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(Versão preliminar)

PROPOSTAS DA CUT PARA A I CNMA

1. Recursos Hídricos

- Fortalecer os comitês de Bacia Hidrográfica enquanto instrumentos de gestão coletiva dos recursos hídricos, incentivando e ampliando a participação dos setores organizados da sociedade civil, movimentos sociais e sindicatos, lutando por critérios de participação mais justos e representativos que possibilitem a sua transformação em verdadeiros conselhos de Bacia Hidrográfica;
- Segundo dados do IBGE, de 1999, 70,9% das residências apenas 75% dispõem de água potável e 59% de rede de esgoto. Cerca de 94% dos esgotos não são tratados e 80% das doenças são causadas ou disseminadas por falta de saneamento. O saneamento básico deve ser considerado uma das prioridades pelo governo pelo seu grave impacto socioambiental, como fator de poluição e pelos danos à saúde da população, especialmente a população pobre e trabalhadora.
- Além das reservas de água presentes nas bacias hidrográficas, o Brasil dispõe de importantes reservas subterrâneas de água, que estão sob risco, como é o caso do Aqüífero Guarani, um dos maiores do mundo. Estabelecer critérios que protejam essas águas, assim como sua utilização sustentável. Barrar quaisquer tentativas que promovam a privatização ou as coloquem sob controle ou monitoramento de instituições que não as destinadas ao atendimento público.
- A água não é mercadoria. Não às tentativas de privatização do serviço de saneamento e abastecimento de água
- Realizar uma ampla campanha nacional contra o desperdício da água;

2. Biodiversidade

- Monitoração, controle e fiscalização efetivos que impeçam a destruição da vegetação nativa, punindo os agentes predadores como as madeireiras e a indústria pecuária que, nos últimos anos, tem sido um dos principais fatores de desmatamento da Amazônia;
- A defesa da Amazônia significa a defesa do maior depositário de biodiversidade do planeta, ameaçada pelos interesses de empresas inescrupulosas que apropriam-se das riquezas naturais, dos conhecimentos seculares adquiridos pelas nações indígenas e populações ribeirinhas. A biopirataria deve ser combatida com rigor através de medidas que protejam as grandes riquezas naturais da Amazônia;
- Tomar ações enérgicas contra ações de pirataria como a do escandaloso episódio envolvendo o cupu-açu, o qual foi "registrado" por uma corporação multinacional japonesa;
- O combate à biopirataria envolve necessariamente um acirrado debate acerca dos "direitos de propriedade intelectual", a qual, tal como está formulada, constitui-se uma grave ameaça à biodiversidade;
- O combate intransigente aos transgênicos é uma das principais tarefas da luta socioambiental. A questão dos transgênicos é antes de tudo, uma questão de segurança nacional e alimentar, pois a sua liberação implica em estabelecer uma dependência em relação aos produtores de sementes, como a multinacional Monsanto, colocando em risco não apenas os agricultores , como a população que necessita dos alimentos. Ao lado disso, os organismos geneticamente modificados provocam, como já foi demonstrado pela experiência em vários países, a perda de biodiversidade. E, por fim, há a possibilidade de que alimentos transgênicos causem danos à saúde da população. Por esses motivos, é inaceitável a liberação dos transgênicos.
- A defesa de comunidades tradicionais como os povos indígenas, comunidades quilombolas e populações ribeirinhas deve ser garantida com políticas públicas visando a sua proteção e a dotação de recursos para a preservação das culturas e formas sustentáveis de manejo das riquezas naturais;
- A ampla reforma agrária necessária ao país deve estar fundada necessariamente no princípio da sustentabilidade. Para tanto o governo deve prover os meios, recursos e assistência para possibilitar aos trabalhadores assentados uma produção agrícola sustentável;

3. Agricultura, pecuária, recursos pesqueiros e florestais

- Realizar a transição para formas sustentáveis de uso dos ecossistemas brasileiros, proteger efetivamente e com rigor biomas ameaçados pela ação predatória, implementar e incentivar políticas voltadas à recuperação de terras desmatadas ou subaproveitadas;
- Promover, incentivar e dar suporte à agricultura familiar
- Limitar a expansão das fronteiras agrícolas em áreas de fragilidade ambiental;
- Coibir a expansão dos "desertos verdes" promovida por empresas, especialmente as do ramo de papel e celulose, que resultam em grandes prejuízos à biodiversidade;
- Combate aos desmatamentos;
- Limitar as queimadas, realizar amplo processo de conscientização das populações rurais quanto aos seus danos ambientais;

4.Infra-estrutura: transportes e energia

- As exigências de crescimento econômico colocam a necessidade urgente de desenvolver uma infra-estrutura sólida, capaz de lhe dar sustentação. A expansão das malhas viárias, das ferrovias e hidrovias, requer sempre que se avaliem os seus impactos socioambientais. Defendemos a formação de uma Câmara técnica, envolvendo representantes do governo, empresariado, trabalhadores e das comunidades locais, em critérios paritários e democráticos, que tenha a função de avaliar os impactos socioambientais de todos os grandes projetos que visem desenvolvimento de infra-estrutura e projetos destinados a impulsionar o crescimento econômico e a geração de empregos;
- Urge avançar na discussão sobre uma nova matriz energética para o país, que gere uma energia limpa, sem gerar danos socioambientais. A atual matriz energética, baseada nas grandes usinas hidrelétricas ocasiona sérios impactos socioambientais, atingindo além das riquezas naturais, as populações ribeirinhas que vêem se obrigadas a se deslocar para outras áreas, quando não se transformam simplesmente em novos parias sem-terra.
- É imperativo que se busquem formas alternativas de geração de energia no país, principalmente aquelas que não ocasionem impactos socio-econômico-ambientais. O Brasil possui uma experiência importante, o Pró-Álcool, cujo acúmulo deve ser utilizado e aprimorado. Deve-se estimular o recurso à energia solar, biomassa, a energia eólica, entre outras.
- Uma herança do regime militar é a priorização das rodovias em detrimento de outras formas de transporte. É urgente a diversificação das vias de transporte, com destaque para a rede ferroviária, sempre levando em conta os seus impactos socio-econômico-ambientais;
- Realizar um planejamento integrado dos sistemas de transporte e privilegiar, sobretudo, os sistemas de transporte coletivos;

5. Meio ambiente urbano

- Pelo aperfeiçoamento do transporte público e de qualidade, integrando redes de transporte de massa nas grandes aglomerações urbanas (ônibus, metrô e trens);
- Atenuar a poluição do ar e o tráfego deslocando a prioridade de recursos de infra-estrutura para os meios de transporte coletivos em detrimento dos transportes individuais;
- Incentivar o uso de combustíveis como álcool e gás, menos poluentes que gasolina e diesel;
- O lixo urbano é um dos grandes problemas enfrentados pelas cidades, peincipalmente as grandes metrópoles. A implantação de aterros sanitários deve ser incentivada, garantindo-se seu manejo adequado e em áreas que não coloquem em risco a saúde da população;
- Iniciar uma ampla campanha de educação ambiental com o objetivo de evitar desperdícios, implantar a coleta seletiva e criar condições para a implementação em larga escala da reciclagem dos resíduos. Essa política deve estar articulada com o desenvolvimento da economia solidária, incorporando os milhões de excluídos que já atuam na coleta dos resíduos.
- Proteger as áreas de mananciais, envolvendo os Comitês de Bacia e os diversos atores da sociedade civil.
- Políticas de habitação que levem em conta a variável ambiental, procurando garantir qualidade de vida para os moradores, incluindo áreas verdes, áreas de lazer, transporte público de qualidade, postos de saúde.
- Políticas públicas voltadas para a descentralização das atividades econômicas, gerando desenvolvimento sustentável em regiões geradoras de fluxo migratório, evitando assim, um maior inchaço das grandes cidades e metrópoles.

7. Mudanças Climáticas

- Aplicação da Agenda 21 na Indústria
- Aplicação do protocolo de Kyoto

by wke