos
para barrar tal política que é perversa com toda a
classe trabalhadora.
Não temos dúvidas que o grande papel da nova direção
é implementar as resoluções e acumular no terreno
de unidade de classe. Uma unidade que deve se alastrar entre os
trabalhadores do serviço público e da iniciativa privada.
Nesse biênio, que inicia na virada do milênio e vai
até o início de 2002, temos que trazer os trabalhadores
para a consciência que todas as mudanças nos Serviço
Público, todos os ataques, atinge o conjunto dos explorados
e que lutar contra, unindo a classe, é um papel de todos
para melhorar as condições de vida dos explorados
e garantir minimamente os poucos direitos que ganhamos na luta.
Desejamos então, para a nova Direção, muitas
lutas, com muitas conquistas e vitórias!
Pedro Armengol
Direção da CONDSEF - 1998 - 2000
Conjuntura Internacional e Nacional
1. Conjuntura Internacional: A Globalização e seus
efeitos
I. Introdução
O cenário internacional está marcado pelo aprofundamento
das contradições da globalização e seus
efeitos perversos sobre os trabalhadores e setores excluídos
do processo de "modernização" neoliberal.
Em março de 1999, findaram-se as dúvidas sobre o significado
histórico do fim da "bipolaridade" mundial e simultaneamente,
do sentido reacionário para a humanidade da "globalização"
neoliberal hegemonizada pelo imperialismo norte-americano.
A operação de guerra da OTAN - dirigida pelos EUA
- sobre a Iugoslávia, se quer consultado o Conselho de Segurança
da ONU e sob alegadas "razões humanitárias",
revela a face brutal do capitalismo neste final de século,
demonstrando como a crise do capitalismo "globalizado"
empurra cada vez mais o imperialismo para ações estratégicas
ofensivas radicais.
Entretanto, é fundamental notar que os abalos na ordem neoliberal
"global" têm por base a nova dinâmica do capitalismo
que vem se desenhando nos últimos 30 anos.
A explosão da crise financeira, com sérias repercussões
econômicas, no sudeste asiático, a partir de meados
de 1997, determinou um quadro de crescente descontrole no movimento
da "globalização" financeira neoliberal.
Desdobrando-se como um rastilho de pólvora para a Rússia,
à Venezuela e ao Brasil, seguiram-se a fuga massiva de capitais
especulativos, ondas gigantescas de demissões, a recessão
econômica, com fusões representando maior concentração
e centralização capitalista, desnacionalização
e mais miséria em todos estes países. O receituário
ditatorial estabelecido pelos mandantes do G-7 e dos organismos
a seu serviço (FMI, Banco Mundial, entre outros), ao tempo
em que ordenou maiores ganhos a financistas e corporações
multinacionais, impôs novos sacrifícios aos trabalhadores
e as nações. A regra geral comandada especialmente
pelo FMI implica em maior demolição das funções
estatais, privatização total, maiores cortes em gastos
públicos e sociais, completo controle orçamentário,
etc. São claros os objetivos imediatos: pagamento dos juros,
encargos e amortização das dívidas.
Outros elementos econômicos e políticos devem ser levados
em conta na determinação do panorama internacional
no próximo período. Na Ásia, além da
crise financeira dos países emergentes, outro fato relevante
é a estagnação econômica do Japão,
que já dura dez anos. Este País, contudo, beneficia-se
do fato de não possuir dívida externa, sendo, ao contrário,
o maior credor em âmbito mundial, detendo por exemplo 30%
dos títulos da dívida pública dos EUA.
A adoção pela União Européia da moeda
comum, o Euro, certamente terá influência na conjuntura
econômica e política da região.
Contudo, deve ser lembrado que no caso brasileiro, até 1990,
o País exportava 16% para a América do Sul, 27% para
a América do Norte, 33% para a Europa, 11% para a Ásia
e 13% para outras áreas. Em 1998, a América do Sul
passou a ser responsável por aproximadamente 43% das exportações
brasileiras. E, segundo a CEPAL, a América Latina deverá
ter crescimento econômico negativo em 1999.
Consideramos necessário proclamar a posição
de combate em defesa da soberania nacional, questão cada
vez mais decisiva para a sobrevivência do nosso país,
apontando a luta pelo socialismo como perspectiva.
II. A Era do Desemprego, da Desregulamentação, da
Flexibilização
O problema do desemprego não só permanece como se
amplia cada vez mais com o avanço tecnológico utilizado
para a eliminação de postos de trabalho, precarização
das relações de trabalho, flexibilização
da legislação trabalhista e o inchaço do setor
informal. Tudo indica que esses elementos adquiriram proporções
dramáticas e não há sinais de que tais tendências
venham a ser revertidas no curto prazo. Ao contrário, o processo
de reestruturação deve prosseguir se aprofundando
como reação das empresas ao avanço da globalização,
o que poderá agravar ainda mais o problema do desemprego,
que permanece como principal problema na Europa ocidental, nos países
em desenvolvimento e nas economias em transição.
Os acordos assinados entre o FMI e os países quebrados pela
especulação financeira internacional, como a Coréia
do Sul, a Rússia, o Brasil e outros, geraram um lucro de
590 milhões de dólares ao FMI, causaram recessão,
aumentaram o desemprego e debilitaram a capacidade do poder público
de oferecer serviços na área social. A privatização
das empresas e o desmanche dos mecanismos de distribuição
de renda, exigidas como condição para aprovação
dos programas de ajuda financeira, devem tornar ainda mais dramática
a situação social dos países monitorados pelo
FMI.
Mesmo assim os membros do G-7 resistem a adoção de
medidas de regulamentação dos fluxos financeiros e
comerciais. A crise global adquire dimensões mais amplas
como o ataque especulativo ao real cujo contágio poderá
refletir não só nos demais países do Mercosul
como na própria economia dos Estados Unidos. A desvalorização
do Real trouxe conseqüências negativas para toda região,
cujo crescimento em 99 poderá ser negativo segundo previsões
da Cepal. A luta contra o pagamento da dívida externa precisa
ser retomada pelo movimento sindical internacional, devendo a CUT
e a CONDSEF se empenharem para impulsionar essas campanhas em suas
atuações.
No plano comercial prossegue a disputa por mercados que se traduz
no aprofundamento dos acordos de integração e livre
comércio. A principal novidade no início do ano foi
a adoção do Euro. Com este passo aprofundou-se o processo
de integração européia, o que poderá
resultar em impactos imprevisíveis na disputa comercial entre
a Europa e os EUA. As grandes corporações, por um
lado , prosseguem pressionando os países desenvolvidos para
uma abertura ainda maior (o Acordo Transatlântico de Comércio
entre EUA e U.E é uma expressão dessa tendência).
Por outro lado, o protecionismo dos países avançados
e a disputa por mercados regionais deve acirrar a concorrência
econômica e comercial entre eles, principalmente por parte
dos EUA que apresentaram um déficit comercial de U$ 170 bilhões
somente em 1998.
É difícil prever as conseqüências da união
monetária sobre o emprego e as condições de
trabalho.
Ainda no plano do comércio internacional, continua se aprofundando
o processo de desregulamentação impulsionado pela
Rodada Uruguai do GATT (1990) e criação da Organização
Mundial do Comércio, sendo que o início das negociações
da Alca, o avanço das negociações do Mercosul
(ainda uma união aduaneira) e o Nafta são as principais
iniciativas que atingem diretamente o continente americano nesta
área.
Os impactos do livre comércio sobre o emprego, a democracia,
o meio ambiente, as mulheres, as populações indígenas,
os direitos humanos e tantos outros grupos e dimensões sociais
vem sendo motivo de mobilização em nível nacional
e internacional. A CUT confere prioridade ao tema e vem intervindo
nos fóruns nacionais e internacionais, contrapondo à
lógica do livre comércio a exigência do comércio
regulado conjugado com a definição de políticas
nacionais de desenvolvimento sustentável., buscando somar
esforços com outras organizações democráticas
e representativas da sociedades civil para combater a abertura irresponsável
dos mercados.
É preciso, ainda, destacar o papel que as empresas multinacionais
tem tido como as principais impulsoras e beneficiadas da globalização
neoliberal, buscando se sobrepor aos estados nacionais por meio
da concentração de recursos econômicos, financeiros,
tecnológicos e comerciais superiores aos de muitos países.
O movimento sindical internacional deveria assumir uma postura mais
ofensiva em relação às estratégias globais
dessas empresas, que determinam o futuro do desenvolvimento, do
emprego, dos salários e das condições de trabalho.
A adoção de códigos de conduta e outros instrumentos
de controle internacional, previstos inclusive pela OIT, poderiam
servir de contrapeso social ao poder das multinacionais.
O neoliberalismo está em crise. O mundo não caminha
para a estabilidade, mas para uma instabilidade crescente. A primeira
grande expressão da crise do neoliberalismo aconteceu em
dezembro de 1994 com a explosão da economia mexicana. Em
1997, foi a vez do Sudeste Asiático, que era propagandeado
como o futuro do capitalismo e de toda a humanidade. Em 1998, estourou
a economia russa, derrubando assim a propaganda que apresentava
a restauração do capitalismo como o passo destas economias
para o "Primeiro Mundo".
O imperialismo está reagindo com as armas que possui e que
são muitas. Os governos dos países imperialistas articularam
uma série de reações de maneira coordenada.
O Banco Central dos EUA (FED) baixou as taxas de juros três
vezes consecutivas, seguido pelos governos da maioria dos países
imperialistas. Não se trata, contudo, de uma crise das economias
dominadas, mas de um processo geral que alcança os países
imperialistas. O Banco Central do Japão, por exemplo, implementou
o plano de salvação dos bancos japoneses com quase
US$ 600 bilhões. Apesar de todos os esforços dos planos
governamentais, a economia japonesa não retoma o crescimento.
Os EUA são os encabeçadores da economia mundial e
deste ciclo de crescimento em particular. Conseguiram um crescimento
superior ao de outros países imperialistas de 1992 até
os dias de hoje. Retomaram a vanguarda no setor de informática
e de automóveis. Isto sem falar das inúmeras vantagens
de terem a moeda mundial (o dólar) e de serem hegemônicos
em termos militares. Mantêm índices decrescentes de
desemprego, ancorados na oferta de trabalho precário e baixos
salários. Também acumulam a maior bolha financeira
do mundo, com um processo especulativo gigantesco em suas bolsas
de valores e a concentração em seus títulos
do tesouro de uma parte considerável do capital mundial.
A perspectiva de início de uma crise na economia dos EUA
pode levar a uma profunda recessão (período de atividade
econômica reduzida) ou mesmo uma depressão mundial
(situação em que o volume de consumo e de produção
per capta, e o número de emprego são inferiores aos
normais). O que já se verifica é que a redução
de investimentos, provocada pela queda da taxa de lucros, deu início
ao processo de crise que estamos presenciando hoje e que levou ao
desastre no Sudeste asiático. A adoção de mecanismos
de regulamentação dos capitais especulativos em nível
mundial não pode redundar em benefícios para os trabalhadores
e os povos, pois o predomínio do capital especulativo sobre
o capital produtivo não é fruto da vontade de governos
ou instituições, mas é a expressão do
grau de falência do sistema capitalista globalizado. Enquanto
o ciclo era ascendente e havia capital disponível, as empresas
podiam contar com somas imensas de empréstimos. Agora, com
o início da crise, secou a fonte de investimentos e empréstimos,
levando as empresas à bancarrota e à impossibilidade
de pagar suas dívidas. Tudo isso afeta os bancos credores
dessas empresas e países.
É um fato: neste final de século, as contradições
do regime capitalista transformaram-se, para o conjunto dos povos,
em sofrimentos desumanos. A fome, as epidemias, as guerras que devastam
o mundo inteiro, a droga. Sob todas as formas, o espectro da barbárie
ameaça os povos. Conflitos armados, nos quatro cantos do
planeta, a guerra, dita humanitária, explode em plena Europa:
tal é a realidade imposta por esse regime! 800 milhões
de pessoas, segundo dados oficiais, estão em situação
de "insegurança alimentar", quer dizer, submetidas
à fome. A previsão para os últimos dez anos
do século 20 é que 100 milhões de crianças
morram de fome. Apenas 225 indivíduos, os mais ricos do planeta,
detêm uma riqueza equivalente a que dois e meio bilhões
de seres humanos utilizam para sua sobrevivência! Jamais os
antagonismos de classe foram tão exacerbados.
Hoje, quem pode negar a odiosa realidade da pauperização
social, mas também psicológica e biológica?
A destruição maciça das forças produtivas
se torna a base do próprio "funcionamento" do regime
de propriedade privada dos meios de produção. Ela
se expressa nas guerras, na desindustrialização, na
desvalorização da força de trabalho, desqualificação,
desemprego parcial ou total, etc.
Num polo da sociedade: 1,5 trilhão de dólares são
trocados diariamente nos mercados, sendo que 98% dessa soma corresponde
apenas a operações especulativas. No outro polo da
sociedade, se avalia em mais de 12 trilhões o número
de dias de trabalho destruídos a cada ano, apenas nos países
desenvolvidos da OCDE(Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico, o "clube" dos 30 países
mais ricos).
III - Contra a Agressão Imperialista, Pela Automia dos Povos
A situação mundial também foi marcada pela
agressão militar e bombardeios, desencadeados pela Otan (Organização
do Tratado do Atlântico Norte), sob comando do governo Clinton,
dos EUA, sobre a Iugoslávia. Milosevic, principal representante
da restauração capitalista naquele país - apoiado
pelos próprios americanos - recusou o Acordo de Ramboillet
e por defender o projeto da Gran Servia - movimento nacionalista
- foi desconsiderado pelo seu antigo aliado e teve o seu território
bombardeado. Esta guerra desenvolvida no continente europeu expressa
de forma concentrada a realidade de uma "ordem mundial"
em crise. No Timor Leste, com o referendo celebrado em agosto deste
ano, que contou com a participação de 98,6% da população
timorense, e com a proclamação da independência,
foi desencadeado o ato final de uma tragédia que se prolonga
há várias décadas: primeiro, sob a ocupação
portuguesa e, mais tarde, sob a ocupação indonésia.
O que vemos, ultimamente, com a presença das tropas da ONU
é que o Timor Leste não está às portas
da independência e sim de sua conversão numa base militar
do imperialismo. Tudo isso, faz parte de um processo de recolonização
imperialista e de superexploração dos trabalhadores.
É a tentativa, como foi em Kosovo, de legitimar as intervenções
militares imperialistas em qualquer parte do mundo.
O imperialismo, ao invadir qualquer país, acaba com o conceito
de soberania nacional, porque não admite que hajam discordâncias
de sua política de neo-colonização. No caso
da Colômbia, os EUA preparam uma intervenção
militar sob o pretexto de combater o narcotráfico e a guerrilha,
tentando convencer os demais países latino-americanos a organizar
uma força de intervenção do tipo da OTAN. Na
verdade, o que está em jogo é o interesse estratégico
do imperialismo sobre a região e, em particular sobre a Amazônia.
Além da preocupação da força da Guerrilha
colombiana, outro grande motivo de preocupação para
o imperialismo e as oligarquias desse país é o ascenso
da mobilização dos trabalhadores urbanos com bandeiras
anti-imperialistas.
O contexto que acabamos de descrever revelam as mudanças
qualitativas da política do imperialismo com relação
aos países que ele pretende dominar e devem ter, em contrapartida,
uma reação firme por parte do movimento sindical.
Por isso, a CUT e a CONDSEF devem se pronunciar categoricamente
contra toda e qualquer intervenção imperialista, participando
ativamente de comitês em defesa da autodeterminação
dos povos. E chamar o conjunto do movimento sindical em todo o mundo
a reagir com a mobilização da classe trabalhadora,
cada vez que houver intervenção de tropas imperialistas
em qualquer país. Não entraremos no jogo de mentiras
da falsa "defesa dos direitos humanos" e tampouco da falácia
do "combate ao narcotráfico". Quem tem as mãos
sujas de sangue pelo massacre de dezenas de revoluções
nunca se levantará pelos direitos humanos. Quem guarda milhões
de dólares nos bancos da Flórida, ganhos com o tráfico
de drogas, nunca combaterá o narcotráfico. Fora as
tropas da Otan e da ONU da Iugoslávia! Fora as tropas do
imperialismo do Oriente Médio e da América Latina!
Pela autodeterminação de todos os povos!
Devemos propor uma campanha mundial contra o modelo neoliberal,
tendo como eixo a luta pela redução da jornada de
trabalho, sem flexibilização e sem redução
dos salários, e contra a precarização das condições
de trabalho, privilegiando as relações com organizações
e entidades de outros países que estejam dispostas a assumir
uma perspectiva de luta e independência de classe, que neguem
a parceria com os patrões e os pactos sociais, que condenem
as privatizações e a retirada dos direitos dos trabalhadores.
Neste caminho, devemos lutar para superar o imobilismo que impera
nas organizações internacionais.
IV - Barbárie ou Socialismo?
A alternativa que se coloca é a seguinte:
Toda a humanidade trabalhadora deveria tornar-se escrava de uma
camarilha capitalista mundial triunfante que, utilizando suas diversas
armas - a OTAN - Organização do Tratado do Atlântico
Norte - (sob cobertura da ONU - Organizações das Nações
Unidas) para massacrar militarmente os povos, o Euro, e as manipulações
monetárias para pilhar os trabalhadores, o Nafta - Tratado
do Livre Comércio da América do Norte - , Alca - Área
do Livre Comércio das Américas - , Mercosul - Mercado
Comum do Cone Sul - e outros tratados de livre comércio ,
como Organização Mundial do Comércio e os "pactos
sociais" atrelando os sindicatos para destruir a independência
das organizações operárias, para sua política
de destruição? E essa camarilha conseguirá
saquear e estrangular alguns, jogar migalhas a outros e, em toda
a parte, acorrentar os trabalhadores e os povos com o único
objetivo de manter sua dominação e agravar o sofrimento
das mais amplas massas?
Ou as classes operárias e os povos oprimidos do mundo inteiro
conseguirão se erguer, preservando as organizações
que eles construíram na luta de classe, as conquistas e garantias
coletivas que arrancaram, preservar a independência do movimento
operário e, através daí, abrir a via da conquista
do poder político?
O que é a globalização? A globalização
às vésperas do século 21, não é
nada mais do que o reconhecimento de que a luta de classes permanece
no centro da situação mundial. Luta da classe capitalista
para "reduzir o custo do trabalho", isto é, destruir
a própria força de trabalho, abrindo caminho à
barbárie. Luta da classe operária que, para defender
a força de trabalho e defender as conquistas da classe operária
e da democracia, abre o caminho para a única solução
alternativa: o combate pela socialização dos meios
de produção.
Em nome da "globalização" e do "livre
comércio" os capitalistas se arrogam o direito de transferir
seus capitais e investimentos a todo instante, de um país
a outro, buscando as melhores condições de exploração
da força de trabalho, empurrando as classes operárias
a competir umas contra as outras e utilizando essa concorrência
como uma chantagem sobre o emprego e valor da força de trabalho.
Não há outro caminho senão o da globalização
da luta, o combate internacional pela independência de classe,
que não pode se dar senão no combate à "globalização",
ao canto de sereia da "sociedade civil", na defesa do
conjunto das normas e legislações que os trabalhadores
impuseram, como é o caso das convenções da
OIT. É nessa direção que organizações
e militantes de todo o mundo estão organizando uma Conferência
Mundial Aberta em defesa das liberdades democráticas e da
independência sindical a se realizar em São Francisco,
nos EUA em fevereiro de 2000, no momento em que a cúpula
dos governos e das ONGs estarão se reunindo na ONU.
Como é indicado no seu título e na sua convocatória,
esta conferência mundial visa defender a independência
das organizações operárias, as liberdades democráticas
e a possibilidade de construir sindicatos independentes em países
(como a China e outros) onde eles são proibidos. Essa questão
está no centro de toda a situação mundial.
Em novembro de 1999, a Organização Mundial do Comércio
convoca sua cúpula de Seattle (EUA), na qual ela pretende
integrar as organizações operárias, assimiladas
como ONGs, através das pretensas "cláusulas sociais"
que preparam a destruição das convenções
da OIT. Em junho do ano 2000, a reforma da ONU estará na
ordem do dia da "cúpula" que quer reunir num quadro
corporativista comum os sindicatos, as ONGs, as Igrejas, os patrões,
os governos, as multinacionais, sob controle da Organização
Mundial do Comércio. É uma ordem mundial de inspiração
totalitária que se pretende, proibindo os explorados de defender
seus interesses específicos.
As ONGs, com efeito, são utilizadas para transformar o setor
público em setor privado. A classe operária deve se
opor a esse processo de "ONGização" das
organizações operárias. Ferramentas do imperialismo,
as ONGs são instituições privilegiadas para
impor os pactos sociais, os "pactos pelo emprego" e as
"cláusulas sociais", facilitando sua ofensiva de
destruição social. Os governos introduzem "especialistas"
estrangeiros como consultores nos sindicatos e organizações
populares para destruir os direitos democráticos e as organizações
da classe operária.
Nessas circunstâncias, a conferência mundial de San
Francisco é um ponto de apoio para todas as correntes, grupos,
organizações operárias que, em todo o mundo,
buscam preservar a independência do movimento operário,
fator essencial de preservação da democracia. A Conferência
Mundial de San Francisco permite reunir amplamente todas organizações
e correntes favoráveis à independência das organizações
operárias, com suas próprias posições,
que respondam ao convite para nela participar.
Eis por que a CONDSEF, em seu congresso resolve envidar esforços,
no que estiver ao seu alcance, para que se assegure o êxito
desta Conferência.
Abaixo a guerra e a exploração! Fora as tropas de
ocupação da OTAN nos Balcãs! Não à
balcanização da Colômbia! Defesa da soberania
do povo venezuelano!
Desde março as forças da OTAN bombardearam a Iugoslávia
até a capitulação de Milosevic. Não
se sabe ao certo o número de vítimas. A suposta "guerra
humanitária", que o imperialismo americano tenta mostrar
como uma guerra em defesa do povo kosovar, mostrou sua cara que
nada tem de humanitária, mas se revelou como uma guerra de
rapina para completar o processo de desmembramento da Iugoslávia,
ao ponto que os governos de agora, ocupando a região, começam
um processo para transformá-la num protetorado sem independência
nem soberania. A imagem trágica dessa realidade é
o fato de que a OTAN bombardeou, durante a guerra, indiscriminadamente
tanto a Sérvia como o território de Kosovo.
A guerra levada por Clinton e pelos "socialistas" Blair
(Inglaterra), Schronder (Alemanha) e Jospin (França), a qual
FHC apoiou, foi um genocídio contra o povo da Iugoslávia.
A chamada guerra cirúrgica resultou em dezenas de "erros"
de alvo, matando homens, mulheres, crianças e velhos, jornalistas
e médicos voluntários, mas principalmente destruiu
os meios de existência do povo iugoslavo, fábricas,
comércio e fazendas. O objetivo era liquidar o país
para tomar posse a seguir. O imperialismo não satisfeito
com o que seu gerente Milosevic lhe concedeu até aqui, quer
a liquidação de tudo. Por isso bombardeou impiedosamente
a Iugoslávia.
A CONDSEF não é indiferente a isso. As bombas de Clinton
sobre o povo iugoslavo são as bombas que FHC joga sobre o
povo brasileiro. Com armas ou não, Clinton e FHC aplicam
a mesma política de destruição de todos os
direitos dos trabalhadores, de desmembramento das nações.
Eis porque o governo brasileiro, gerente do FMI, deu seu apoio aos
bombardeios. Não nos enganemos, para impor sua política,
Clinton não vacilará, se necessário, em atacar
militarmente o Brasil. Por isso, Clinton, com o apoio de FHC, prepara
a intervenção na Colômbia e na Venezuela. O
pretexto é o combate ao narcotráfico. Na verdade,
trata-se de, na Colômbia, preservar o governo pró-EUA
de Pastrana, ameaçado pela ofensiva da guerrilha e, mais
importante, por um crescente movimento de massas expresso recentemente
na potente greve geral que sacudiu o país. Por outro lado,
Clinton tenta construir um posto avançado na região
para enfrentar o amplo movimento popular que na Venezuela desaguou
na Assembléia Constituinte que tem tomado em suas mãos
o poder para impor a soberania do povo venezuelano. Por fim, o imperialismo
norte-americano visa cercar a região no processo de ocupação
da Amazônia que se encontra na mira dos mercados. À
ameaça de intervenção militar some-se a crescente
presença de igrejas de várias denominações
e de uma maré de ONGs "ambientalistas" que antecipam
a internacionalização da região. Também
a CIA, com a anuência de FHC, já instalou 05 bases
no Brasil, sob o velho pretexto do combate às drogas.
2. Nosso Inimigo é o Capitalismo
I. O capitalismo é a causa da fome, da pobreza, do desemprego
e da exploração no Brasil e no Mundo
Oitava economia capitalista do mundo, o Brasil, com um Produto Interno
Bruto de US$ 758 bilhões, possui, depois dos países
imperialistas e da China, o maior sistema produtivo e o maior parque
industrial do mundo. E a característica principal dessa economia
é que, enquanto a classe operária e as massas trabalhadoras
são desprovidas de tudo menos da sua força de trabalho,
uma única classe, a burguesa, é proprietária
da maioria dos meios de produção (fábricas,
máquinas, terras etc.). As relações de produção
capitalistas dominam a economia brasileira, assim, a sociedade brasileira
é uma sociedade capitalista.
Entretanto, o processo de desenvolvimento e consolidação
do capitalismo no Brasil ocorre na época do imperialismo,
fase superior e última do capitalismo caracterizada pela
dominação dos monopólios internacionais e do
capital financeiro, em que meia dúzia de países imperialistas,
cartéis e uma reduzida oligarquia financeira dominam a economia
mundial e partilham o mundo entre si. Assim, o desenvolvimento do
capitalismo brasileiro ocorre e é determinado pelo aprofundamento
da dominação imperialista sobre a economia nacional.
Em outras palavras, praticamente todos os ramos da produção
são dominados por grandes monopólios nacionais e estrangeiros,
que detêm o controle quase absoluto das riquezas produzidas
no nosso país. A monopolização, o domínio
do capital financeiro e a total e completa submissão à
dominação imperialista são, pois, características
do capitalismo brasileiro.
II. A concentração do capital e o domínio dos
monopólios na economia brasileira
Diversos números comprovam a concentração do
capital na economia brasileira. Vejamos: em 1997 apenas dez grandes
bancos detinham 72% dos ativos e 76% dos depósitos totais
existentes no país; os principais meios de comunicação
do país (TVs, rádios, jornais, revistas etc.) estão
nas mãos de apenas dez famílias capitalistas, das
quais seis recebem 90% das receitas de publicidade da mídia;
a Gessy Lever, grande monopólio anglo-holandês, controla
41% das vendas no mercado de higiene e limpeza; o monopólio
suíço Nestlé detém só no setor
de alimentos 13,8% das vendas e fatura só com leites cerca
de US$ 1,4 bilhão por ano; na indústria automobilística
apenas cinco grandes monopólios internacionais são
donos dos quase 1,7 milhão de automóveis produzidos
por ano no Brasil; também cinco grandes grupos econômicos
(Carrefour, Pão de Açúcar, Bompreço,
Sendas e Sonae) dominam 33% das vendas dos supermercados (e a concentração
cresce a cada dia: o grupo francês Carrefour comprou a rede
Eldorado e o Pão de Açúcar comprou as 32 lojas
da rede Barateiro, de São Paulo); a norte-americana Xerox
detém sozinha 75% das vendas de copiadoras no Brasil; o ramo
de calçados, confecções e têxteis também
é hoje dominado por grandes grupos, como Azaléia,
Alpargatas, Grendene, Vicunha, Hering, Teka, De Millus e Artex;
o grande monopólio Votorantim, de propriedade da família
Ermírio de Morais, atua nos setores de metalurgia, madeira,
móveis, papel, agricultura, bancos, mecânica, cana,
açúcar, álcool, energia elétrica etc.,
nos quais está entre os primeiros, além de deter mais
de 30% da produção de alumínio do Brasil, 65%
do níquel, 50% da produção de cimento e de
ser um dos maiores produtores de laranja do país; o monopólio
italiano Parmalat controla quase 23% do mercado brasileiro de iogurtes
e mais de 27% do mercado de leite em caixa.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
- IBGE, o Censo Cadastro de 1995, publicado na Folha de São
Paulo em 18/12/97, dá também uma idéia precisa
da concentração de capital na economia brasileira.
Das 1,65 milhão de empresas registradas até 1995,
apenas 1.407 ou 0,09% respondiam por 24% do emprego formal do país,
e essas grandes empresas, com pelo menos 1 mil trabalhadores cada,
abocanhavam 38% da receita de todas as empresas existentes no país.
E se forem consideradas as empresas de mais de 100 trabalhadores
a concentração aumenta para 52% do total de trabalhadores
e 67,5% do total da receita. No entanto, essas empresas representavam
em 1995 apenas 1,17% do total das empresas no país.
Esse mesmo levantamento do IBGE comprova o peso da indústria
capitalista na economia: enquanto o número de empresas do
setor de serviços representava 56% do total de empresas e
empregava apenas 30% da mão-de-obra formal do país,
a indústria empregava 44% da mão-de-obra formal.
Entretanto, como conseqüência da crise do capitalismo
mundial e da necessidade dos monopólios internacionais apoderarem-se
do mercado dos países dependentes para vender suas mercadorias,
principalmente a partir de 1994 vem ocorrendo um violento processo
de fechamento de indústrias nacionais e um controle maior
do mercado brasileiro pelos monopólios estrangeiros. Esse
processo é agravado pelo conjunto de medidas recessivas adotadas
pelo governo brasileiro a mando do Fundo Monetário Internacional
- FMI. Assim, de julho de 1994 a março de 1997 o Brasil perdeu
mais de 740 mil empregos, sendo quase 490 mil só na industria,
e de janeiro a novembro de 1998 as indústrias de São
Paulo desempregaram 133 mil trabalhadores, segundo dados da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo - FIESP. Mais:
segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, 50 mil operários
podem ser demitidos nos próximos meses.
Assim, vemos reproduzir-se na economia brasileira concentração
e monopolização idênticas às ocorridas
na economia capitalista mundial, onde três a seis grandes
monopólios controlam hoje 50% a 60% do mercado mundial nos
setores em que atuam, e em alguns ramos, controlam 80% e até
mesmo 100% do mercado. E como resultado dessa crescente monopolização
da economia no Brasil ocorre a destruição de milhares
de pequenas e médias indústrias e empresas comerciais,
levadas à falência ou compradas por esses grandes monopólios.
O fato é que um punhado de cartéis, industriais e
financeiros, nacionais e estrangeiros, adquiriu o controle do conjunto
da economia, detendo as rédeas em todos os setores e ramos
fundamentais; controlando o Estado e, conseqüentemente, a política
econômica; apoderando-se das fontes de matérias-primas;
ditando preços de monopólio, mesmo nas crises; obtendo
lucros gigantescos e submetendo os trabalhadores e as massas populares
ao desemprego, à carestia, à fome e à venda
da sua força de trabalho por um salário miserável.
III. A dominação dos grandes monopólios internacionais
Todo esse processo de monopolização da economia brasileira
é comandado por grandes monopólios industriais e financeiros
dos países imperialistas, ao lado de não mais do que
500 grandes monopólios pertencentes à grande burguesia
nacional. Como mostra o quadro abaixo, é quase absoluto o
domínio dos monopólios estrangeiros sobre os ramos
mais importantes da economia do Brasil:
§ 95% da indústria de automóveis;
§ 87% da indústria de higiene e limpeza;
§ 79% da indústria farmacêutica;
§ 62% da indústria de plásticos e borracha;
§ 57% da indústria de alimentos;
§ 48% da indústria eletro-eletrônica.
Nos últimos anos esse domínio dos monopólios
internacionais só tem se aprofundado. Basta verificar o levantamento
da consultoria KPMG, publicado na Folha em 15/11/98, segundo o qual
em 1995 ocorreram 241 aquisições de empresas nacionais
por monopólios estrangeiros; em 1996, 279; em 1997, 327;
e até setembro de 1998 mais 327 empresas nacionais passaram
para mãos estrangeiras. Também tem ocorrido uma gigantesca
internacionalização do sistema financeiro: segundo
a consultoria Engenheiro Financeiros e Consultores - EF&C, do
total de ativos (incluindo operações de crédito)
dos 20 maiores bancos privados em atuação no Brasil,
34,63% ou US$ 84,4 bilhões estão nas mãos dos
bancos estrangeiros, enquanto há um ano essa participação
era de 23,6%. Por sua vez, a consultoria Ernst & Young prevê
que até o ano 2000 o número de bancos em operação
cairá de 211 para cerca de 120.
Em dezembro de 1997 o monopólio francês Carrefour,
líder no ranking dos supermercados, com faturamento de R$
5,6 bilhões por ano, adquiriu o controle de 50% da rede de
supermercados Eldorado, 10o no ranking, e em quatro anos comprará
os outros 50%; o grande grupo português Gerônimo Martins
comprou 51% das ações dos supermercados Sé,
8o no ranking nacional; o Bompreço é hoje apenas nome
de fantasia, uma vez que o controle acionário (49%) foi vendido
ao grupo holandês Royal Ahold; a Continental 2001, ex-fabricante
nacional de fogões (era da família Giaffone), há
dois anos pertence ao consórcio alemão Bosch-Siemens;
a Multibrás, proprietária das marcas Brastemp, Semer
e Cônsul, já há algum tempo não é
uma empresa nacional: a Brasmotor, sua holding, tem como principal
acionista a norte-americana Whirlpool; a também norte-americana
Fleischmann Royal/Nabisco está repelindo a estratégia
da italiana Parmalat e vem comprando dezenas de pequenas e médias
empresas nacionais; outras grandes empresas nacionais, como Metal
Leve, Cofap, Agroceres e Lacta, também foram compradas por
grandes monopólios estrangeiros.
Mais: 50% das exportações brasileiras são hoje
realizadas por empresas estrangeiras; dos 500 maiores monopólios
internacionais existentes no mundo, 382 estão presentes no
Brasil. Contudo, é dos monopólios norte-americanos
o maior controle sobre a nossa economia: cerca de 2 mil das suas
empresas estão instaladas no país, e das 500 maiores
empresas dos EUA, 405 atuam no Brasil. Isso significa que o imperialismo
norte-americano, a exemplo do que ocorre em toda a América
Latina, conserva a hegemonia da dominação imperialista
sobre o Brasil.
Em conseqüência, amplia-se a desnacionalização
da economia brasileira e o fechamento de milhares de indústrias.
Segundo dados do Sindicato Nacional das Indústrias de Máquinas,
nos últimos seis anos foram fechadas 1,3 mil indústrias
de máquinas e equipamentos e 64 mil trabalhadores foram demitidos.
Apenas no setor de autopeças, até o ano 2000 cerca
de 500 pequenas e médias indústrias nacionais deixarão
de existir.
IV. Privatização das estatais aprofunda a monopolização
e a dominação imperialista da economia brasileira
Com a privatização das grandes e lucrativas empresas
estatais, um rico e valioso patrimônio público, construído
durante décadas com recursos do povo brasileiro, foi entregue
aos grandes monopólios nacionais e estrangeiros, aumentando
a monopolização e agravando enormemente a dependência
e a submissão da economia brasileira. Estatais como a Companhia
Siderúrgica Nacional, uma das maiores fabricantes de aço
do mundo, adquirida por um consórcio capitalista formado
pelos grupos Vicunha, Docenave, Bradesco, Itaú e HSBC; a
Vale do Rio Doce, que tem sob sua guarda todas as riquezas minerais
do Brasil e possui fábricas de celulose; centenas de milhares
de hectares de florestas; 41 bilhões de toneladas de minério
de ferro, ou 25% das reservas mundiais; 1 bilhão de toneladas
de cobre; 100% do manganês e as maiores reservas de ouro da
América Latina; reservas gigantescas de nióbio, titânio,
potássio, cobre, prata, níquel etc., e cujo faturamento
anual é de R$ 5,5 bilhões, "vendida" ao
consórcio formado por CSN, Opportunity, Nations e Fundos
de Pensões por R$ 3,3 bilhões; a Embraer, maior fabricante
de aviões da América Latina; a Fepasa; a Embratel,
adquirida pela norte-americana MCI; e recentemente a Telebrás,
15a empresa de telefonia do mundo, avaliada em 130 bilhões
de dólares e com faturamento anual de US$ 22 bilhões,
mas "vendida" por US$ 23 bilhões, ou o equivalente
a um ano de faturamento - todas foram, na verdade, doadas a meia
dúzia de monopólios privados, em operações
marcadas pela corrupção, como agora torna público
com a divulgação de gravações telefônicas
entre membros do governo e os representantes desses monopólios.
A privatização da indústria petroquímica
brasileira também comprova o aumento da monopolização:
dos sete grandes grupos econômicos, apenas a Odebrecht detém
60% da capacidade de produção de termoplásticos,
um dos principais produtos da indústria de plásticos.
Boa parte dos recursos utilizados na compra dessas estatais foi
dinheiro público, ou seja, o Estado brasileiro custeou e
financiou todo o processo de privatização, seja através
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -
BNDES, com financiamentos diretos e empréstimos com juros
subsidiados; seja comprando debêntures conversíveis
em ações e aceitando títulos públicos
com valor acima do mercado; seja através dos fundos de pensão
estatais. O Previ, fundo de pensão dos funcionários
do Banco do Brasil, cujo presidente é nomeado pela Diretoria
do Banco do Brasil, ou seja, pelo governo federal, teve interferência
decisiva em favor de grandes monopólios, particularmente
na privatização da Vale do Rio Doce, da banda B da
telefonia, de quatro empresas do setor elétrico e da Telebrás,
constituindo-se em instrumento do governo para beneficiar meia dúzia
de grandes capitalistas.
No caso de financiamentos diretos do BNDES, um exemplo é
o das privatizações do setor elétrico: em 14
leilões de companhias estaduais realizados em 1997, o BNDES
financiou 23,6%, ou R$ 3,11 bilhões dos recursos utilizados
para comprar as estatais. Vale dizer ainda que, das companhias privatizadas
entre 1995 e 1997, 62,5% passaram às mãos de grandes
empresas estrangeiras (Folha, 26/10/97).
Assinale-se que o expediente de formar grandes consórcios
capitalistas foi a forma adotada na aquisição da maioria
das empresas estatais: os grupos Votorantim, Bradesco e Camargo
Corrêa formaram o consórcio VBC e adquiriram a Companhia
Estadual de Energia Elétrica - CEEE do Rio Grande do Sul,
e em seguida, a Companhia Paulista de Força e Luz - CPFL,
de São Paulo. Também grandes consórcios se
apoderaram da Vale do Rio Doce, da CSN, das empresas estatais de
telefonia etc.
Dados recentes do BNDES mostram que desde meados de 1997 até
agosto de 1998 sete grupos estrangeiros do setor de telecomunicações
(Andrew, Ericsson, Lucent, Brasilsat, Nortel, Harris, Solectron)
investiram US$ 332,04 milhões em projetos de expansão
e modernização de suas empresas. O dado estarrecedor
é que US$ 192,61 milhões, ou 58%, foram financiados
pelo BNDES, com dinheiro do povo brasileiro. Em outras palavras,
com as privatizações o governo concedeu vultosos recursos
públicos para que monopólios capitalistas abocanhassem
grandes empresas estatais estratégicas. Por outro lado, os
recursos obtidos com as privatizações nos últimos
quatro anos (cerca de US$ 72 bilhões), ainda segundo o BNDES,
esvaíram-se com o pagamento de juros e amortizações
da dívida externa e interna e para cobrir o rombo da frenética
fuga de dólares para o exterior. Se não fosse assim,
não se estaria hipotecando o Brasil ao FMI em troca de alguns
bilhões de dólares.
V. A dívida externa e as remessas de lucros para o exterior
A conseqüência dessa dominação sobre a
economia brasileira é uma gigantesca espoliação
das riquezas produzidas em nosso país. Um exemplo é
o da dívida externa: só entre 1980 e 1992 o Brasil
pagou de juros um total de US$ 182,6 bilhões, e mesmo assim
a dívida externa atingiu US$ 225,26 bilhões em setembro
de 1998 e já é quase cinco vezes superior às
reservas em moeda estrangeira do Banco Central; desse total, US$
85,76 bilhões são do governo federal e US$ 139,49
bilhões, do setor privado (bancos e empresas capitalistas).
De janeiro a novembro de 1998 o Brasil pagou de juros da dívida
externa US$ 10,275 bilhões. Calcula-se que entre pagamentos
de juros e principal (amortizações) o país
tem cerca de US$ 70 bilhões a pagar de sua dívida
externa em 1999. Vale lembrar que a desvalorização
do real faz crescer a dívida em reais e que toda vez que
os grandes capitalistas nacionais não conseguem pagar as
suas dívidas, elas são estatizadas.
Também têm aumentado as remessas de lucros e dividendos
das empresas estrangeiras para suas matrizes, que saltaram de US$
2,9 bilhões, em 1994, para US$ 6,5 bilhões, em 1997,
e devem chegar a mais de US$ 7,1 bilhões em 1998. A previsão
para 1999 é de que as saídas de lucros para o exterior
continuarão superiores a US$ 6 bilhões. Por outro
lado, em 1998 a balança comercial (relação
entre importações e exportações) registrou
déficit de US$ 6,4 bilhões; já o déficit
em transações correntes - que o Banco Mundial considera
o principal indicador da dependência do país ao capital
estrangeiro - superou em 1998 os US$ 33,6 bilhões, ou cerca
de 4,3% do PIB. Vale dizer que quase 75% desse déficit devem-se
a pagamentos da dívida externa e à remessa de lucros
dos bancos e empresas estrangeiras para o exterior.
Esses dados deixam claro que grandes monopólios e bancos
internacionais, junto com a burguesia nacional, controlam a economia,
apropriam-se de quase todas as riquezas produzidas no Brasil e auferem
lucros gigantescos às custas da exploração
da classe operária e da grande maioria das massas trabalhadoras
brasileiras, e por isso o conjunto das decisões estratégicas
sobre o país encontra-se principalmente nas mãos dos
países imperialistas, dos seus monopólios e da burguesia
nacional. Dessa dominação resulta que grande parte
do lucro produzido no Brasil é apropriado permanentemente
pelas burguesias dos países centrais, seja através
das remessas de lucros, seja dos pagamentos de royalties ou dos
juros da dívida externa, seja ainda através das relações
desiguais do comércio internacional. Trata-se de um aprofundamento
da dependência econômica, que condena o Brasil ao subdesenvolvimento
e ao atraso econômico e social.
Hoje as estatísticas da burguesia classificam 63,6 milhões
de brasileiros como excluídos, e desses, 25 milhões
são miseráveis, ou seja, vivem eles e suas famílias
com menos de R$ 130 por mês; o desemprego atinge mais de 20%
da população, ou cerca de 30 milhões de brasileiros.
Por outro lado, os grandes monopólios capitalistas nacionais
e estrangeiros e os grandes bancos aumentam suas fortunas e obtêm
a cada ano lucros gigantescos: o Bradesco anunciou um lucro líquido
de RS 830,5 milhões, mas o resultado bruto da intermediação
financeira chegou a R$ 3,3 bilhões; a Votorantim esperava
obter em 1998 uma receita de R$ 4,5 bilhões; e em 1997 o
monopólio italiano Fiat teve uma receita de R$ 11,4 bilhões,
a suíça Nestlé, R$ 3 bilhões, a alemã
Volkswagen, R$ 9,2 bilhões, e a Globo, R$ 4,5 bilhões.
VI. O domínio da oligarquia financeira na economia brasileira
Paralelamente à concentração e centralização
do capital na indústria, produz-se uma centralização
e concentração também nos bancos, a seguir
ocorre a fusão do capital bancário com o capital industrial
e a criação, com base neste, do capital financeiro.
Mas nos últimos anos do século XX o capital financeiro
chega ao máximo de seu desenvolvimento e submete todas as
outras formas de capital e toda a economia. Para se ter uma idéia
desse predomínio, a produção total de 135 países
durante um ano (PIB) é hoje de cerca de US$ 35 trilhões,
enquanto que em apenas um mês são negociados US$ 45
trilhões no mercado de câmbio, da especulação
com compra e venda de moedas. Isso quer dizer que grande parte do
capital não está na produção, mas principalmente
na especulação financeira com títulos, ações
e moedas. Dessa forma, a maior parte dos lucros da burguesia resulta
da especulação financeira, o que faz diminuir a sua
relação com o processo de produção e
aprofundar o seu caráter parasitário. A camada da
sociedade capitalista que vive de rendas cresce enormemente, ao
mesmo tempo que aumenta o número de trabalhadores do setor
de serviços e diminui o número de operários
nos principais ramos da indústria nos países capitalistas
mais desenvolvidos.
O Brasil não é nenhuma exceção, pelo
contrário, uma reduzida oligarquia financeira é a
principal beneficiária do desenvolvimento do capitalismo
no país. Por exemplo, o Bradesco, o segundo maior grupo nacional,
está entre os donos da Sharp, Perdigão, Sadia, Antártica,
CSN, Alpargatas etc.; o segundo maior banco do país, o Itaú,
é na verdade um poderoso grupo econômico, e além
do setor financeiro, ele também atua nos setores de madeira,
móveis, papel, eletro-eletrônica, transporte, química,
petroquímica, comércio exterior etc.; e o mesmo acontece
com todos os outros grandes bancos, sejam nacionais ou estrangeiros.
Vale dizer também que na privatização das grandes
empresas estatais os bancos participaram de todos os consórcios
que as abocanharam, e que é exatamente nas mãos dessa
reduzida oligarquia financeira que se encontra a maioria dos títulos
da dívida interna brasileira, calculada em novembro de 1998
em R$ 350 bilhões, e da dívida externa, de cerca de
US$ 225,26 bilhões.
Por outro lado, há entre o capital financeiro nacional e
o grande capital financeiro internacional uma profunda associação,
que ocorre de forma direta, com a compra do controle acionário
dos grandes bancos nacionais, ou de forma indireta, através
da formação de grandes consórcios capitalistas
para a aquisição de indústrias ou de estatais
privatizadas. Aliás, desde 1980 Bradesco, Itaú, Mercantil
de São Paulo e outros estão associados com o capital
estrangeiro, e os lucros obtidos por essa oligarquia financeira
- verdadeiros parasitas - são fabulosos.
Mesmo os grandes monopólios industriais têm hoje a
maior parte dos seus lucros em operações financeiras.
Para se ter uma idéia do quanto ganham os grandes especuladores,
basta dizer que quem tem R$ 1 milhão em títulos da
dívida interna, com taxas de juros de 49% ao ano, ganha quase
R$ 0,5 milhão em apenas um ano. Assim, a especulação
com os títulos da dívida interna e externa tornou-se
uma das mais rentáveis formas por meio da qual os grandes
capitalistas assaltam o Estado: a dívida interna do governo
federal - que eles chamam de dívida pública - atingiu
R$ 350 bilhões em dezembro de 1998, ou 44% do PIB, e só
de juros o governo pagará em 1999 mais de R$ 100 bilhões.
Mas além dos títulos do governo, essa reduzida camada
de burgueses que vivem de renda promove toda uma orgia financeira
nas bolsas, especulando também com ações de
empresas.
É, pois, essa reduzida oligarquia financeira que a cada dia
vai se apoderando de mais e mais empresas, onde se encontra o controle
da economia brasileira. É ela que nomeia os diretores do
Banco Central e os ministros da área econômica, corrompe
os burocratas do Estado capitalista com viagens, pagamento de férias,
prêmios etc. e financia as campanhas eleitorais do presidente
da República e de governadores, deputados e senadores, além
de controlar grande parte dos meios de comunicação.
Assim, ela dita a política econômica segundo os seus
interesses: determina as taxas de juros e o valor da moeda e promove
a privatização de empresas estatais para depois comprá-las
com financiamento do dinheiro público.
O Programa de Estímulo e Reestruturação do
Sistema Financeiro Brasileiro - Proer é um caso exemplar:
bancos falidos foram comprados por grandes bancos nacionais e estrangeiros
e o Estado brasileiro ficou com a parte podre desses bancos, ou
seja, as dívidas, e ainda gastou R$ 25 bilhões de
recursos públicos para financiar essas aquisições:
o monopólio inglês HSBC recebeu do governo federal
cerca de US$ 4 bilhões e pagou menos de US$ 1 bilhão
pelo Banco Bamerindus; o grupo holandês ABN-AMRO comprou o
Banco Real, 4o maior do país, e recentemente comprou o Banco
do Estado de Pernambuco - Bandepe por US$ 182,6 milhões,
mas antes da privatização o governo de Pernambuco
gastou US$ 940 milhões para "sanear" o Bandepe.
(E nos próximos anos o governo federal dará ao grupo
holandês créditos tributários da ordem de US$
166 milhões.) Conclusão: o povo brasileiro pagou para
passar dezenas de bancos privados e estatais para o controle dessa
oligarquia financeira, o que torna claro quem de fato manda na política
econômica do país e a que interesses ela serve.
Hoje apenas 1% da população detém cerca de
53% de toda a riqueza do país; segundo o IBGE, a renda dos
10% mais ricos, que era 34 vezes maior do que a renda dos 10% mais
pobres em 1960, passou a ser maior 78 vezes em 1991, enquanto os
lucros, juros e aluguéis saltaram de 33% da renda nacional,
em 1990, para 41%, em 1996.
3. Conjuntura Nacional
I. Introdução
O Brasil hoje atravessa a maior crise dos últimos períodos.
A mais profunda recessão já imposta a população.
Um governo totalmente descompromissado com o País, com uma
política voltada aos interesses do capitalismo. O governo
hoje representado na figura de FHC, é um governo que segue
à risca as determinações do FMI, sem se importar
com os direitos do povo brasileiro.
E sob o comando de Bill Clinton entregou todo o nosso patrimônio
as multinacionais, sem falar no sucateamento dos órgãos
públicos, extinção de órgãos
relevantes à população, tais como: INSS, Delegacia
do MEC, Delegacia da Fazenda, FUNAI, IBAMA, FNS, etc, sem falar
na desregulamentação dos direitos trabalhistas.
O governo não tem política voltada para emprego, educação,
saúde e segurança - o povo está entregue a
miséria, na qual não existe nada que garanta os direitos
mínimos como classe.
Todo este (des)governo vem acompanhado de um emaranhado de corrupção:
a pasta cor de rosa, compra de votos para reeleição,
favorecimento nas privatizações, grampo das telecomunicações,
CPI dos bancos, SIVAM, etc.
O país está numa verdadeira encruzilhada histórica.
O que está em jogo? Seremos uma nação ou uma
colônia das grandes potências?
O povo brasileiro tem motivos de sobra para exigir fora FHC e toda
sua corja de ladrões que rouba o que é do povo para
entregar aos países ricos.
Nós não podemos nos deixar levar pela mídia
comprometida com os interesses da burguesia, que tenta mostrar à
população que não existe crise, muito pelo
contrário, que o país está crescendo e que
a economia está estável - na qual não existem
motivos para o povo se apavorar.
É preciso que os setores organizados e não organizados
se unam e retomem o que é nosso por direito - está
na hora dos trabalhadores assumirem as rédeas do país
e dizerem num só coro: Fora FHC e o FMI!
Portanto, é preciso que o movimento Resistência e outros
setores do movimento Sindical, Popular e Estudantil, mostrem o caminho
que tire o Brasil da encruzilhada. É necessário em
primeiro lugar conscientizar e alertar o povo para a gravidade da
crise, responsabilizando o governo e as elites, e ao mesmo tempo,
apresentar um projeto popular que realmente representem os interesses
da classe trabalhadora e que resgate a soberania do nosso país.
Para isso, é necessário incrementar o "Fora FHC
e o FMI", e o não pagamento da dívida externa
e o controle do capital financeiro - parar e reverter todo o programa
de privatizações. Aplicar os nossos recursos em programas
de investimento, na reforma agrária, um amplo programa de
moradias populares, no setor produtivo nacional, na produção
de bens de consumo, de acordo com as necessidades do povo. Os recursos
públicos, ao invés de garantir ganhos aos banqueiros
e altas taxas de juros, devem garantir: serviços públicos
dignos, gratuitos e de qualidade, recuperar o salário mínimo
de acordo com o DIEESE, garantir trabalho a todos e democratizar
os meios de comunicação. O Estado deverá está
a serviço do povo e não do capital.
II. Governo de FHC: Mais Arrocho, Mais Miséria, Mais Opressão
Com o desencadeamento da crise econômica mundial, em janeiro,
o governo de FHC, duas semanas após iniciar seu segundo mandato,
foi obrigado a desvalorizar o real frente ao dólar. Explodiu,
assim, a âncora cambial que garantiu por mais de quatro anos
a estabilidade burguesa, com apoio maciço dos meios de comunicação
a FHC. Na verdade, estamos diante do esgotamento do modelo neoliberal
que já é uma realidade internacional e a sua conseqüência
é um legado de espoliação (privações),
miséria social, destruição de parques produtivos
nacionais, serviços públicos e sociais, que está
na base da instabilidade política que já instalou-se
nos elos mais frágeis das economias latino-americanas, como
vimos nos recentes episódios do Equador e do Paraguai.
A desvalorização da moeda nacional tem sido devastadora
para o Brasil, que gastou mais de US$ 40 bilhões das suas
reservas cambiais de outubro de 1998 para cá tentando segurar
o real, a dívida interna está na casa dos R$ 400 bilhões
e a externa em US$ 230 bilhões (dados de julho/99, obtidos
nos veículos de comunicação). À situação
de mais de 1,8 milhão de desempregados na Grande São
Paulo (20% da população economicamente ativa), soma-se,
agora, a volta da inflação. O Brasil já está
tecnicamente em recessão e as perspectivas são de
uma redução de pelo menos 4% do Produto Interno Bruto
(PIB). Dados de uma pesquisa sobre 59 economias no mundo colocam
o Brasil na 51ª colocação. O Brasil de 1999 tem
um cenário econômico já definido para a esmagadora
maioria da população: desemprego, inflação
e arrocho (com a volta da inflação e a inexistência
de uma política salarial para os trabalhadores).
Acabou o período de estabilidade burguesa e a unidade política
em torno de FHC. A total supervisão do FMI sobre a economia
brasileira agravou as tensões no interior da própria
burguesia. Há tensões com setores da burguesia industrial
(temerosos com a recessão selvagem que se aproxima) e, também,
com os Estados e as oligarquias regionais que no Brasil têm
muito peso político (como ficou claro quando houve a moratória
decretada por Itamar Franco, um dos pais do Plano Real).
Diante da explosão da moeda, o governo FHC ficou mais refém
da política do FMI e da ganância dos especuladores,
chegando a colocar Armínio Fraga, um funcionário de
George Soros (maior investidor das bolsas de valores nos EUA), na
presidência do Banco Central, para atuar com uma política
econômica duríssima.
Outro importante ingrediente neste novo cenário é
a crise política que avança a olhos vistos, como,
por exemplo, na disputa entre os partidos da base governista para
ver quem consegue "ditar o ritmo" ou estabelecer algum
nível de hegemonia no interior do próprio governo,
a partir de um grande "tema nacional" - ACM com a bandeira
do Judiciário, o PSDB com a reforma política, o PMDB
com a CPI dos Bancos e a reforma tributária.
Mais sério, ainda, são os choques entre os poderes
- especialmente o Judiciário com o Legislativo - bem como
as negociações em torno do teto salarial, que geraram
uma greve de juízes federais e uma nova ameaça de
greve dos juízes de 1a e 2a instâncias, aprofundando
o choque entre os poderes. Para nós servidores, o que fica
desta discussão é o não reajuste salarial há
mais de 5 anos.
Um dos aspectos visíveis da crise brasileira é a falência
dos Estados e municípios (38% da dívida interna do
governo é dos estados e municípios) levando a um grau
de sucateamento dos serviços públicos, principalmente
nas áreas de educação e saúde.
Nesse período o governo privatizou mais de 60 estatais, restando
basicamente o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e
a Petrobrás. A maior parte dos recursos foram pagos em moeda
podre ou empréstimos do próprio BNDES. O dinheiro
líquido que entrou, algo como 30 bilhões de dólares,
não é suficiente para pagar meio ano de juros. A pressão
agora do FMI é para que sejam privatizadas as 3 últimas
estatais mencionadas, cujo valor estimado de 40 bilhões é
suficiente, para suportar apenas ½ ano de juros.
A conseqüência mais visível das privatizações
foi o encarecimento das tarifas de serviços, a degradação
dos serviços públicos e a demissão de milhares
de trabalhadores, mesmo depois que o governo passou a "enxugar"
previamente as empresas antes de privatizá-las.
Na média , as empresas privatizadas reduziram em 50% o número
de empregados e aumentaram consideravelmente o preço de suas
tarifas. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas,
no período do real (julho/94 a dezembro 98), a inflação
medida pelo IGP-DI foi de 60,47% . No mesmo período, porém,
a tarifa de energia elétrica subiu 76,80% e o telefone residencial
328,41%, enquanto a gasolina e o álcool combustível
por serem majoritariamente estatais ficaram apenas 60,28%, acima
da inflação. Já no ano de 99, é assim
que o governo age: lucro fácil para a iniciativa privada
e arrocho nas estatais, para inviabilizá-las e facilitar
o processo de privatização.
Este tipo de política contribui, por outro lado, para acentuar
ainda mais a degradação social, expressa na recessão,
aumento da violência, desemprego, concentração
de rendas, etc.
De acordo com o IBGE, em 1990, a remuneração dos empregados
representava 45% do PIB brasileiro e o lucro das empresas eqüivalia
a 33%, do PIB. Hoje, a massa salarial caiu para 38%, enquanto o
lucro das empresas saltou para 41%.
Uma mostra dos 33 maiores grupos privados, analisados pelo BNDES/GAP,
revela que, em 1989, eles empregavam 706 mil pessoas, sendo que
cada uma delas gerava uma receita, para a empresa, de 48 mil dólares.
Hoje esses grupos empregam apenas 473 mil pessoas, com uma receita
per capita de 118 mil dólares. Tais fatos ajudam a compreender
porque a taxa de desemprego mais do que dobrou no período
do REAL, saltando de 4% para 9% da população economicamente
ativa (PEA), de acordo com o IBGE, ou 19% de acordo com o DIEESE.
Toda a política do governo FHC, no terreno sindical e trabalhista,
tem se pautado por uma ofensiva contra nossos direitos e conquistas.
Política esta que se expressou em medidas já adotadas
como o contrato de trabalho precário, a suspensão
temporária do contrato de trabalho, a legalização
da jornada de trabalho flexível (banco de horas) e outras
que visem "reduzir o custo Brasil" - na verdade, destruir
direitos trabalhistas - e que se combinam com a tentativa de pulverizar
os sindicatos através do PEC (Projeto de Emenda Constitucional)
dito de "reforma sindical".
Além do flagelo do desemprego, o trabalhador brasileiro ainda
foi massacrado com a supressão dos parcos direitos sociais
que possuía (estabilidade, fim da aposentadoria por tempo
de serviço, carteira assinada indenização,
etc.) e a imposição de novos tributos como majoração
da CPMF e a contribuição previdenciária, inclusive
para aposentados. Por outro lado, o governo não taxa a remessa
de lucros e reduz o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)
sobre o capital estrangeiro e especulativo.
Na reunião realizada em março de 1999 entre o ministro
do Trabalho, a Força Sindical, a Social Democracia Sindical,
a CGT e a própria CUT, o ministro Dornelles reafirmou a intenção
do governo de destruir direitos trabalhistas e sindicais, pregando
o "consenso" como método para atingir esse objetivo.
A delegação da CGT e o próprio ministro propuseram,
na mesma reunião, que o Conselho Nacional do Trabalho (CNTb)
fosse o canal para prosseguir a discussão sobre a "flexibilização"
dos direitos trabalhistas. Diante desses fatos, afirmamos que não
há qualquer possibilidade de "consenso" com o governo
FHC, cujas atitudes e política se traduzem num brutal ataque
aos trabalhadores e seus sindicatos.
Para o setor público a política de destruição
é implementada por meio de propostas como a criação
de Agências Executivas e Organizações Sociais
(O.S.), que significam a privatização do serviço
público e a saída do Estado de suas obrigações
sociais. As agências substituem as autarquias e fundações
públicas que, atualmente, exercem serviços exclusivos
do Estado, conforme o projeto neoliberal. As O.S. assumem o lugar
de órgãos públicos que hoje realizam serviços
de saúde, educação, cultura, pesquisa científica
entre outras atividades.
No que se refere a Previdência, mais uma vez somos alvos deste
governo, pois apesar da votação do STF ao nosso favor,
ele continua tentando aumentar a contribuição à
Previdência dos aposentados, pensionistas e dos servidores
ativos. Como se não bastasse os constantes saques que o governo
faz nos nossos vencimentos, ainda, somos utilizados como bodes expiatórios
do déficit da previdência.
Nós, servidores públicos, estamos sofrendo um brutal
ataque, que inclui: Programa de Demissão Voluntária
(PDV): redução de jornada com redução
de salário; licença sem vencimentos e colocação
em disponibilidade, que será um mecanismo permanente para
corte de despesas e pretende atingir até o ano 2000 cerca
de 100 mil servidores num universo de 507.232 servidores civis da
administração direta, autarquias e fundações
do Executivo. Portanto, haverá extinção de
cargos públicos, aumento da terceirização e
contratação e mais cortes orçamentários,
comprometendo, ainda mais, a já precária qualidade
dos serviços públicos. Tudo isso coloca a necessidade
de construirmos um vigoroso plano de lutas, que combata, efetivamente,
a política de FHC.
III. FHC enfraquece: Há mudanças na Correlação
de Forças
A América Latina e o Brasil passaram nos últimos anos
por um gigantesco processo de fusões e aquisições
de grandes empresas estatais e de capital nacional pelas empresas
multinacionais que atuam nos setores mais dinâmicos da economia
(eletroeletrônica, telecomunicações, informática,
autopeças, siderurgia, sistema financeiro, papel e celulose,
comércio varejista, entre outros). Aliado à abertura
indiscriminada das importações promoveu-se a desorganização
das cadeias produtivas mais representativas da chamada terceira
revolução industrial.
E esse processo no Brasil se deu de modo conjugado a um verdadeiro
processo de encilhamento do setor público, seja por meio
da criminalização do funcionalismo público
como responsável pela crise do Estado e do colapso dos serviços
sociais básicos, como também pela explosão
da dívida pública que saltou de R$ 64 bilhões
em 1994 para cerca de R$ 600 bilhões em Setembro de 1999,
colocando em questão o crescimento econômico nos próximos
anos que possa resultar em forte expansão do emprego e da
redistribuição de renda.
Através da Reforma Administrativa, o governo FHC retirou
os direitos dos servidores públicos (estabilidade, isonomia
salarial, diretrizes de plano de carreiras etc...), usando o falso
discurso da eficiência da máquina governamental. O
direito de greve não foi regulamentado. O governo preparou
um pacote de demissões, redução da jornada
de trabalho e salário, disponibilidades, licença sem
remuneração e já lançou o segundo PDV,
contribuindo assim para aumentar o índice de desemprego no
País.
A fuga de capitais e de sua conseqüente redução
das reservas internacionais acabou por criar forte descrença
na política econômica. Frente a tamanhas desconfianças
da comunidade financeira internacional, a declaração
de moratória da dívida de Minas Gerais com a União
pelo governador Itamar Franco (PMDB/MG) resultou no estopim de nova
crise cambial. Em apenas um mês ocorreu uma nova substituição
do presidente do Branco Central, em um episódio que parece
indicar a perda de credibilidade a que foi submetida a equipe econômica
e a figura do presidente da República, enquanto o PFL e,
especialmente, o Antônio Carlos Magalhães (presidente
do Senado Federal), passaram a opinar sobre as decisões de
políticas econômica.
Além disso, os resultados das eleições do ano
passado não confirmaram todas as expectativas governamentais,
com as oposições ganhando diversos governos estaduais,
como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Acre
e Minas Gerais e, ao mesmo tempo, a base governista, apesar de ter
conquistado uma maioria folgada no Congresso Nacional, manteve a
mesma heterogeneidade, porém um perfil mais conservador que
o da legislatura anterior.
O governo reagiu à crise alterando de modo atabalhoado a
política cambial, resultando numa desvalorização
da moeda nacional frente ao dólar em cerca de 80%. Esse processo
de desvalorização reflete a inconsistência do
modelo de ajuste das economias da América Latina e Ásia.
Os compromissos assumidos pelo governo de FHC junto ao FMI para
garantir antecipações do programas de socorro da comunidade
financeira internacional têm a direção de uma
aposta dobrada no ajuste neoliberal para enfrentar a crise. Após
a aprovação do orçamento de 1999, o governo
promoveu novos cortes, somando cerca de R$ 5 bilhões, o que
deve manter os juros em patamares elevados, e onde tentarão
ampliar o programa de privatizações, envolvendo a
Caixa Econômica Federal , além daquelas empresas e
bancos já listados anteriormente para 1999. E o FMI ainda
está exigindo a colocação na agenda do Congresso
Nacional da chamada Segunda fase do ajuste estrutural, direcionada
a eliminar mais direitos previdenciários dos trabalhadores,
e flexibilizar direitos históricos como 13º salário,
férias, descanso semanal remunerado, entre outros, além
de alteração na legislação trabalhista
criando novas e variadas modalidades de contratação,
retirando o preceito semanal da jornada de trabalho, entre outras
coisas, com o objetivo de precarizar ainda mais as condições
e relações de trabalho. Nesse quadro, se inscreve
o balão de ensaio da discussão do artigo 7º da
Constituição Federal e a divisão da Emenda
Constitucional 623/98 em três, com o congelamento do debate
sobre organização sindical. Como na Argentina, os
neoliberais preferem flexibilizar os direitos dos trabalhadores
sem mexer na estrutura corporativa.
O objetivo fundamental do executivo é reduzir ainda mais
os baixos custos do trabalho no Brasil, criando expectativas favoráveis
para o crescimento espúrio das exportações
e estimulando um processo conservador de substituição
de importações, que pode ocorrer em determinados setores,
dependendo de onde pode se estabilizar o câmbio.
Porém, o quadro recessivo, motivou uma grande mobilização
de solidariedade contra a demissão em massa de trabalhadores
na Ford, organizadas pela CUT nos principais estados e regiões
metropolitanas, e no dia 26 de março, com manifestações
por todo o País no dia Nacional de Luta contra a Política
Econômica do governo FHC e em Defesa do Brasil.
Além disso a mobilização da frente de governadores
de oposição contra a intenção de FHC
de empurrar o grosso do ajuste do setor público para os Estado
e Municípios tem dificultado o processo de recentralização
fiscal imposto pelo FMI e tem servido como um importante ponto de
apoio da mobilização popular, como no dia 26 de março
passado e 21 de abril em Minas Gerais e a Marcha dos 100 Mil, em
26 de agosto.
Ressalte-se que o envolvimento do governo no processo de privatização
das telecomunicações, o aumento do desemprego, o troca-troca
na equipe ministerial e a Marcha dos 100 mil concorreram para desgastar
significativamente a imagem de FHC, que possui atualmente índice
de rejeição de mais de 50%, maior índice que
um presidente brasileiro já teve.
Tentando se recuperar, FHC lança o Programa Avança
Brasil, prometendo investimentos na área social. Ao mesmo
tempo, insistem em apresentar e implementar pacotes que viabilizem
o ataque direto aos servidores federais como a disponibilidade,
o PDV e demissões de servidores estáveis. Hoje vivemos
uma situação do aumento das fissuras na base governista,
prenunciando a disputa de hegemonia nas eleições municipais
de 2000 e do processo sucessório da presidência. A
abertura da CPI dos Bancos e do Poder Judiciário já
indicavam a disposição dos partidos da base aliada,
PMDB e PFL, em aumentar a pressão sobre a presidência
com 2 objetivos: colocar a Presidência refém das vontades
dos 2 maiores partidos e, ao mesmo tempo, se distanciarem do governo
FHC para não sofrer as conseqüências do desgaste
governamental nas próximas eleições municipais
Além disso, esses partidos buscam, com a aprovação
do fim das coligações proporcionais, reduzir o espaço
de unidade das oposições e, assim, impedir o crescimento
das oposições nas eleições do próximo
ano em todo o País.
Esse cenário, de crescimento na dissensão interna
na base política do governo, é o resultado de uma
acentuada queda na popularidade de FHC e pela primeira vez, do desgaste
do próprio Plano Real. Há então uma fragilidade
clara na base e na direção das classes dominantes.
Entretanto, por parte da classe trabalhadora, ainda não foi
possível formar uma composição que permita
a alteração da correlação de forças
a nossa favor. A mudança visível da correlação
de forças ainda não significa uma alteração
qualitativa a favor dos setores explorados.
IV. O Rumo para os Trabalhadores
Há sinais de resistência da classe trabalhadora, que
esteve, por um período considerável, no refluxo. Isso
se verifica pela greve de mais de trinta dias dos metalúrgicos
da Ford do ABC; o rechaço dos metalúrgicos de outras
montadoras (GM e Mercedes) a qualquer plano de demissões
ou cortes nos direitos trabalhistas; a realização
de expressivos atos e passeatas contra o governo, como foi a Marcha
dos 100 mil, em Brasília, na qual a palavra de ordem dos
trabalhadores era "Fora já daqui FHC e o FMI";
o Grito dos Excluídos, em 7 de setembro, com manifestações
em 1.200 cidades, assim como as greves de policiais militares em
Alagoas e na Paraíba; a marcha da educação
(6 de outubro), a chegada da Marcha dos sem-terra (7 de outubro),
o Grito Latino Americano dos Excluídos (12/10), as movimentações
para processar FHC por crime de responsabilidade e/ou renúncia
e depois a paralisação nacional em 10 de novembro/99,
aprovado pelo Fórum Nacional de Lutas.
Contudo, estamos diante daqueles momentos em que a hesitação
pode ser fatal. Não é hora de pactos nem de vacilações,
que dariam à classe dominante tempo para sair da crise em
que se encontra e continuar seus ataques contra toda a classe trabalhadora.
Não se pode perder de vista que entramos em uma nova situação,
em que está colocada como tarefa prática e estratégica
a derrota do projeto neoliberal no Brasil. Em termos práticos,
isso significa realizar uma campanha que mobilize os trabalhadores
para expulsar o governo FHC, romper com o FMI, seus ajustes e com
o desumano pagamento da dívida externa. Em resumo, o "FORA
FHC E O FMI" é uma necessidade que tem a ver com a ruptura
com o modelo, colocando para fora este governo e apresentando a
nossa plataforma como alternativa para a nossa classe.
A concepção de classe exige a independência
dos trabalhadores frente ao ideário da burguesia. Tem de
estar claro entre nós que o sistema capitalista de produção
em seu estágio monopolista só tende a oferecer a exploração
do trabalho e a exclusão do trabalhador. Também tem
de estar claro, que o sistema investe continuamente contra os interesses
da nossa classe, minando nossas organizações, buscando
liquidar com qualquer tentativa de se construir a nossa própria
hegemonia. Nossas organizações legitimamente criadas
como: CUT, CNESF, CONDSEF, nossos sindicatos, não podem permitir
que sejam pautados pelo interesse do capital. Não devemos
permitir que sejam orientadas pela CIOSL (Confederação
Internacional de Organizações Sindicais Livres), ou
por sua sucursal para o continente americano, a ORIT (Organização
Regional Interamericana de Trabalhadores).
Nossa Central não deve embarcar em estratégias de
governabilidade e de pactos, como tem sinalizado sua direção
majoritária desde o início da crise do governo FHC:
busca de um "pacto pela produção e o emprego"
com setores do empresariado; defesa dos fóruns tripartites
(como câmaras setoriais ou conselhos de governo); busca de
uma plataforma em que reivindicações típicas
da classe dominante teriam um peso preponderante (política
industrial, redução da taxa de juros e da carga tributária
etc.). Não podemos ficar olhando a burguesia acumulando cada
vez mais riquezas, por meio da exploração dos trabalhadores,
e ainda tentarmos resolver os problemas que ela mesma cria.
A CUT avançou na 9a Plenária Nacional ao aprovar a
formulação do FORA FHC. Essa resolução
é bastante positiva, mas insuficiente, se não for
impulsionada por mobilizações que consigam colocar
a burguesia e o Congresso na defensiva, bem como estruturar uma
alternativa de poder classista ao invés da posse do vice-presidente,
levantando a bandeira das eleições gerais e por um
Governo dos Trabalhadores do campo e da cidade, para varrer os corruptos
que dão sustentação a FHC. Portanto, é
necessário apresentar uma plataforma de reivindicações
que seja abraçada pela maioria esmagadora da população:
o não pagamento da dívida externa; o não pagamento
da dívida interna aos banqueiros e especuladores, a estatização
do sistema financeiro, proibição da remessa de lucros;
reforma agrária sem indenização para os latifundiários;
reposição salarial e gatilho; redução
da jornada sem redução dos salários, anulação
das privatizações e reestatização; defesa
da Petrobrás e dos bancos estatais.
Balanço do Movimento
I. Introdução
Seguindo uma tendência mundial, o movimento sindical brasileiro
vem perdendo força e representatividade junto aos trabalhadores,
com decréscimo na taxa de sindicalização. Os
traços comuns desse enfraquecimento são as transformações
no sistema capitalista e a implantação de novos métodos
de produção e gestão nos setores Públicos.
Mas o enfraquecimento dos sindicatos, no Brasil, é resultado
também de fatores específicos: abandono da perspectiva
classista; conciliação de classe, com a rendição
à "parceria" entre o capital e o trabalho; valorização
da ação institucional, em detrimento do trabalhador
de base e de massas; estrutura sindical corporativo e pulverização
de entidades por categoria profissional; apego à máquina
sindical e distanciamento da base; tendência à profissionalização
de sindicalistas, quando se afastam das massas com o surgimento de
novas formas de peleguismo; denúncias generalizadas de corrupção
e de uso indevido da máquina sindical; partidarização
e instrumentalização das entidades. Tal quadro é
agravado pela ação ofensiva sobre a legislação
trabalhista e sindical, através da PEC da Reforma sindical,
que retira direitos trabalhistas históricos na tentativa de
enfraquecer e tutelar os sindicatos abrindo caminho para mais exploração
da classe trabalhadora, e conta com o apoio da burguesia e os grandes
meios de comunicação de massas para explorar as contradições
do movimento e distorcer as informações sobre suas lutas,
com o intuito de vender uma imagem negativa dos sindicatos mais combativos
e autênticos.
II. Romper com a Ideologia do Capital, Resgatar a Ideologia Classista
Em primeiro lugar não devemos desconhecer que elementos de
conteúdo ideológico interferem em muito na nossa capacidade
de organizar e combater as políticas contrárias aos
interesses do conjunto dos trabalhadores, onde obviamente se coloca
os servidores públicos federais. O recuo político-ideológico
que nos impôs nossa Central, a CUT, através de uma tática
que privilegia a participação em áreas institucionais,
acordos e até parcerias, espaços que são de domínio
exclusivo do capital, como câmaras setoriais e fóruns
tripartites, principalmente, tem contribuído para o arrefecimento
da luta sindical.
A concepção de classe exige a independência dos
trabalhadores frente ao ideário da burguesia. Tem que estar
claro entre nós que o sistema capitalista de produção
em seu estágio monopolista só tem a nos oferecer a exploração
do trabalho e a exclusão do trabalhador. Também tem
que estar claro que o sistema investe continuamente contra os interesses
de classe dos trabalhadores, minando suas organizações,
buscando liquidar com qualquer tentativa dos trabalhadores de construir
sua própria hegemonia. Nossas organizações legitimamente
criada pelos trabalhadores, como CUT, CNESF, CONDSEF, nossos Sindicatos,
não podem permitir que sejam pautados pelo interesse do capital.
Não se pode permitir que sejam orientadas pela CIOSL - Confederação
Internacional de Organizações Sindicais Livres, ou por
sua sucursal para o continente americano a ORIT (Organização
Regional Interamericana de Trabalhadores), organismos criados para
combater a independência de classe dos trabalhadores.
Aliado a essa situação, o governo investe na mudança
da estrutura sindical, com o intuito de quebrar a resistência
dos trabalhadores e instituir uma concepção colaboracionista
de relações de trabalho, procurando coroar o corporativismo
e submeter a organização dos trabalhadores à
unidade empresarial.
Assim sendo, o movimento sindical no seu todo, enfrenta, além
das dificuldades que a conjuntura nos impõe, as armadilhas
que certas organizações preparam para o conjunto dos
trabalhadores. Portanto, lutamos não só para a defesa
dos interesses imediatos dos trabalhadores, no nosso caso servidores
públicos, mas fundamentalmente lutamos para construir a hegemonia
de classe dos trabalhadores.
III. Superar os limites na CUT, CNESF e CONDSEF
Devemos discutir um maior grau de iniciativas de nossa parte, pois,
apesar das dificuldades atuais vividas por FHC, nossa entidade não
está conseguindo dar as respostas necessárias aos ataques
do governo. Parte desse problema deve-se à falta de apoio da
CUT contra o processo de massacre dos serviços públicos,
conseqüência da política de conciliação
de classes, que, em vez de barrar as reformas, preferiu seguir a linha
do "confronto propositivo". Exemplo disso foi o papel da
CUT na reforma da Previdência. Essa política não
possibilitou a unificação das lutas e o combate à
reforma administrativa não se estendeu ao conjunto dos trabalhadores,
ficando exclusivamente nas mãos do movimento dos servidores,
como se a luta fosse apenas pelos nossos direitos e não por
mais e melhores serviços públicos. O isolamento dessa
discussão e os constantes ataques fizeram com que se despertasse
um sentimento de insegurança na categoria, que impossibilitou
a construção de uma greve nacional do nosso setor no
ano passado.
A reorganização da capacidade de iniciativas dos servidores
públicos federais tem de estar entre nossas resoluções.
Não só pelo ataque que já vivemos, desde o brutal
arrocho, a manobra dos 28%, as reformas. Mas também porque
o FMI pede mais e maiores cortes, com a utilização da
regulamentação do processo de demissões, o fechamento
de órgãos e o PGP (Programa de Gestão Pessoal).
Esta política, no momento, vai se traduzir nas disponibilidades,
já que o governo foi derrotado, em parte, neste programa: apenas
3.607 servidores aderiram ao PDV, 84 pediram licença sem vencimentos
e 63 solicitaram a redução de jornada com redução
de salários, num universo de mais de 507 mil servidores civis
da administração direta, autarquias e fundações
do Executivo. Dessa maneira, a colocação de servidores
em disponibilidade, com redução salarial, será
uma "forma rápida" de o governo reduzir gastos com
pessoal, para atender às exigências do FMI.
Foi positiva a resolução da 9a PlenCUT, realizada em
agosto deste ano, que aprovou uma campanha nacional da central sindical
em "defesa do serviço público". Mas isto não
basta. A discussão sobre a construção da greve
nacional do setor está colocada na ordem do dia e precisamos
travar este debate. Isso passa por uma crítica à falta
de política da CONDSEF, nossa confederação nacional,
que não tem conseguido articular os sindicatos e suas bases
para uma campanha sistemática de defesa de nossas reivindicações
e luta contra o governo FHC. Passa, também, pela articulação
e unificação das entidades nacionais que compõem
a CNESF (Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores
Federais) nas questões globais que envolvem o funcionalismo,
buscando superar as desigualdades e potencializar as demandas setoriais,
assim como pela superação de indefinições
nas políticas específicas da CONDSEF. É preciso
que todos os servidores federais, independentemente a que entidade
se filiem, estejam unidos e coesos em torno de seus interesses gerais,
pois só assim conseguiremos dobrar o governo e conquistar algo
de concreto. Essa unificação é importante, também,
para a luta comum com as demais esferas dos servidores (estaduais
e municipais), que se encontra desarticulada.
Na discussão que realizamos no nosso movimento, é preciso
superar a confusão existente sobre o papel das Organizações
Sociais (O.S.) e Agências Executivas. Essas propostas do governo
não passam de uma tentativa de apresentar com roupagem "moderna"
à velha política de destruição do serviço
público. Existem atividades que cabe ao Estado garantir, como
forma de assegurar o acesso a educação, saúde,
transportes, moradia etc. a todo o povo. Jogar essas atividades para
O.S. e Agências Executivas é acabar com o serviço
público e colocar ainda mais a perigo os empregos e os direitos
dos servidores, duramente conquistados. Outro exemplo de como o governo
tenta jogar com a divisão entre os servidores é a instituição
de carreiras típicas de Estado, que supostamente teriam estabilidade
assegurada. Sabemos que essa estabilidade é falsa, porque as
avaliações de desempenho podem levar também à
demissão estes servidores também. Mas é a maneira
como o governo procura instaurar a confusão e nos dividir.
Esse último período de lutas dos servidores públicos
federais foi marcado por uma série de desencontros; embora
em nenhum outro momento, em toda história da CONDSEF, se realizou
tantas plenárias, reuniões nacionais, seminários
e vários encontros de Departamentos; infelizmente sem o acúmulo
necessário para o enfrentamento que precisamos fazer contra
o governo FHC. Aliás, tem se reproduzido nesses encontros de
Departamentos uma visão corporativa, que além de não
auxiliar na luta geral da categoria, também não tem
sido capaz de resolver problemas específicos do setor; visto
que seus resultados, pouco ou quase nada, contribuem para o plano
de lutas da Confederação, que padece de um programa
de intervenção junto a categoria capaz de mobilizar
e engajar os servidores. São cinco anos de ataques do governo
sem que respondêssemos a altura a toda essa violência.
Ficamos prisioneiros de uma lógica que infelizmente não
tem ajudado a base da CONDSEF a construir seus próprios instrumentos
de luta. O exemplo mais gritante refere-se a greve nacional dos servidores,
marcada na Plenária Nacional dos SPF's em 28 de agosto passado,
onde integramos um processo no qual não tínhamos pauta
de reivindicação e posição das bases,
além de enorme dificuldade para estar comandando uma tarefa
dessa envergadura. O papel da CONDSEF é principalmente de elaborar
a política em conjunto com os nossos sindicatos e acompanhar
a sua implementação. Atualmente nossas entidades de
base enfrentam um dos maiores problemas, o da credibilidade junto
às bases; infelizmente, apesar do empenho dos nossos Sindicatos,
temos que reconhecer que nossas entidades já não desempenham
o papel de comando que antigamente detinham. Nossos Sindicatos foram
formados para organizar a luta da categoria, comandar as conquistas
de nossos direitos, via de regra, através de pautas de reivindicações.
Hoje, premidos por uma visão juricista de defesa dos interesses
da categoria, nossos sindicatos se constituem em aparelhos de recursos
jurídicos, como se todos os nossos problemas fossem resolvidos
pela justiça burguesa - apesar de sabermos que a base alimenta
esta ilusão. Essa lógica nos debilita duplamente: uma,
porque não estamos tão bem preparados para o embate
jurídico; segundo, porque esse caminho nos desvia da estratégia
do confronto, fonte inspiradora da criação de nossos
sindicatos de base.
A vocação aparelhista de algumas correntes do movimento
dos servidores públicos não os deixa perceber que a
luta pela ocupação de espaço na CONDSEF não
pode se sobrepor a necessidade de um programa de luta, um programa
de enfrentamento à política econômica do governo
FHC. O desafio é saber combinar um papel mais estratégico
que precisamos desempenhar, com as funções para as quais
fomos criados; ou seja, precisamos representar os interesses imediatos
da categoria e aliá-los à luta política. A tática
implementada por certos setores que, a despeito de querer investir
em grandes disputas, calam-se diante das disputas político-ideológica
e impõe uma enorme dificuldade na elaboração
de políticas para nossa Confederação. A centralidade
que tem assumindo questões administrativas, além de
impor um internismo à CONDSEF, não tem permitido que
acumulemos na construção de um verdadeiro programa de
lutas. Obviamente as dificuldades enfrentadas pela Confederação
não serão resolvidas dessa maneira, o caminho passa
necessariamente pelo campo político, terreno sobre o qual construímos
nosso programa de ação e nossa intervenção.
Por isso, para que a CONDSEF potencialize suas atribuições
e ações é preciso que atualize sua estrutura,
aperfeiçoe o funcionamento de suas secretarias e departamentos
mas, fundamentalmente é preciso garantir a democracia em suas
relações, internas e externas.
IV. Um Balanço Necessário: O Erro da Participação
no FAT e nos Conselhos
Foi um erro a decisão de buscar recursos junto ao Fundo de
Amparo do Trabalhador (FAT) para desenvolvermos cursos de formação
ou qualificação. Esta posição acaba -
mesmo que não queiramos - ajudando o governo no intento de
desmantelar a ESAF e a ENAP, instituições encarregadas
de fazerem a qualificação profissional do servidor.
A proposta de fazer pesquisa sobre o Serviço publico e os servidores
com dinheiro do FAT, além de destruir a nossa independência,
substitui o esforço concreto de organização dos
sindicatos pela base. A nossa independência exige que nos sustentemos
como sempre fizemos: pela contribuição voluntária
dos trabalhadores aos sindicatos.
Na verdade, o governo sempre tentou nos atrair, pois para aplicar
os seus planos sem resistência, é necessário que
as entidades dos trabalhadores sejam dóceis. Os Conselhos criados
pelo governo, em particular os Conselhos de Saúde, do qual
participamos, não serviu para outra coisa senão legitimar
as ações governamentais, onde o resultado prático
foi a diminuição de verbas para a saúde.
A chamada descentralização participativa/municipalização
levou, na prática, ao desmantelamento do INAMPS e da FNS, ao
fechamento do INAN e da CEME. Hoje, além de milhares de trabalhadores
da FNS estarem ameaçados de demissão, milhares de contratados
já foram demitidos. Além das epidemias que voltaram
com toda a força, os escândalos dos hospitais conveniados
(diminuiu de 50% para 30% o total de verbas públicas destinadas
aos hospitais públicos, a partir da aprovação
do SUS, aumentando a participação dos hospitais e laboratórios
privados). A falta de iodo no sal, tarefa do INAN (extinto) e fiscalizado
pela antiga SUCAM (atribuição que não foi repassada
para a FNS com a fusão SUCAM/Fundação CESP) levou
a milhares de crianças com bócio e até com retardamento
mental (sem cura!).
Nós precisamos parar de nos corresponsabilizarmos por esses
crimes ao participarmos dos organismos, como os Conselhos de Saúde
que tomam essas decisões. Precisamos concentrar nossos esforços
em reivindicar um sistema Nacional de Saúde, público,
gratuito e de boa qualidade, recuperando a FNS, reconstruindo a CEME
e o INAN.
V. Balanço Político da CONDSEF Gestão 1998/2000
Nestes dois anos de gestão, apesar das dificuldades enfrentadas,
tanto do ponto de vista administrativo/financeiro, como principalmente,
do ponto de vista político, dificuldades estas, impostas por
uma conjuntura extremamente adversa aos interesses de nossa categoria,
podemos considerar que a maioria das dificuldades foram devidamente
administradas, sendo-as circunstancialmente superadas ou não
de acordo com a conjuntura e a correlação de forças
imposta a cada momento desses dois anos de gestão, tendo como
um dos fatores relevante para superação das mesmas,
o apoio e participação incondicional da maioria das
Entidades Filiadas, consolidando dessa forma a função
maior de nossa Confederação enquanto unificadora e orientadora
das lutas dos SPF's em âmbito nacional. Nesses dois anos de
gestão, podemos e devemos pontuar para análise, reflexão
e como subsídio para gestões atuais e futuras, as seguintes
atividades/ações e posturas adotadas por nossa Confederação:
Democratização das discussões, deliberações
e encaminhamentos da Confederação, através da
realização de todas as reuniões ordinárias
das instâncias que compõe a nossa entidade, além
de várias convocações extraordinárias,
principalmente de Plenárias Nacionais, onde sempre nos pautamos
no sentido de evitar o rebaixamento das discussões no Plano
interno e sempre construindo espaços para o debate essencial
das agendas políticas nacionais;
Participação direta da CONDSEF nas ações
das entidades filiadas, onde sempre que foi comunicada/convidada,
dentro de suas possibilidades, a Confederação esteve
presente;
Participação direta da CONDSEF em atividades das demais
entidades nacionais e da Central Única dos Trabalhadores -
CUT;
Participação direta da CONDSEF em debates institucionais
(Congresso Nacional, Órgãos Públicos, etc.);
Participação direta da CONDSEF em atividades sindicais
de âmbito internacional (Fórum Paralelo/ALCA/CHILE -
15 a 18/04/98 e Encontro de Mulheres em Cuba - 10 a 15/03/99);
Apoio as diversas denúncias encaminhadas pelas filiadas em
relação a desvios e descasos no gerenciamento do serviço
público;
Participação nos acampamentos realizados em 98 (fevereiro
e maio) com o objetivo de protestar contra as políticas neoliberais
de FHC, com a participação maciça da base da
CONDSEF;
Elaboração de campanha de Mídia em Defesa do
serviço público e contra as Reformas de FHC, para veiculação
por parte das entidades filiadas, no período de 05 a 20/04/98;
Realização de campanha contra o termo pejorativo utilizado
pelo Presidente da República contra os aposentados (FHC, VAGABUNDO
É VOCÊ);
Campanha contra a Reeleição de FHC, através de
cartazes, panfletos, cartilhas, praguinhas, adesivos, etc.;
Luta pelo pagamento integral dos 28,86% e contra o "Acordo"
espúrio proposto por FHC para quitar esse direito. Impusemos
uma derrota à FHC, quando a maioria dos SPF's não aderiram
ao "Acordo";
Luta contra o PDV proposto por FHC, onde mais uma vez o governo saiu
derrotado em sua proposta de desmonte do serviço público,
quando apenas aproximadamente 3.600 servidores aderiram ao programa,
ratificando a nossa posição contrária ao mesmo;
Realização de encontros e reuniões com as Assessorias
Jurídicas das entidades filiadas que possibilitaram um maior
intercâmbio técnico entre as Assessorias, como também
a uniformização de procedimentos que resultaram em uma
melhor qualificação das nossas ações jurídicas;
Participação direta nas negociações dos
Acordos Coletivos de Trabalho dos Trabalhadores da CONAB, onde apesar
das dificuldades conjunturais, conseguiu-se com maturidade e bom senso
manter-se direitos e conquistas que o governo insiste em retirá-los;
Política financeira transparente e voltada prioritariamente
para as demandas políticas, as vezes, superando as dificuldades
orçamentárias;
Realização de encontros com as secretarias de finanças
das entidades filiadas, com o objetivo de proporcionar uma maior transparência
da política financeira da CONDSEF, como também um intercâmbio
de subsídios na perspectiva de melhorar a política financeira
da CONDSEF e filiadas;
Apoio à candidatura de LULA nas eleições de 98,
mantendo-se a independência e autonomia da Confederação
frente aos partidos, produto da compreensão política
acumulada pela maioria da base da CONDSEF, de que tinha-se de apoiar
um projeto de governo alternativo, contra o projeto enganador de FHC.
A polarização da disputa ocorrida entre FHC e LULA,
ratifica a nossa compreensão de que foi uma decisão
acertada e a consciência tranqüila de que fizemos a nossa
parte;
Criação do SINDSEP-PR, que consideramos uma das mais
importantes realizações políticas dessa gestão,
proporcionando aos Servidores Públicos Federais do Estado do
Paraná, a perspectiva de uma organização classista,
autônoma e de luta, como também a consolidação
da concepção de sindicato geral, onde temos atualmente,
criados e consolidados, sindicatos gerais em todos Estados da Federação;
Realização de seminários regionais de Formação,
priorizando-se o debate sobre a Reforma do Estado patrocinada por
FHC, com o objetivo de se acumular e compreender melhor os objetivos
reais de FHC para o Estado brasileiro, e, consequentemente, melhor
nos prepararmos para esse enfrentamento. Nesses seminários
também foi colocado em debate as nossas posições
sobre concepção de Ramo, Organização Sindical
e Concepção de Carreiras no serviço público,
debate estes, de extrema importância para construção
e consolidação de nossa Confederação;
Aprovação na Plenária Estatutária de dezembro/98
em Goiânia do projeto de pesquisa, "MUNDO DO TRABALHO NO
SETOR PÚBLICO" e já em fase de implementação,
com perspectiva real de conclusão no ano 2.000, que consideramos
de extrema relevância, tendo em vista a perspectiva de conhecermos
melhor a nossa realidade, respondendo com qualidade as modificações
impostas nas relações trabalhistas através de
uma melhor qualificação de nossos agentes sociais coletivos
e nosso dirigentes, frente as políticas impostas por FHC;
Acompanhamento e apoio à luta dos Demitidos e Anistiados do
governo Collor, com a manutenção incondicional da Comissão
de Demitidos e Anistiados da CONDSEF, mesmo sem o repasse em sua totalidade
das entidades filiadas para manter a Comissão, repasse esse
à muito tempo aprovado e ratificado em várias instâncias
da CONDSEF;
Continuidade da política de construção e consolidação
dos Departamentos da CONDSEF, com o funcionamento pleno de 08 (oito)
Departamentos (DEC, DESC, DENAP, DOMC, DARA, DENTMA, DENFA e Ex-Territórios),
onde inclusive as pendências e controvérsias de ordem
orçamentária foram razoavelmente solucionadas a partir
do planejamento estratégico da CONDSEF em março/98;
Participação efetiva na "Marcha dos Cem Mil"
(26/08/99) com a participação massiva da base da CONDSEF;
Participação efetiva da base da CONDSEF na 9.ª
Plenária Nacional da CUT (agosto/98), que em conjunto com os
demais segmentos do setor público participantes da Plenária,
propuseram e aprovaram por unanimidade, como parte do Plano de Lutas
da CUT, uma campanha efetiva em defesa do serviço e do servidor
público;
Esforço na elaboração de subsídios para
as direções das entidades filiadas, onde todas as questões
em relação ao setor público, foram devidamente
analisadas e encaminhadas a posição da Confederação
às entidades filiadas, com os elementos mínimos necessários
que subsidiassem o debate/discussão junto às bases a
população, e junto aos meios de comunicação;
Dificuldades de encaminhar junto às base, as deliberações
dos fóruns nacionais. Diversos fatores explicam as dificuldades
de mobilização das bases: insuficiente clareza na análise
política da conjuntura por parte de muitos dirigentes sindicais;
um abandono do método de mobilização corpo-a-corpo;
a transferência do campo político de resistência
e luta para a esperança de ganhos econômicos no Judiciário,
por parte dos servidores; transferência oportuna de "culpa"
por parte de alguns dirigentes, sem uma análise responsável
das causas das dificuldades de mobilização; problemas
nos fóruns nacionais (Plenárias, Congressos, etc.),
onde em alguns momentos a "marcação de posição"
individual de delegados está se sobrepondo à posição
e realidade das entidades de base;
No que diz respeito á infra-estrutura Física e Administrativa
da CONDSEF, foram implementadas as seguintes melhorias: Readequação
dos espaços físicos da CONDSEF, inclusive o aumento
da capacidade do auditório; aquisição de sistema
de som para o auditório; instalação de TV e Vídeo;
Melhorias na operacionalidade do CPD (contratação de
Assessoria de Manutenção); contratação
de funcionários; instalação de ar condicionado
central; contratação de Assessoria Política;
melhoria da comunicação com as entidades filiadas (fax,
e-mail, malote via correio, etc);
Concluindo, podemos afirmar, que a CONDSEF como as demais entidades
sindicais nacionais de SPF's durante os últimos dois anos atravessou
um dos períodos mais complexos da luta dos trabalhadores no
serviço público federal, mas, porém, independente
das dificuldades impostas pela conjuntura, jamais a CONDSEF deixou
de estar à frente de qualquer iniciativa ou movimento que apontasse
na perspectiva de viabilizar o enfrentamento da categoria contra as
políticas de FHC. Nesse sentido, a CONDSEF fez o que foi possível
fazer diante da conjuntura imposta, as vezes acertando, e as vezes
errando na busca incansável do acerto. Temos de louvar acima
de qualquer coisa, nossa postura em relação às
entidades filiadas, pautada no respeito à sua independência
e autonomia, sem nenhum tipo de discriminação. Estas
foram as nossas principais ações e posições
durante a gestão que ora se encerra, pautadas na ética,
ousadia, solidariedade e compromisso com o mandato que nos outorgaram
em dezembro.
Organização Sindical
I. Pelo Fortalecimento da CONDSEF e da CUT
Diante das dificuldades conjunturais e da ausência de um programa
que recoloque o funcionalismo em condições de fazer
um verdadeiro enfrentamento ao Governo Federal, começam a surgir
propostas de criação de sindicatos por órgão,
numa clara tentativa de quebrar a unidade da categoria e comprometer
o processo de mobilização e organização
dos servidores públicos. Em parte podemos afirmar que isso
também é conseqüência das mudanças
que o governo vem querendo impor ao conjunto dos trabalhadores, onde
a quebra da unicidade sindical, em sua visão, desempenha uma
função destacada. Nossa posição é
de radical oposição a intromissão do Estado na
organização dos trabalhadores: o formato de sua organização,
suas relações com o mundo sindical, a política
dos sindicatos, constituem uma exclusividade dos trabalhadores. Então,
para garantir a independência é importante que a CONDSEF
e a CUT parem de receber os recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador),
que é um programa do governo para cooptar as entidades sindicais
ao seu projeto e, assim, garantir a colaboração de nossos
dirigentes. Além disso, esse mesmo recurso que hoje é
utilizado pela Força Sindical tem como resultado a propaganda
a favor do governo, numa tentativa de fazer o trabalhador pensar que
o problema do desemprego é causado pela sua desqualificação
profissional.
Nesse sentido, a independência de classe dos trabalhadores é
condição primeira para que se torne alternativa de poder.
Portanto, nossa relação com o governo e com suas vinculadas,
não pode de forma alguma ser subalterna ou de alinhamento.
A proposta que defendemos credita importância fundamental na
organização por local de trabalho - OLTs, visto que
é a partir da base que se garantirá o processo democrático
do exercício sindical. Isso, no entanto, não nos leva
concordar pela criação de sindicato por local de trabalho,
muito pelo contrário, defendemos de maneira consciente e intransigente
os sindicatos gerais, por estado, visto a necessidade da unificação
da luta dos servidores, o fortalecimento de sua ações
e sua politização.
Diante da constatação de que as dificuldades presentes
no movimento sindical só poderão ser superadas pela
via política, negando-se, portanto, a busca a via administrativa,
visto seu papel instrumental que ocupa na luta dos trabalhadores,
não podemos deixar de registrar nossa discordância sobre
o modelo de relacionamento proposto pela CUT. Nesse sentido, é
inócua a tentativa de querer impor o sindicalismo orgânico
ao movimento sindical, em particular ao movimento dos servidores.
Tal atitude apenas reforça a burocracia, desconhece os princípios
da democracia e de soberania das entidades de base, defendidos também
pela CUT, pois tenta passar por cima da enorme diversidade das experiências
organizativas das entidades, das diferenças e das tradições
que existem de estado para estado. Insistimos que as debilidades presentes
no movimento sindical só poderão ser superadas pela
via política; a principal carência do sindicalismo está
na ausência de um programa de lutas que possibilite a efetiva
participação dos trabalhadores e o coloque como agente
ativo, que o é, no processo de liquidação do
sistema capitalista de produção e na via da construção
do socialismo.
Para a CONDSEF propomos:
editar, ordinariamente, todos os meses e sempre que se fizer necessário,
boletim nacional, com o objetivo de informar, formar, unificar e politizar
as lutas dos servidores públicos federais;
não acatar e não implementar a política de sindicato
orgânico;
não utilização dos recursos do FAT;
promover e estimular, junto às entidades de base, atividades
permanentes de filiação sindical, a partir das campanhas
de luta da entidade
I. Não à PEC 623/98, da reforma trabalhista. Defesa
dos sindicatos! Ratificação da Convenção
87 da OIT!
A CONDSEF reafirma a defesa incondicional da Convenção
87 da OIT, e volta a exigir sua ratificação pelo Congresso
Nacional. Sendo assim, a CONDSEF rejeita a PEC 623/98, ao mesmo tempo
que afirma a necessidade de que qualquer negociação
para adoção de legislação de transição
sobre o tema tenha como condição a ratificação
da Convenção 87. Com efeito, a CONDSEF não participa
e considera que a CUT não deve participar de qualquer mesa
tripartite com o Governo e os patrões visando a adoção
de uma proposta consensual de estrutura sindical, o que eqüivaleria
a trocar o velho corporativismo varguista por um novo corporativismo
baseado numa ilusória unidade de interesses de "toda a
sociedade", contraditório com os princípios da
liberdade sindical prevista na Convenção 87.
A CONDSEF mantém a visão de que compete exclusivamente
aos trabalhadores decidir pela constituição de organizações
sindicais nos vários níveis, seus estatutos e formas
de sustentação. A CONDSEF segue repudiando qualquer
intervenção governamental e/ou patronal neste terreno.
Esta completa independência é a condição
para a CUT , assim como para os sindicatos de base, poderem defender
o salário e as condições de vida e trabalho da
classe trabalhadora.
Hoje estamos confrontados com uma ofensiva mundial do imperialismo
para liquidar os sindicatos e as organizações dos trabalhadores,
para transformá-los em "atores sociais" supostos
membros de uma "sociedade civil" onde patrões e empregados
veriam convergir seus interesses na forma de "interesses comuns
de toda a sociedade". Esta ofensiva totalitária tem nome
bonito: é a "parceria" entre governos, sindicatos,
ONGs e patrões, é a "participação"
da sociedade em um sem número de conselhos, é o "sindicato
cidadão" que abriria mão de seus interesses "corporativos"
e "egoístas" em favor de projetos intermediários
que abarquem o interesse da "sociedade como um todo". Ou
seja, é a integração dos sindicatos no "acompanhamento
crítico" da aplicação dos planos que as
organizações multilaterais impõem aos povos,
o famoso ajuste que FHC aplica em nome do FMI, do BIRD e da OMC.
A CONDSEF denuncia (e chama a CUT a denunciar) a demagogia do Governo
ao falar de liberdade sindical. A forma simples e direta de fazê-lo
é exigir a ratificação da Convenção
87. Tendo como condição a ratificação
da Convenção 87, o movimento sindical teria interesse
em debater a adequação da legislação brasileira
às exigências da Convenção. Fora disso,
é cair na armadilha de discutir com o governo a instauração
do novo corporativismo imposto pelos governos e pelo imperialismo.
Internamente, a CUT e a CONDSEF devem fortalecer seus sindicatos filiados
e sua estrutura independente, rompendo os vínculos de subordinação
ao Ministério do Trabalho (MTb), seja rompendo com o imposto
sindical, seja se retirando dos convênios com programas do Ministério
que, como um novo imposto sindical, financiam grande parte das atividades
da Central, em particular aquelas que interessam a FHC/FMI como a
formação de conselheiros para os CETs e os CMTs e de
requalificação. Por outro lado, exige-se a defesa dos
direitos ameaçados pela "globalização"
e uma campanha de sindicalização aos nossos sindicatos
filiados.
II. Não ao sindicato orgânico. Não ao verticalismo.
Democracia para unir e lutar!
A proposta de sindicato orgânico reaparece, na CUT, transvestido
como sindicato nacional por ramo. Tal proposta:
Vira as costas aos sindicatos existentes, à sua experiência,
à unidade que lograram realizar e consagra sua divisão
a partir de um modelo vertical e artificial, ao invés de aprofundar
sua organização, valorizando seus acertos e corrigindo
os erros.
Concentra poderes nas cúpulas das Federações
e Confederações (agora convertidas em sindicatos nacionais),
transformando os sindicatos de base em meros aplicadores das decisões
nacionais.
Destrói a soberania da base sindical que só pode ser
exercida se esta base poder se manifestar com poder de voz e voto.
Só assim, o debate é possível. Quantas vezes
um sindicato de base se posicionou em suas instâncias contra
a orientação da federação ou mesmo da
central e isso proporcionou o debate, a correção de
rumo, etc! A proposta de sindicato nacional liquida esta perspectiva
que é a encarnação mesma da democracia sindical.
Favorece a partidarização das entidades, na medida em
que, relativizada ou vetada a voz das assembléias de base,
é a relação de forças entre as correntes
organizadas que definirá as políticas, excluída
a opinião dos principais interessados, os associados que, em
maioria não estão sob o controle de nenhum partido.
A natureza dos sindicatos - que não se confunde com as estruturas
partidárias - exige que as decisões fluam de baixo para
cima. Nossos problemas não estão no fato de que um sindicato
se filia à central, ao invés de serem parte orgânica
dela, e muito menos serão resolvidos pela atribuição
de "todo poder ao centro dirigente". As dificuldades residem
justamente no contrário, na exacerbada burocratização
que percorre nossas entidades, na ameaça ao seu caráter
sindical, na via do "sindicato cidadão", nas disputas
cada vez mais despolitizadas e aparelhistas, nos vícios herdados
da organização sindical varguista.
Precisamos, na verdade, responder aos problemas práticos que
se apresentam. Fusões de sindicatos devem ser incentivadas
desde que apoiadas na reflexão e na decisão de base
dos filiados. O mesmo no que diz respeito à filiação
dos terceirizados, sempre na via de exigir para eles direitos trabalhistas
iguais ao demais trabalhadores. Da mesma forma, longe de "organicizar"
os sindicatos, devemos avançar na adoção de regras
que garantam a democracia dos sindicatos filiados, inclusive como
condição para sua filiação. Como se sabe,
há direções sindicais que sequer reconhecem o
princípio da proporcionalidade. Precisamos estabelecer que
a CONDSEF deva ter os direitos de representação nas
instâncias da Central sob o mesmo critério das demais
Federações e Confederações. Não
precisamos de nenhuma "mudança global de modelo",
ainda mais sob pressão da ofensiva anti-sindical do Governo
e dos patrões.
Não obstante, a decisão da 9ª PlenCUT de constituir
sindicatos nacionais (orgânicos) vai na contramão dessas
decisões positivas tomadas no plano político, abrindo
um perigoso precedente para a destruição da democracia
sindical de base. Para nós, são as assembléias
sindicais de base que devem dar a última palavra sobre isso.
A PlenCUT não pode impor a forma de organização
à revelia do que decidam os trabalhadores na base dos sindicatos.
A CONDSEF combaterá pela revogação dessa decisão
e reafirma que só seus filiados podem tomar decisões
sobre sua estrutura.
Certamente que o debate sobre sindicatos orgânicos não
tem relação direta com a formação dos
ramos. Esta questão está ainda em curso no interior
da nossa Confederação e temos diferenciações
sobre a forma e o modelo, mas até hoje, não identificamos
posicionamento diferente sobre a necessidade da construção
do ramo no meio de nossa categoria. Portanto, tal debate assume uma
centralidade para a próxima gestão e deve ser feito
de forma profunda, dando conta da demanda de organização
que possuímos no nosso interior.
III. Defesa dos direitos trabalhistas! Nenhuma flexibilização
de direitos!
Não é casual que o PEC da Reforma Trabalhista esteja
incluída no pacote de reformas anunciadas em acordo com o FMI
no fim de 1998. É assim que a reforma trabalhista é
inseparável da flexibilização dos direitos dos
trabalhadores. A burguesia busca destruir o sindicalismo independente
para impor a destruição dos direitos.
O anúncio de que a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) quer "reduzir direitos ao mínimo" os direitos
trabalhistas, prevendo que uma nova legislação não
deveria ser "intervencionista, detalhista nem rígida"(idem),
além de atacar qualquer tipo de estabilidade no emprego, mesmo
as formas de estabilidade provisória e de defender a ampliação
da permissão legal para o estabelecimento de contrato temporário
de trabalho. O argumento é conhecido: ampliar a competitividade
das empresas e "facilitar o acesso dos jovens ao mercado de trabalho".
A proposta da CNI se articula com a destruição da Justiça
do Trabalho e com a liquidação da jurisprudência
firmada no setor. Aqui transparece a função da reforma
trabalhista: a destruição dos órgãos de
defesa e de luta dos trabalhadores com o fim de empurrar a liquidação
dos direitos, ou, pelo menos, capturar o "sindicato cidadão"
ou a "CUT cidadã" em alguma comissão para
discutir a reforma em nome do "interesse de toda a sociedade".
Dessa maneira, recusamos qualquer proposta que leve a "partir
do zero", isto é, da eliminação ou flexibilização
de direitos trabalhistas já adquiridos. Partimos das normas
e leis que asseguram direitos - inclusive aquelas codificadas na CLT
e na Constituição - como patamar mínimo. Mantendo
nossa independência diante dos patrões e do Governo e
a autonomia de decisão face às demais centrais, formulamos
nossa própria visão do que sejam relações
trabalhistas democráticas, o que para a CONDSEF é inseparável
da luta para por para fora daqui FHC e o FMI, bem como o insanável
Congresso Nacional de picaretas. Ou seja, a CONDSEF deve relacionar
a luta em defesa de direitos e por um sistema democrático de
relações trabalhistas com o combate por outro governo
e outras instituições verdadeiramente democráticas.
IV. Departamentos Setoriais da CONDSEF
Os princípios políticos - organizativos que deram origem
aos Departamentos da CONDSEF, precisam sempre serem resgatados como
forma de manter-se e consolidar-se este importante avanço do
ponto de vista político e organizativo da CONDSEF.
A existência atualmente de 08 (oito) Departamentos Setoriais
enquanto instância organizativa da CONDSEF refletem o esforço
para construção dos mesmos. Para consolidação
dessa estrutura é necessário resgatarmos:
É preciso construirmos a organização vertical
da CONDSEF - os departamentos - sem fragmentação da
unidade política e orgânica da Confederação,
garantindo que nenhum paralelismo de competência e de poder
de representação e deliberação se instale
entre os departamentos e as instâncias da CONDSEF, assim como
entre os Departamentos e Sindicatos Gerais;
É preciso atentar para que os departamentos signifiquem confirmação
e fortalecimento dos sindicatos gerais, base fundamental da CONDSEF;
Para consolidar tais princípios é imprescindível
a construção de mecanismos que aprofunde o debate sobre
o verdadeiro papel político organizativo dos departamentos.
V. Convocar Plenária Estatutária
Vários pontos, que foram apresentados no tema de organização,
esbarraram na necessidade de efetuar mudanças no Estatuto da
Confederação. Nesse sentido o V Congresso da CONDSEF
delibera pela convocação de uma Plenária Estatutária
que deve ser convocada pela nova direção, eleita no
mesmo, com o objetivo de debater tais pontos e rever qualquer outro
que seja necessário.
Plano de Lutas
Bandeiras de Lutas
1. Por um serviço público gratuito e de qualidade
2. Fim do Trabalho Infantil com a ratificação da convenção
138 da OIT.
3. Redução da jornada de trabalho sem redução
de salários, contra o desemprego a hora extra e Banco de horas
pela ratificação de convenção 187 da OIT.
4. Que a CUT e a CONDSEF se pronunciem categoricamente, contra todo
e qualquer intervenção imperialista, contra o Mercosul,
a Alca a Nafta, à OTAN
5. Fim das privatizações e da quebra de direito dos
povos
6. Não ao pagamento das dívidas internas e externas
7. Abaixo a Guerra Fiscal e a Política de renúncia fiscal.
Prisão dos sonegadores com confisco dos seus bens
8. Em defesa de Reforma Agrária com a participação
dos trabalhadores
9. Defesa de políticas públicas de moradias populares
10. Contra todo e qualquer tipo de discriminação racial,
sexual, de gênero e de cor
11. Defender a organização sindical de todos os ataques
e ameaças que visem suprir ou dificultar o direito à
organização, a exemplo da PEC-623, denunciando e lutando
contra os ataques de FHC à organização dos trabalhadores
12. Em defesa do Meio Ambiente
13. Por uma transparência dos gastos públicos
14. FORA JÁ DAQUI FHC E O FMI!
15. ELEIÇÕES GERAIS! POR UM GOVERNO DOS TRABALHADORES
DO CAMPO E DA CIDADE!
Eixos
1. Denuncias junto a população sobre o desmonte do serviço
público
2. Mobilizar a categoria em cima de sua pauta de reivindicação,
combinando o geral com o específico
3. Fortalecer e ampliar os fóruns (frentes, coordenações,
etc) que aglutinem os trabalhadores do serviço público
federal, estadual e municipal, como elemento fundamental para o encaminhamento
unitário das lutas do setor e como desenvolvimento e avanço
na discussão política sobre organização
sindical dos servidores públicos na CUT
4. Consolidar e ampliar o fórum nacional em defesa do tema
Trabalho e Cidadania
Plano de Lutas
1. Uma verdadeira campanha nacional será organizada pela CONDSEF
mobilizando dezenas e dezenas de milhares de servidores que serão
chamados a discutir e subscrever os 4 principais itens da pauta de
reivindicações em seu local de trabalho e com organizações
populares, marcando uma data para entrega (em princípio, maio)
com manifestação de massa em Brasília (caravanas)
e, dessa forma, reunindo as condições para a greve de
todos os servidores.
Nesse sentido o V Congresso da CONDSEF aprova a seguinte Pauta de
reivindicações: 1) Manutenção e fortalecimento
dos Órgãos Públicos, não a extinção
e/ou transformação em Agências Executivas e/ou
Organizações Sociais. 2) Manutenção da
aposentadoria integral dos servidores, não a cobrança
dos aposentados e pensionistas, não aos aumentos de alíquota
e a cobrança sobre o 13º salário, retirada dos
Projetos de Emenda Constitucional e leis do Congresso Nacional que
retiram direitos dos servidores. 3) Nenhuma demissão ou colocação
em disponibilidade de servidores. Readmissão dos anistiados
e demitidos do Governo Collor com plena igualdade jurídica
com os demais servidores. 4) Reposição das perdas salariais
(pelo ICV-DIEESE, 57%) e política salarial com reposição
mensal da inflação. 5) Pagamento imediato e integral
dos 28,86%.
2. Participação da Conferência Mundial de São
Francisco em fevereiro de 2000.
3. Construção da Greve Geral
4. Luta pela igualdade de direitos entre aposentados e pensionistas
5. Posicionar-se e participar ativamente das eleições
do ano 2000 ( prefeitos e vereadores) apoiando candidatos do campo
progressitas e denunciando os candidatos dos partidos que dão
apoio a FHC
6. Desenvolver e incentivar programas para criar creches em todas
as instituições (local de trabalho, restaurantes etc...)
7. Defender e exigir uma política de saúde e segurança
do trabalhador no âmbito do serviço público, criando
e fortalecendo instrumentos de acompanhamento e controle (foruns e
comissões)
8. Participação no movimento de Rádio e TV comunitária,
viabilizando a criação desses importantes instrumentos
de comunicação e participando de suas programações
9. Consolidar um projeto de formação sindical com a
CUT e Entidades Filiadas
10. Dar continuidade ao Projeto de Pesquisa "Mundo do Trabalho
no Setor Público".
11. Aprimorar a organização por local de trabalho, intensificando
o debate junto à categoria
Pauta de reivindicações
1. Suspensão das medidas relacionadas a Reforma Administrativa,
particularmente no tocante a: avaliação de desempenho;
legislação que limita gastos com pessoal da União;
disponibilidade e demissão de servidores públicos estáveis
e não estáveis; redução da jornada de
trabalho com redução dos salários;
2. Acesso aos cargos do serviço público apenas através
de concurso público;
3. Reabertura dos processos de convocação dos aprovados
nos concursos já efetuados;
4. Definição de Plano de Cargos, Carreiras e Salários
para os trabalhadores dos diversos segmentos do serviço público
federal;
5. Alocação de verbas suficientes para o atendimento
qualificado do serviço público;
6. Reintegração dos demitidos e assegurar a manutenção
dos anistiados pela Lei 8878/94;
7. Reconhecimento da data base dos servidores públicos federais
no mês de maio;
8. Reposição imediata de todas as perdas salariais acumuladas
desde janeiro/95, sem prejuízo de negociações
sobre perdas anteriores. Desde janeiro/95 até julho/99, o acumulado
do ICV-DIEESE é de 57,57%;
9. Incorporação das gratificações por
exercícios de atividades ao vencimento no seu valor mais alto;
10. Pagamento integral dos valores decorrentes de sentenças
judiciais;
11. Pagamento imediato e integral dos 28,86% concedidos aos militares,
legislativo e judiciário;
12. Direito à organização por local de trabalho;
13. Estabelecimento e espaços de negociação sindical
permanentes nos diversos setores dos servidores públicos federais;
14. Liberação de dirigentes sindicais com salários
pagos pelos empregadores;
15. Garantia, conforme Constituição Federal, do desconto
em folha de mensalidades e outras eventuais taxas aprovadas pela categoria,
sem ônus para as entidades sindicais.;
16. Defender um orçamento digno para Seguridade Social e que
sua utilização seja apenas na Seguridade Social;
17. Garantir o repasse do Tesouro Nacional de todas as receitas arrecadadas
para a Seguridade Social, proibindo o desvio dessas verbas para outras
finalidades;
18. Criação imediata de uma comissão paritária
para gerir e fiscalizar os recursos da Seguridade Social;
19. Suspensão e revisão dos conteúdos em curso
da Reforma da Previdência Social;
20. Realizar auditoria independente na Previdência Social assegurando
o efetivo controle da sociedade;
21. Revogação da Lei que institui o aumento do desconto
para os servidores ativos e cria o desconto para os servidores aposentados;
22. Manutenção da aposentadoria especial para todos
os trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde
e condições insalubres;
23. Manutenção da Previdência Social pública
e estatal;
24. Manutenção do Sistema Educacional Federativo, Público,
Gratuito de Qualidade e com Compromisso Social, bem como os recursos
atualmente estabelecidos pela Constituição Federal;
25. Não a desvinculação salarial dos aposentados
com o dos servidores da ativa.
Quadro de Participação das
Entidades de Base no V CONCONDSEF
AM 025
AP 005
BA 041
CE 087
DF 122
GO 015
MA 074
MG 065
MT 010
PA 071
PA 002
PB 040
PE 131
PI 028
PR 003
PR 005
RJ 103
RJ 023
RN 006
RO 128
RR 010
RS 027
RS 002
SC 014
SE 015
SP 028
TO 011
30
:: TOTAL DE DELEGADOS(AS) 1.159
Quadro de Votação e de Composição
da Direção e do Conselho Fiscal
COMPOSIÇÃO DA
DIREÇÃO DA CONDSEF BIÊNIO
2000 A 2002
ELEITOS NO V CONGRESSO DA CONDSEF DE 09 A 12.12.99 NO RIO DE JANEIRO
SECRETARIA GERAL
Coordenador: Josemilton Maurício da Costa - (DF)
Adjuntos: Rogério Antônio Expedito - (MG
Antônio Carlos Fernandes - (MG)
SECRETARIA
DE ADMINISTRAÇÃO
Coordenador: Pedro Armengol de Souza - (PI)
Adjuntos: Ismael Vital de Souza - (AL)
Nazareno Helano Rocha Furtado - (CE)
SECRETARIA
DE FINANÇAS
Coordenador: Arquivaldo Bites Leão
Leite - (GO)
Adjuntos: Ivanezilda Ferreira Noleto - (TO)
Evando José da Silva (MG)
SECRETARIA
DE POLÍTICA SINDICAL E FORMAÇÃO
Coordenadora: Eladir Elizabeth Lima
- (SP)
Adjuntos: Edson Miranda Borges - (BA)
Eduardo Mariano - (DF)
SECRETARIA
DE IMPRENSA E DIVULGAÇÃO
Coordenador: Sebastião Henrique
Santos Lima - (RS)
Adjuntos: Elias Tenório Vargas - (RO)
Paulo de Moura - (RJ)
SECRETARIA
DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Coordenador: Jurandir Pereira Liberal - (PE)
Adjuntos: Erilza Galvão dos Santos - (BA)
Lírio José Téo - (SC)
SECRETARIA
DE ASSUNTOS JURÍDICOS, PARLAMENTARES E DE CLASSE
Coordenador: Edilson José Muniz
- (DF)
Adjuntos: Jonas Nascimento dos Santos - (BA)
João Lopes - (DF)
SECRETARIA
DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Coordenador: Luis Carlos de Alencar Macedo - (CE)
Adjuntos: Walter Matos de Moraes - (AM)
João da Cruz Silva - (RO)
SECRETARIA
DE APOSENTADOS E PENSIONISTAS
Coordenadora: Marly Pinheiro de Carvalho - (MA)
Adjuntos: Normando dos Santos - (PB)
Neide Rocha Cunha Solimões - (PA)
SUPLENTES
DA DIRETORIA NACIONAL:
1. Sebastião Ferreira Nunes - (SC)
2. Jorge Tancredo de Oliveira - (RJ)
3. Paulo Henrique Braga - (CE)
4. José Carlos Ferreira Vasconcelos - (RN)
5. Walter César Dias Figueiredo - (MA)
6. Pedro Alcântara Costa - (DF)
7. Lindinalva de Castro Viegas - (RJ)
8. José Alves de Souza Filho - (PR)
9. José Augusto Maranhão Negrão - (PA)
CONSELHO
FISCAL
Titulares: Luiz Pedro Marchon Vieira - (RJ)
José Alberto Wanderley de Oliveira - (PE)
Antônio Pereira Lima Sobrinho - (BA)
Suplentes: Severino Alves Araújo - (PB)
Jairo Silveira Couto - (BA)
Fernanda Vidal de S. Fernandes - (DF)
COMPOSIÇÃO DOS DEPARTAMENTOS
SETORIAIS DA CONDSEF DEPTº DOS TRABALHADORES EM SAÚDE
- DESC
Azevedo Quirino de Souza (CE)
Braz Joaquim de Castro(BA)V
Elinelson Macedo Gazel (RO)
Raimundo Pereira de Souza (MA)
Sérgio Ronaldo da Silva (PE)
DEPTº
DOS TRAB. EM AGRICUTURA E REF. AGRÁRIA - DARA
Antônio Borges de Souza (DF)
Francisco Gilton de Souza (BA)
José Eleno da Silva (PE)
Renato Michaelsen Farias (RS)
Wilton Marques (RO)
DEPTº
DOS TRAB. EM MEIO AMBIENTE - DENTM
Aluísio Bastos Pereira (CE)
Antônio Plinio Costa (PB)
José Mário Amaral Virué (RJ)
Maria de Fátima Meireles (DF)
Maria Goretti Moreira (RJ)
DEPTº
EXTRAORDINÁRIO DOS TRAB. DOS EX-TERRITÓRIOS
Agostinho Vasques (RO)
Amaro da Rocha e Silva (PR)
Ernande José de Sousa (PE)
Errolflyn de Sousa Paixão (AP)
Ivo Ferraz de Oliveira (RO)
DEPTº
DOS TRABALHADORES DA FAZENDA - DENFA
Adilson B. dos Santos (PE)
Carlos Alberto Bezerra Cavalcanti (DF)
Edvaldo Martins Santana (DF)
Marcos Mello (RJ)
Rufino Antônio Linhares (CE)
DEPTº
DE APOSENTADOS E PENSIONISTAS - DENAP
Agnaldo Barbosa (PA)
José Carlos de Souza (PE)
José Gutemberg (PI)
José Murilo Marciano (CE)
Josué Pereira (RJ)
DEPTº
DOS TRAB. EM EDUC. E CULTURA - DEC
Conceição de Maria Reis Silva (MA)
Luis César dos Santos Baia (RJ)
Marcos Ferreira Pedrosa (PE)
Marcos Souza (RO)
Sidney Batista Shuindt (RJ)
DEPTº
DO PESSOAL CIVIL DO ÓRG. MILITARES - DOMC
Darci Bichara (AM)
Eunice Gonçalves Borges (DF)
Maria de Lourdes Silva (MG)
Priscila Campos Oliveira (RN)
Sérgio do Espirito Santo (RJ)