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A CUT E O MEIO AMBIENTE

(Resoluções de Congressos e Plenárias)

4º CONCUT (4 a 8 de setembro de 1991)

MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO

Em 1992 será realizada no Brasil a 2ª Conferência sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente - Unced/92. Além da Conferência Oficial, da qual participarão todos os países membros da ONU, o0correrá a Conferência Paralela com a participação de várias entidades e movimentos sociais que conta também com o apoio das Nações Unidas.
Para o Brasil, esse evento assume grande importância, uma vez que o atual quadro de degradação ambiental está diretamente relacionado com a forma de desenvolvimento econômico e social adotado pelo país desde o pós-guerra.
A chamada "modernização conservadora" sempre foi excludente e caracterizou-se pelos baixos salários, pela alta concentração de renda e da terra, pelo aumento da miséria, pela urbanização e migração desordenadas e pela deterioração da qualidade de vida na cidade e no campo.
Na concepção mais ampla do termo meio ambiente, que engloba tanto os recursos naturais como também a qualidade de vida das pessoas, podemos observar que esses processos causaram grandes danos ao ambiente, seja pela utilização predatória dos recursos naturais para atender aos interesses dos grandes grupos nacionais e internacionais, seja pela forma de ocupação espacial e crescimento desorganizado das indústrias, seja ainda pela crescente

 

5º CONCUT (19 a 22 de maio de 1994)
MEIO AMBIENTE

O 4º Concut definiu sete eixos estratégicos, dentre os quais se destacam as políticas sociais. Esses pressupostos ajudaram a fortalecer a ação da CUT neste campo e revelara]m uma preocupação básica da Central em conceber o trabalhador não só como produtor mas também como cidadão.
No plano dos sindicatos e dos ramos, o tema ganha força em resposta às condições de trabalho (saúde e segurança no trabalho) e ao comprometimento da qualidade do meio ambiente externo às unidades produtivas.
Ao interferir no processo produtivo, a questão ambiental assume o caráter de uma nova variável fundamental para pensar alternativas econômicas ao modelo de desenvolvimento, seja nos processos de reestruturação e modernização industrial, seja na transformação da estrutura agrária e agrícola.
Os recursos naturais se constituem em fatores econômicos fundamentais e em condições básicas para todo e qualquer desenvolvimento. Entretanto, os países pouco industrializados tendem a receber cada vez menos no mercado externo por esses produtos, com uma exploração cada vez mais predatória dos seus recursos naturais.
Esses países, longe de se desenvolverem, estão apenas sacrificando as riquezas e o bem-estar das gerações futuras e ajudando a enriquecer as grandes corporações transnacionais, que controlam o mercado mundial.
Dos oito setores industriais brasileiros com forte presença no mercado internacional, quatro são altamente nocivos ao meio ambiente: papel e celulose, alumínio, minério de ferro e siderurgia primária, extração de petróleo e petroquímica. Defasada tecnologicamente, a indústria brasileira só consegue competir à custa de baixos salários, da exploração predatória dos nossos recursos naturais, com impactos negativos sobre a saúde e a segurança do trabalhador nas fábricas e da deterioração da qualidade de vida da população da cidade e do campo.
Não é este tipo de "desenvolvimento" que desejamos para o país. Nada nos impede de aproveitar os recursos naturais existentes, desde que sua exploração seja feita sem comprometer os ecossistemas e as condições de vida da população. Para que isso ocorra, será necessário mudar o próprio modelo de desenvolvimento, através do fortalecimento do mercado interno, que, juntamente com a redistribuição de renda e a preservação ambiental, devem se constituir nos pilares básicos de um novo modelo de desenvolvimento auto-sustentável para o bem-estar dos trabalhadores e da população.
Outra condição básica é a diversificação da nossa pauta de exportações, incorporando produtos mais elaborados, de maior valor agregado e com processos industriais que permitam a valorização do trabalho no processo produtivo e a preservação do meio ambiente interno e externo às empresas.
Propostas de Organização e de Atividades
Priorizar a luta pela mudança radical no atual modelo de desenvolvimento, absorvendo a variável ambiental.
Reivindicar a adoção de políticas de valorização dos recursos naturais no merca6do interno e externo, através da cobrança de sobretaxas punitivas que alimentem fundos especificamente voltados para sua conservação ou regeneração.
Incluir as questões ambientais na pauta das negociações que costumam preceder os processos de reestruturação das empresas, bem como nos fóruns mais amplos, como as Câmaras Setoriais. Nessas instâncias de negociação, as propostas devem orientar-se pelo princípio "poluidor-pagador" e avançar na criação de uma metodologia que permita contabilizar os custos ambientais da produção.
Descentralizar as ações coordenadas pela Comissão Nacional de Mio Ambiente, criando instâncias nas estruturas vertical e horizontal com o objetivo de avançar na definição de políticas globais e setoriais que incorporem a questão ambiental.
Participação e articulação de plataformas comuns com os fóruns da sociedade civil e os movimentos populares.
Reivindicar a participação da CUT nos conselhos de meio ambiente em todos os níveis do poder público.
Acompanhamento e intervenção no Congresso Nacional nos temas relacionados à questão ambiental (lei de patentes, regulamentação do capítulo de meio ambiente, etc.)
Intervenção nos processos de zoneamento econômico e ambiental em todo o país.
Introduzir a proteção ambiental na luta por uma política agrícola e agrária, com destaque para o uso controlado de agrotóxicos, compatível com os interesses dos trabalhadores, com a garantia das reservas extrativistas sob controle dos trabalhadores e da demarcação das terras indígenas sob controle dos mesmos.
Consolidação da rede CUT Amazônia e do Observatório Sócio-ambiental da Amazônia.
Acompanhar e elaborar propostas para as negociações da Carta Social e da harmonização das políticas e da legislação ambiental no Mercosul.
Incorporar nos programas de formação sindical e profissional a dimensão sócio-econômica-ambiental.
Apoiar a constituição de comissões de saúde e meio ambiente por local de trabalho.

 

VI CONCUT (13 a 17 de agosto de1997)
O meio ambiente no meio sindical

1. Passados 5 anos da ECO-92, muito pouca coisa mudou em nosso país no que se refere ao meio ambiente. O governo brasileiro adiou nos últimos quatro anos a criação do Conselho das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio 92. A tradução e a publicação da Agenda 21 somente foi concluída em 1996 e as discussões sobre a Agenda 21 Nacional ainda nem começaram.
2. O recente enfraquecimento do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente - mostra claramente qual é a verdadeira intenção do governo: excluir a sociedade civil e os trabalhadores destas discussões. Além disso, a ausência de políticas públicas do governo federal na questão ambiental tem transferido decisões importantes, de caráter nacional ( e portanto de toda a sociedade) à esfera dos estados. Assim, os interesses econômicos e políticos locais dão hoje o "tom" das políticas públicas para a Amazônia, por exemplo.
3. O crescimento da miséria é um dos fatores que incidem negativamente sobre o Meio Ambiente. Nas regiões metropolitanas, pressionados pelos altos custos da moradia face aos baixos salários, constroem-se moradias precárias nas áreas de proteção de mananciais comprometendo o fornecimento de água às futuras gerações. A Reforma Urbana necessária assim como o direito do uso social da propriedade previsto na Constituição da República, não foram sequer objeto de apreciação pelo governo.
4. Uma central sindical como a CUT, comprometida com a construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária, deve eleger a luta em defesa do ambiente e da qualidade de vida como prioridade.
5. É preciso formar cada vez mais quadros com capacidade de intervir nessa discussão, tanto no local de trabalho, quanto nos fóruns sociais que se ocupam dessa temática. A questão da defesa do meio ambiente não pode ficar restrita à Comissão Nacional de Meio Ambiente.
6. Temos como tarefa urgente a implementação da resolução do 4º Concut que define a transformação das CIPAS em verdadeiras Comissões de Saúde, trabalho e Meio Ambiente, intervindo não só no ambiente interno das fábricas, mas também no ambiente externo.
7. Devemos intensificar o processo de rearticulação da Rede CUT Amazônica, transformando-a em espaço privilegiado de intervenção no debate sobre o desenvolvimento da região.
8. Ampliar a participação da CNMA no sub grupo 6 do Merco Sul, articulando o trabalho com a SRI e a Coordenadora de centrais sindicais do Cone Sul.
9. Desenvolver ações conjuntas com o Coletivo Nacional de Saúde, Trabalho e Meio Ambiente.
10. Para tanto, é urgente o fortalecimento da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CUT e a organização de Comissões em todos os estados.

 

IX PLENÁRIA (agosto de 1999)
Meio ambiente no meio sindical

Passados sete anos da Eco-92, muito pouca coisa mudou em nosso país no que se refere ao meio ambiente. O governo brasileiro adiou nos últimos anos a criação do Conselho das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio 92. A tradução e a publicação da Agenda 21 somente foram concluídas em 1996, e as discussões sobre a Agenda 21 Nacional ainda nem começaram.
A discussão do meio ambiente deve ser vista e debatida no movimento sindical sob três aspectos: o do meio ambiente do trabalho, que é pertinente a direitos invioláveis da saúde e da integridade física dos trabalhadores, que freqüentam determinado ambiente para exercer seu trabalho; do meio ambiente artificial, constituído pelo espaço urbano e do meio ambiente natural, constituído pelo solo, a água, o ar, a flora, etc.
O Estado tem o dever de promover a vigilância e o controle da utilização dos recursos ambientais. Prevenir e precaver, com o fim de proteger o meio ambiente, foram objetivos consagrados há sete anos na Eco/92.
A Agenda 21, assinada por 175 chefes de governo na Eco/92, introduziu no debate da globalização a discussão sobre desenvolvimento e meio ambiente. Não se pode falar em políticas públicas sem tocar na questão do desenvolvimento sustentável. O meio ambiente é parte estratégica do processo de globalização. É preciso combater o esgotamento dos recursos naturais.
A Agenda 21 está centrada na "ação local". É no nível local que as ações se concretizam pela mobilização direta das comunidades. Essa Agenda já está sendo implantada em vários municípios e em dois Estados. O debate deve ser feito sistematicamente com os segmentos organizados e representativos da sociedade. Quais as prioridades desejadas no que se refere aos aspectos sociais, econômicos e ambientais, a fim de melhorar a qualidade de vida, na entrada do século 21?
A CUT deverá procurar se integrar a esse debate, nos locais em que a Agenda 21 estiver sendo implantada, levando nossas propostas.
O governo FHC vem liberando o uso dos transgênicos, por meio de seu organismo responsável pelas questões de biossegurança, garantindo que as multinacionais entrem no país com alimentos já proibidos na Europa, com o objetivo de obter altos lucros. É com um conhecimento mínimo que as empresas de biotecnologia vêm desenvolvendo plantas que estão sendo cultivadas comercialmente.
A interação com o meio ambiente e o consumo desses alimentos por seres humanos e animais, além de causarem quebra do equilíbrio ecológico, empobrecem a biodiversidade, contaminam o solo, etc, e causam ao longo do tempo doenças nas pessoas. A CUT deverá juntar-se aos vários movimentos e denunciar o uso dos alimentos transgênicos, da forma como vem fazendo o governo brasileiro, para favorecer multinacionais.
O recente enfraquecimento do Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente - mostra claramente qual é a verdadeira intenção do governo: excluir a sociedade civil e os trabalhadores dessas discussões. Além disso, a ausência de políticas públicas do governo federal na questão ambiental tem transferido decisões importantes, de caráter nacional ( e portanto de toda a sociedade) à esfera dos Estados. Os interesses econômicos e políticos locais dão hoje a direção das políticas públicas para a Amazônia, por exemplo.
O crescimento da miséria é um dos fatores que incidem negativamente sobre o meio ambiente. Nas regiões metropolitanas, pressionados pelos altos custos da moradia face aos baixos salários, constroem-se moradias precárias nas áreas de proteção de mananciais, comprometendo o fornecimento de água às futuras gerações. A reforma urbana necessária e o direito ao uso social da propriedade previsto na Constituição da República não foram sequer objeto de apreciação pelo governo.
Uma central sindical como a CUT, comprometida com a construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária, deve eleger a luta em defesa do ambiente e da qualidade de vida como prioridade. Mais que isso, precisa posicionar-se em questões fundamentais no cenário mundial, que discute o meio ambiente a fim de dar respostas mais rápidas sobre essas questões.
A CUT está comprometida com a construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária, que necessariamente deve também ser uma sociedade sustentável, pois a atividade econômica deve se sujeitar em primeira instância às restrições de ordem ecológica. Nesse processo de construção da sociedade sustentável, a sociedade industrial deve transformar-se visando a novas formas de apropriar-se da natureza, garantindo a sustentabilidade dos recursos naturais e a manutenção ou ampliação dos postos de trabalho.
A CUT entende ser uma falsa questão a incompatibilidade entre preservação ou recuperação do meio ambiente e a manutenção ou geração de novos postos de trabalho. A atual forma de exploração da natureza nos levará ao caos social, com o esgotamento dos recursos naturais e a destruição do meio ambiente. Em conseqüência, os postos de trabalho serão também eliminados. Essa realidade expressa a grande contradição entre capital e natureza.
Os trabalhadores, presentes nos diversos setores produtivos, são atores centrais desse processo e sofrem as conseqüências do modelo predatório.
A luta sindical e a ecológica se fundem na busca de uma sociedade sustentável em que a apropriação da natureza se dê de outra forma.
Por isso a CUT deve priorizar a luta em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida e posicionar-se sobre as questões fundamentais no cenário mundial acerca do meio ambiente, com respostas ágeis sobre essa questão, partindo da compreensão de que o planeta é único, e que as crises ambientais são um problema de todos.
Que a CUT Nacional, pela 9ª Plenária Nacional, assuma uma posição contrária à liberação comercial dos organismos geneticamente modificados - transgênicos - e promova seminários e debates, encaminhando aos sindicatos filiados as resoluções deliberadas nas instâncias da CUT.
É preciso formar cada vez mais quadros com capacidade de intervir nessa discussão, tanto no local de trabalho quanto nos fóruns sociais que se ocupam da temática. A questão da defesa do meio ambiente não pode ficar restrita à Comissão Nacional de Meio Ambiente, mas deve chegar aos sindicatos, ao local de trabalho, ao bairro e à casa do trabalhador.
Temos como tarefa urgente a implementação da resolução do 4º CONCUT, que define a transformação das Cipas em verdadeiras Comissões de Saúde, Trabalho e Meio Ambiente, intervindo não só no ambiente interno das fábricas, mas também no ambiente externo.
Devemos intensificar o processo de rearticulação da Rede CUT Amazônica, transformando-a em espaço privilegiado de intervenção no debate sobre o desenvolvimento da região.
Ampliar a participação da CNMA no subgrupo 6 do Mercosul, articulando o trabalho com a SRI e a Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul. Para tanto, é urgente o fortalecimento da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CUT e das Comissões Estaduais de Meio Ambiente, o que se configura em condições materiais de trabalho semelhantes às demais secretarias existentes na CUT. Caso contrário, as resoluções tomadas nos fóruns da Central ficarão resumidas a mero registro em papel.
Desenvolver ações conjuntas com o Coletivo Nacional de Saúde, Trabalho e Meio Ambiente. Para tanto, é urgente o fortalecimento da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CUT e a organização de Comissões em todos os Estados.

 

X PLENÁRIA (maio de 2002)
Amazônia e a Questão Sócio Ambiental

A maior floresta tropical do mundo vem sendo transformada pela sociedade em função dos processos de produção e reprodução do capitalismo que no momento contemporâneo ganha novas formas de intervenção na região. Pela suas características ambientais, a Amazônia passa a ser, no mundo globalizado, uma região geoestratégica, sobretudo, pelo manancial biogenético, hídrico e mais recentemente, pela questão climática. O espaço amazônico corresponde a 5% da superfície terrestre, 40% das América do Sul e 58% do território brasileiro. Contém 10% da disponibilidade mundial de água doce e 30% das reservas mundiais de florestas latifolidadas, mas somente 3,5 milésimos da população mundial.
Cada vez mais se pauta na dimensão mundial envolvendo inúmeros atores com interesses diversos e antagônicos. Com os avanços nos processos científicos, tecnológicos e biotecnológicos, a Amazônia passa por uma resignificação que articula o seu valor para a humanidade e também como capital natural no processo de acumulação e geopolítico em escala mundo, daí a intervenção das diversas agências e organismos internacionais que disputam a melhor forma de "proteção" da natureza e de políticas para a região, a exemplo do PPG-7, do Plano Colômbia ou mesmo do SIVAN.
No patamar das eminentes relações na escala mundo, suas feições revelam um conjunto paradoxal de sua significância. Quanto mais a Amazônia é vista como espaço geopolítico, um paraíso fiscal, um patrimônio da humanidade, uma zona econômica emergente, um banco genético planetário, mais as contradições pretéritas e presentes dos ciclos históricos da acumulação originária, do capitalismo internacional, da economia mundial ganham complexidade no plano local (Corrêa da Silva; 2000).
Daí ser ela o locus de riquezas naturais e da disparidade social, dos conflitos agrários e da devastação ambiental, de novas territorialidades e tensões culturais, demandando do movimento sindical, como importante sujeito coletivo, emergentes pautas sociais e políticas que se articulam na escala local, regional e nacional, reconhecendo ser imperativo a reflexão sobre sua importância para o Brasil e para o Mundo.
No debate atual tem-se um sincretismo no processo de desenvolvimento regional, o que coloca para a CUT uma agenda de intervenção social e de construção política no campo do Desenvolvimento Sustentável e Solidário, levando-nos a compreender não ser mais possível pensar num modelo de desenvolvimento do Brasil, sem pensar a Região Amazônica, ao mesmo tempo não ser mais possível pensar o movimento sindical cutista sem pensar no movimento sindical da Amazônia.
Contextualizando a Região Amazônica
Ao longo de sua construção histórica a Amazônia esteve desvinculada do projeto nacional, ocasionado pelo centralismo político do Estado brasileiro, sendo as políticas de ocupação e/ou de intervenção na região ser de ação e abrangência pontual somente em 1912 houve uma pequena iniciativa nacional, através da criação da Superintendência da Defesa da Borracha na Região. A partir daí, o poder central passou a se efetivar na Região através de medidas pouco significativa como: busca de apoio para Segunda Guerra (1942); implantação do Banco de Crédito da Amazônia; criação de Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia - SPVEA e a abertura da Rodovia Belém-Brasília (década de 50)
Durante o Governo Militar houve uma "reformatação institucional", com objetivo de "inserir política e economicamente a Região ao padrão de acumulação de capital, em curso no país" visando com isso implantar "a adoção de uma política regional e rever o estigma da região" (TEIXEIRA, 1998). Com isso, extinguiu-se a SPVEA e criou-se a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, o Banco da Amazônia - BASA, a Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA e implantou-se a "Operação Amazônia" para fortalecer a política de incentivos fiscais na região, a qual ligada à política de terra e de infra-estrutura básica tornou-se o tripé político e institucional do Estado, portanto, norteador do processo de desenvolvimento capitalista na Região.
A Amazônia ganha um sentido de fronteira de exploração, sendo a economia fundamentada num conjunto de investimentos que objetivava a acumulação capitalista com prosperidades infinitas e uma intensa exploração dos recursos naturais, incorporando imensas áreas do território amazônico em vários grandes projetos (Polamazônia, Polonoroeste, Projeto Grande Carajás, Projeto Jarí, Colonização da Transamazônica, construção de eixos rodoviários e outros).
Sob o signo da Modernização Autoritária, a Amazônia sofreu um vigoroso aumento populacional, passando de 4 milhões para 21 milhões de pessoas entre 1970 e 2000, sendo a região que obteve os maiores crescimento populacional relativo desde a década de 70 (Tabela 1). O rebanho bovino, em 1970 correspondia 1,7 milhões de cabeças, ALCAnçando 17 milhões em 1995 (Nepstad et al, 2000). O desflorestamento saltou de 152.200 Km2 para 569.269 Km2 no período de 1978 a 1999, correspondendo a 14% da Amazônia (INPE, 2000). Em 21 anos, foi desmatada uma área aproximadamente do tamanho dos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro ou um pouco maior que o Estado da Bahia.
Tabela 1
Crescimento Populacional relativo
Regiões Crescimento Populacional (%)
1950/1960 1960/1970 1970/1980 1980/1991 1991/2000
Brasil 34,9 32,9 27,8 23,4 15,5
Norte 37,7 40,7 63,2 51,5 28,54
Nordeste 23,3 26,7 23,8 22,1 12,23
Sudeste 35,8 30,1 29,8 21,3 15,23
Sul 50 40,4 15,4 16,3 13,38
Centro-oeste 70 72,4 48,7 38,5 23,22
Fonte: IBGE, 2001
Tais processos se consolidaram com o alijamento das forças sociais na determinação do modelo de ocupação regional, bem como obteve, por parte dos Governos Militares, o controle dos recursos da natureza e de suas formas de exploração paras as empresas capitalistas nacionais e internacionais.
Sua exploração tem sido efetuada arbitrariamente, e em sua grande maioria, sem nenhuma forma de exploração racional com manejo efetivamente florestal, de base neoextrativista, onde predomina a problemática sócio-econômica e ambiental causada pela grande concentração de serrarias não autorizadas que exploram desordenadamente a madeira (cerca de 70% da madeira consumida no país é extraída da região Norte, sendo que 60% deste total é retirado do Pará). Dominação, devastação e exclusão social são os resultados produzidos pelo modelo de desenvolvimento da Amazônia gestado historicamente pelo poder central e pelas oligarquias regional, que a rigor, mantém e transfere as riquezas regionais para o capital monopolista nacional e internacional.
O modelo de ocupação e exploração da região produziu um quadro social complexo, gerado pela concentração de renda e exclusão social. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD/IBGE, indicam para a Região Norte uma taxa de analfabetismo de 11,6%, abaixo da média nacional (13,3%) e do Nordeste (26,6%), mas muito inferior às taxas das Regiões Centro-Oeste (10,8%), Sudeste (7,8%), Sul (7,8%). Na mortalidade infantil de cada 1000 crianças, a Região Norte apresenta uma taxa de 34,1; Nordeste de 53; Centro-Oeste 25,5, Sudeste 24,4 e Sul com 20,7.
Quanto ao tipo de abastecimento de água com canalização interna ligada a rede geral de saneamento, a média nacional indica uma taxa de 89,2%, a Região Nordeste com 80,9%, Centro-Oeste 82,7%, Sudeste 94,9%, Sul 93,9% e a Região Norte com apenas 61,10%. Os indicadores sociais para a Região Norte podem ser piores, vez que a PNAD exclui da pesquisa as áreas rurais, ou seja, 30,17% da população do Norte não aparecem na pesquisa.
Quadro 1
Indicadores Brasil Norte Nordeste Centro-oeste Sudeste Sul
Mortalidade Infantil -1999 ( por 1000) 34,6 34,1 53 24,5 24,4 20,7
Analfabetismo - 1999 (%) 13,3 11,6 26,6 10,8 7,8 7,8
Crescimento Demográfico - 1991/2000 (%) 15,5 28,54 12,23 23,22 15,23 13,38
Taxa de Urbanização - 2000 (%) 81,23 69,83 69,04 86,73 90,52 80,94
Crianças fora da escola (7 a 14anos) 1988 - 8,1 8,0 5,7 2,4 2,9
Participação no PIB (%) - 4,87 12,7 7,15 59,41 15,89
IDH - 1996 0,739 0,727 0,608 0,848 0,857 0,860
Seneamento - Abasacimento de água (%) 89,2 61,1 80,9 82,7 94,9 93,9
Conflitos no campo - 1997 736 131 252 159 97 97
Assassinatos no campo 1997 30 12 10 - - -
Fonte: IBGE, Ipes, MEC, CPT
Como reserva de recursos naturais, ganha relevo sua importância em escala planetária. Possuindo a maior biodiversidade do mundo, uma reserva mineral incalculável com pelo menos 14 tipos de minerais, sendo que a reserva da Serra de Carajás é calculada em 18 bilhões de toneladas, tornando o Brasil o maior produtor de ferro do mundo, detentor de 15% das reservas mundiais de bauxita. Abriga um banco genético estimado entre fauna e flora com cerca de 50% das espécies existentes no planeta.
A Amazônia possui a maior rede fluvial e o maior potencial hídrico do mundo. Apesar de tudo isso, a participação da Região Norte no PIB nacional é de apenas 4,87%. Para a expansão capitalista no mundo globalizado, que se alicerça no desenvolvimento científico-tecnológico, a Amazônia representa uma reserva de alto valor estratégico, o chamando capital natural que se articula aos interesses externos do desenvolvimento local.
No plano energético a região apresenta um quadro preocupante. O consumo de energia elétrica na região é de apenas 5,7% do consumo nacional e cerca de 40% da população ou não tem energia elétrica ou são precariamente atendidas pelo sistema, enquanto nas regiões Sul e Sudeste a taxa de atendimento ao consumidor está entre 93% e 98% (FNU/CUT, SINDNORTE, ASEEL).
Em contrapartida o governo federal transfere para iniciativa privada a responsabilidade pela infra-estrutura de energia elétrica dos sistemas isolados da região Amazônica, ao passo que o movimento sindical da região vai para o enfrentamento político propondo para reestruturação do setor elétrico medidas que o revigoram, como: empresa única para região, com a criação de subsidiárias integrais por Estado e completamente verticalizadas.
A inserção da iniciativa privada em novos projetos tem gerado inúmeros conflitos sociais e ambientais, como ocorreu em Rondônia e no Pará, que mobilizou a sociedade (Universidade, Ong's, Sindicatos...) para a necessidade do debate e definição de um modelo energético para Amazônia.
As maiores tensões quanto ao modelo de desenvolvimento se dão no agro amazônico, onde as políticas agrícolas e agrárias, de (re) ordenamento territorial envolvendo novos eixos de transportes (hidrovias e rodovias) cristalizam as incongruências do processo em desenvolvimento.
Para o movimento sindical a produção deve apoiar-se no trabalho familiar ou comunitário, adaptando-se aos ciclos naturais, tendo como racionalidade à reprodução social e cultural com características próprias de cada grupo: agricultores familiares, índios, seringueiros e ribeirinhos.
Com a concepção do bioextrativismo, superamos a concepção geral que separa homem e natureza e construímos uma relação de harmonia entre eles, que considera, além disso, a organização social e o universo cultural da região. Essa visão se contrapõe a forma de implantação dos grandes projetos criados na região (Albras-Alunorte, Grande Carajás, Hidrelétrica de Tucuruí, entre outros), que em geral são acoplados às necessidades externas da produção capitalista nacional e internacional, não territorializando resultados positivos.
A cobiça internacional, principalmente do Japão, Estados Unidos e dos países que formam o G-7 sobre a Amazônia é enorme, e se dá sobre vários discursos emotivos e sob a égide de uma suposta racionalidade científica, da defesa do meio ambiente e do bem comum para a humanidade. Esses motivos escondem os reais interesses econômicos e geoestratégicos sobre esse paraíso natural que é a Amazônia, como também negligenciam as questões sociais rurais, sobretudo, na luta pela reforma agrária, que na década de 90, produziu os massacres de Corumbiara (Rondônia) e de Eldorado dos Carajás (Pará).
Os conflitos agrários envolvem diversos sujeitos sociais (agricultores, sem terras, seringueiros, índios, latifundiários, empresas estrangeiras e outros), que em 1997 produziu 131 conflitos e 12 assassinatos na região, ampliando em 1998, ocorrendo em 115 localidades, atingindo 44.464 famílias, resultando em 24 trabalhadores rurais assassinados (CPT-Conflitos no Campo - Brasil 1998), bem como no extermínio da cultura dos povos indígenas, das belezas e da riqueza que a cada ciclo econômico de ocupação destróem a região.
A CUT na Região Norte
A Amazônia Legal corresponde a uma área territorial de 4,9 milhões de km2 (58% do território nacional) e uma população de 21 milhões de habitantes, com 68,12% da população vivendo nas cidades. Apresenta um alto índice de indigência, que segundo dados da SUDAM/IPEA atinge cerca de 3 milhões e 700 mil pessoas na região.
As dimensões geográficas e as precárias infra-estruturas de transporte regional têm sido um fator impeditivo a organização e articulação do movimento sindical no enfrentamento de questões que requerem ações em escala regional, vez que elevam, sobremaneira, os custos dessas lutas. As estaduais da CUT (Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Tocantins, Amapá e Pará) encontram significativa limitação estrutural, o que tem dificultado tanto a comunicação interestadual e regional, quanto o desenvolvimento das atividades organizativas, formativas e de mobilização de massa.
Não obstante as dificuldades estruturais, nossas ações sindicais além de seguir um calendário nacional possuem também um calendário regional de ações de massa, o qual destacamos a mobilização do Grito dos Povos da Amazônia, que inicialmente nasce de uma experiência na região norte de mobilização e depois é socializada em nível nacional.
O avanço da CUT tem se mostrado em vários campos, como nas mobilizações dos 10.000 servidores públicos demitidos em Rondônia, nas lutas pela demarcação das reservas extrativistas, dos avanços da agricultura familiar no enfrentamento local e regional, na luta contra os processos de privatização do setor elétrico e na construção de alternativas de geração de trabalho e renda e do projeto de Desenvolvimento Sustentável e Solidário para a Amazônia. Esse debate ganhar corpo no âmbito da Formação em que a realização de Encontros, Seminários e Conferências em nível regional tem permitido o amadurecimento e fortalecimento dos nossos laços de mobilização.
Desde o ano de 98 que as Estaduais da CUT da Região Norte vem realizando planejamento de ações de massa, que vai desde uma articulação municipal, depois estadual até chegar nas experiências regional. Em alguns momentos, realizando debates sobre estratégia regional com a presença de dirigentes da CUT de todos os Estados da Região Norte e os Estado do Mato Grosso e Maranhão, apontando algumas ações de massa, demonstrando o amadurecimento dessa articulação regional.
Alguns Desafios
No fortalecimento e articulação regional do movimento sindical amazônico, emergem inúmeros desafios inerentes as demandas de natureza coorporativa e de luta em outras dimensões, seja elas, ambiental, social, cultural, de ordem estrutural e de mobilização de massa, os quais pontuamos:
A construção de um modelo de desenvolvimento sustentável e solidário acompanhado de uma (re) significação da Amazônia na ótica da classe trabalhadora, compreendidos no contexto sócio-histórico, que se contraponha aos demais projetos de desenvolvimento propostos para Região que estão sendo implantados na Amazônia.
Combater a ambição e o projeto internacional, que enfatiza a preservação da natureza, que defende uma "ideologia ecológica", mas que no fundo pretende o controle do banco genético e do mercado brasileiro. A estratégia do capital internacional é de deslocamento de investimentos para a região no intuito da exploração de seu uso futuro, a partir de propostas como a conversão da dívida externa e da disponibilização de crédito externo, pelo usufruto da natureza. O projeto regional em curso de novos setores do empresariado potencializa a continuidade do violento processo de exploração de recursos minerais, naturais, sociais, sendo ele socialmente excludente.
A questão Amazônica não se restringe apenas a problemas sócio-ambiental, ela faz parte da problemática nacional de superação e definição de um outro padrão econômico-social de inserção do Brasil no contexto mundial. Neste sentido, cabe a esquerda brasileira e especialmente a Central Única dos Trabalhadores assumirem juntamente com os povos amazônicos a defesa da região colocando-a no centro do debate e na defesa de um desenvolvimento sustentável e solidário.
Soma-se a esses desafios, um principal, que são as diversas distâncias geográficas a serem superadas, onde grande parte da região só tem comunicação via transporte fluvial, uma outra parte via área e uma pequena parte via terrestre. O fator climático por sua vez torna-se um condicionante a mobilização de massa, pois, o clima equatorial predominante na região apresenta elevadas taxas de pluviosidade em quase todo o ano.
Diversos Estados do Norte passaram ou estão passando por processos de colonização recente. Observando os resultados do Censo 2000 (Tabela 1), verifica-se que a taxa de crescimento populacional nacional, no período de 1991-2000, foi de 15,25%, na Região Norte essa taxa corresponde a 28%, ou seja, a Amazônia continua recebendo um contigente populacional fruto do processo de migração característico de processo de expansão de fronteira. Esses migrantes trazem consigo novas culturas que devem ser consideradas em qualquer tipo de mobilização.
Assim, fazer uma articulação sindical regional é superar esse distanciamento entre as diversas localidades, culturas e realidades específicas, bem como enfrentar o desafio do alto custo financeiro para organizar o movimento sindical na região.
Um outro desafio é a precária estrutura das estaduais da CUT na Região Norte, dificultando o desenvolvimento de diversas atividades. A CUT na região só possui telefone e fax como meio de comunicação, e esses meios são ainda muito restritos em quantidade, além de não atenderem as demandas.
Outro problema é a ausência de equipamentos potentes (computadores, xerox, etc.) que facilitem não apenas a comunicação, mas também o desenvolvimento das atividades formativas e organizativas da Central, para propiciar melhores condições de trabalho aos dirigentes e assessores sindicais.
Construindo Caminhos
A Amazônia faz fronteira com diversos países latino-americanos (Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa). Nesse sentido, a CUT deve ter uma política internacional mais clara para a região. As constantes reflexões feitas, nas diversas atividades envolvendo o movimento sindical rural e urbano da região, apontam a necessidade de se ir mais além da simples mobilização regional.

Para isso é necessário realizar um investimento claro de infra-estrutura para as CUT da Região, potencializando o desenvolvimento da formação profissional, no intuito de implantar um programa da qualificação para jovens, aliado a questão do turismo e intercâmbio entre diversos Estados e Regiões, mesmo internacionalmente, com objetivo de estudar e buscar melhor compreender o processo de internacionalização da Amazônia, a realidade regional, a lógica capitalista e as conseqüências para região, bem como fazer os povos da região, do país e do mundo conhecerem a Amazônia a partir da ótica dos trabalhadores.
Abrir espaços de debate no âmbito da Central no sentido de considerar as especificidades regionais, entre elas o "CUSTO AMAZÔNICO", e a necessidade de considerá-las no processo de organização do movimento sindical na região.
Garantir que o Projeto Regional Vento Norte, em todos os seus campos de ação se integre as estratégias regionais da Central, contribua para a organização sindical nos Estados e conseqüentemente fortaleça a Central Única dos Trabalhadores na Amazônia. Neste sentido se faz necessário uma maior integração na atuação dos Ramos com a CUT nos Estados.
Realização de eventos nas demais regiões do Brasil para discutir a problemática da Amazônia. Uma das formas de se discutir a Questão Amazônica no âmbito do movimento sindical é a criação de uma organização vinculada a Executiva Nacional da CUT. Neste sentido propomos:
Criação da Comissão da Amazônia
Este Departamento estará vinculado a uma Secretaria e/ou direto à Presidência da CUT, devendo funcionar com um dirigente responsável e assessoria;
A 10ª Plenária Nacional da CUT decide pela constituição de um GT (Grupo de Trabalho) vinculado à Executiva Nacional composto pelas CUT's da região, ADS, CNMA e SPSO para, até o 8º CONCUT, apresentar uma resolução global acerca da intervenção da CUT na Amazônia, bem como sobre o funcionamento, composição e políticas prioritárias a serem desenvolvidas pela Comissão Nacional da Amazônia.
Deve ser um elo da Executiva Nacional da CUT com a região Amazônica, articulando os encaminhamentos de questões regionais que a CUT considerar estratégica;
Ser um instrumento para nacionalizar a problemática da Amazônia com o restante do país e auxiliando a CUT em ações com outros atores sociais que atuam nas questões social, cultural, ambiental, territorial na Amazônia;
Contribuir na coordenação das diversas ações anualmente na Região;
Ser um instrumento de análise e denúncia dos problemas graves que vem ocorrendo na região e principalmente das alternativas em curso;
Desenvolver, junto as CUT nos Estados e Escolas de Formação Sindical e Ramos, a ampliação e o fortalecimento das parcerias a nível regional, nacional e internacional;
Construir, junto com a Secretaria de Relação Internacional e as CUT da região Amazônica, espaços e formas de articulação entre os países da região Amazônica, tendo em vista a retomada do observatório amazônico.
A CUT, como Sujeito Coletivo, deve inserir-se no debate, na luta e defesa da Amazônia. Sujeitos Coletivos são os que perpetuam a memória histórica de processos civilizatórios emancipadores, que constróem a indignação diante da reatualização de problemas antigos e das reconfigurações das misérias humanas e que sonham com a possibilidade de contribuir para a produção de uma sociedade mais justa e feliz (Scherer-Warren, 1999).

Resoluções
Amazônia como parte do Projeto de Recolonização Imperialista
Não é possível construir uma caracterização da região e uma política para a área se não fizermos uma analise do processo de recolonização que desenvolve o imperialismo na região e particularmente de seu "cabeça de ponte" o Plano Colômbia.
Militarizar a Colombia
Este plano em primeiro lugar pretendem o fortalecimento da principal coluna vertebral do Estado burguês colombiano: prevê que 80% do dinheiro seria destinado a "modernização, reestruturalização e profissionalização" das FFAA e dos aparatos repressivos.
Ele se apóia na construção de bases militares, reaparelhamento da tropa, qualificação e treinamento.
Além disso, pretendem tem uma reforma no corrupto e ineficiente poder judiciário, e a evolução de um sistema acusatório no pais com a elaboração de um novo código de procedimentos penais, em total consonância com as cortes penais internacionais, diga-se melhor, em consonância com o judiciário norte-americano. Além de uma reforma no sistema carcerário com a generalização de celas de segurança máxima em todo país.
Recolonização implica em dominar a Região Amazônica
O imperialismo quer colocar as mãos em todo ecossistema da Amazônia que envolve 7.160.000 Km2 e inclui os países como Colômbia, Brasil, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana e Suriname.
Uma região com uma das maiores reservas de petróleo do planeta, tão necessário aos EEUU, e minerais.
Em termos de petróleo, os maiores exportadores da América são: Venezuela, México, Colômbia e Equador. Na Venezuela as reservas são de 65 bilhões de barris e podem chegar a 300 bilhões, e significa 60% do orçamento do estado. O petróleo significa 15% do PIB do Equador e a Colômbia mantém uma produção 500 mil barris dia.
A região Amazônia contém um milhão e meio de espécies conhecidas de plantas, 50.000 mamíferos, 20.000 répteis, anfíbios e artrópodes; 90.000 plantas inferiores; 270.000 plantas superiores; 55.000 microorganismos; 370 povos indígenas. Possuem a maior biodiversidade do mundo com 50% das espécies da fauna e da flora do planeta.
Somente no Brasil existe uma reserva mineral com pelo menos 14 tipos de minerais, somente na Serra de Carajás calcula-se 18 bilhões de toneladas, o que faz do Brasil o maior produtor de ferro, com 15% das reservas mundiais de bauxita. A Amazônia colombiana tem 406 mil Km2, 35% do território nacional, 6% da região amazônica.
O rio Amazonas tem 7.000 afluentes e 6 trilhões de metros cúbicos de água.
Aumentar a presença Militar na Região
Para garantir seu poderio na região o imperialismo avança na militarização da região.
Com construção de bases e localização de marines em toda área. Seu objetivo com esta presença é monitorar toda a área.
Já existem bases em Três Esquinas (Puntamaio) e Tolima na Colômbia, Manta no Equador e Iquito no Peru (há 150 Km da fronteira)
A área andina é privilegiada para o controle da Amazônia, e para justificar este controle o imperialismo pretende desenvolver a "regionalização do conflito" colombiano e com isso a "militarização do subcontinente". A regionalização passa por estender o conflito para países vizinhos.
O plano global do imperialismo conta com homens do Departamento de Estado em Porto Rico, novas bases em Aruba e Curaçao, fortalecer em Honduras a base de Soto de Cano, manter a Base Aérea de Manta no Equador, no Peru as bases da DEA além da base de Iquitos, no Panamá ele manterá 3.300 soldados mesmo depois da entrega do canal.
O Plano Nacional de Radarização coordenado pelo pentágono em conjunto com a Argentina visa combinar-se com o Projeto Sivan desenvolvido com Brasil, orçado em 3,5 bilhões de dólares, que visa instalar radares na região em 2 anos.
Além disso, nosso país entra com a Base de Alcântara, localizada na linha do Equador no projeto Calha Norte, novos quartéis em Uiramutã em Roraima, Vila Brasil no Amapá, Tirios no Para, Tunui no Amazonas e Ericó em Roraima.
Como complemento da participação nacional brasileira, existem estudos no governo de fazer uma divisão administrativa da Amazônia, formando-se 2 territórios federais: Rio Negro e Alto Solimões, o segundo faria fronteira com a Colômbia, uma região sem atividade econômica e escassamente povoada, que poderia ser base para operações militares mais tranqüilamente.
Por isso qualquer projeto da CUT para Amazônia deve partir de:
Fora o Imperialismo da Amazônia;
Abaixo o Plano Colômbia;
Fim da Militarização da Região. Desativar todas as bases Militares;
Abaixo os Planos de Fome para a Região impostos pelo FMI;
Unidade dos Povos da Região Amazônica para enfrentar o Imperialismo;
Unidade do Movimento Sindical e Popular para esta luta.
E para isso realizar um Encontro Sindical da Região Amazônica para discutir as agressões Imperialistas

Política de Meio Ambiente
A discussão de meio ambiente passa por várias frentes e tipos de abordagens. O movimento sindical, diante de suas limitações, deve priorizar alguns deste campo e concentrar esforços para conseguir resultados positivos.
A CUT vem tratando dos diversos temas ambientais, como a agenda 21, a Amazônia, sociedade sustentável, a poluição urbana, políticas de reciclagem, transgênicos,mineração, código florestal e mineral entre outras questões e hoje surgem novos desafios como a utilização dos recursos hídricos e legislação, o código florestal, a discussão mais aprofundada sobre, desertificação e seca e outros temas que pouco foram tratados e para os quais a CUT ainda não declinou opinião.
Assim, devemos estar atentos às novas políticas, debatendo e elaborando, mas devemos priorizar ações mais efetivas junto ao movimento sindical e a sociedade, exemplo disto foram as manifestações organizadas pela CUT contra o Apagão e as privatizações no setor energético.
È papel fundamental da CUT continuar denunciando os desvios do dinheiro público que contribuem com o agravamento dos problemas sociais, exploração irracional dos recursos naturais e deteriorização das condições de vida dos trabalhadores e da sociedade em geral.
Entendemos que a CUT deve continuar organizando os Coletivos de Saúde, trabalho e Meio Ambiente a fim de instrumentalizar os dirigentes sindicais quanto à saúde no trabalho e o ambiente saudável estimulando assim, os envolvimentos com a educação ambiental em suas instâncias e sindicatos filiados.
É importante que a atuação da CUT esteja mais voltada para a construção da sociedade sustentável, nesse sentido devemos aprofundar a discussão sobre a relação trabalho, produção e consumo, priorizando as propostas de encaminhamento já aprovadas em outros congressos e plenárias.
A CUT é uma central comprometida com a construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária, que necessariamente deve também ser uma sociedade sustentável, pois a atividade econômica deve se sujeitar em primeira instância às restrições de ordem ecológica. Neste processo de construção da sociedade sustentável, a sociedade industrial deve transformar-se visando novas formas de apropriar-se a natureza, garantindo a sustentabilidade dos recursos naturais e a manutenção ou ampliação dos postos de trabalho.
A CUT entende ser uma falsa questão a incompatibilidade entre preservação ou recuperação do meio ambiente e a manutenção ou geração de novos postos de trabalho. O atual forma de exploração da natureza nos levará ao agravamento das crises ambientais, com o esgotamento dos recursos naturais e a destruição do meio ambiente, por conseqüência, os postos de trabalho serão também eliminados. Esta realidade expressa a grande contradição entre capital e natureza que é parte inseparável da contradição capital e trabalho.
Os trabalhadores, estando presentes nos diversos setores produtivos, são atores centrais deste processo e sofrem as conseqüências deste modelo predatório. Assim, a luta sindical e ecológica se fundem na busca por uma sociedade sustentável em que a apropriação da natureza se dê de outra forma.
É por isso que a CUT deve priorizar a luta em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida e posicionar-se sobre as questões fundamentais no cenário mundial acerca do meio ambiente com respostas ágeis sobre esta questão, partindo da compreensão de que o planeta é único, que as crises ambientais são um problema de todos e que os trabalhadores e as camadas populares são os principais afetados por essa crise.
A nossa prioridade deve ser ligada a relação entre trabalho e meio ambiente , sempre procurando demonstrar que é o trabalho que transforma a natureza e a apropriação da mesma esta subordinada ao modo de produção vigente , capitalista ,que agora passa a dominar e se apropriar da natureza no seu nível mais elementar que são as células , hoje já patenteadas.
Para dar conseqüência a essa compreensão política, a CUT soma esforços às atividades desenvolvidas pela Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL) e Comissão Sindical Consultiva da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (TUAC/OCDE), no âmbito das organizações internacionais como a Comissão para o Desenvolvimento Sustentado da Organização das Nações Unidas (CDS/ONU), Organização Internacional do Trabalho, Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a própria OCDE.
Participando de forma ativa e contributiva das reuniões anuais da CDS/ONU desde 1995, como integrante da delegação internacional de sindicatos organizada pela CIOSL, conseguimos que o Acordo Nacional Tripartite do Benzeno no Brasil - construído com a luta dos trabalhadores e dos sindicatos cutistas -, fosse reconhecido pela CDS/ONU como um modelo mundial de Acordo Voluntário, pelas suas características de participação dos trabalhadores desde o local de trabalho até a gestão nacional do uso regulamentado desse produto químico cancerígeno.
É esse modelo de participação dos trabalhadores e dos sindicatos na solução dos problemas ambientais desde o local de trabalho até o âmbito nacional, que queremos consolidar como uma prática sindical cutista que incorpora a dimensão social nas questões relativas ao desenvolvimento econômico e a proteção do meio ambiente.
Nesse sentido, estamos comprometidos com o processo de organização da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentado que realizar-se-á em Johanesburgo em setembro de 2002, também conhecida como Rio+10 e Cúpula da Terra.
Participamos ativamente do Encontro Anual do Fórum Brasileiro de ONGs e do Encontro da Sociedade Civil e Conferencia Regional Preparatória dos Estados de América Latina e Caribe, realizadas no Rio de Janeiro no período de 17 a 24 de outubro de 2001, entre outras atividades preparatórias para a Cúpula Mundial.
Estamos ao lado das organizações sindicais internacionais (CIOSL e Secretariados Profissionais Internacionais - SPI's) que advogam a tese de que a Rio+10 será uma oportunidade para se "Modelar um Novo Acordo", no qual os sindicatos esperam encontrar uma base sólida para a segunda década de esforços nacionais e internacionais em prol do desenvolvimento sustentado.
Tendo em vista que o conceito de desenvolvimento sustentado incorpora temas da agenda sindical cutista, como erradicação da pobreza, mais e melhores empregos, fim do trabalho infantil e do trabalho escravo ou forçado, gestão racional do uso de produtos químicos, sistemas e modelos sustentáveis de energia, relação da saúde do trabalhador com a saúde pública, gestão racional e participativa de bosques e florestas entre outros, devemos fortalecer o trabalho de informação e capacitação de sindicalistas sobre esses temas em nossas atividades de formação sindical, incorporando esse conceito e essa agenda às nossas atividades permanentes e à nossa estratégia sindical.
Precisamos também introduzir na discussão nacional com órgãos governamentais, entidades empresariais e parceiros sociais, a necessidade de se avaliar o impacto sobre o emprego nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas (comércio de cotas de emissão de gases nocivos à camada de ozônio), que ocorrem no lastro do Protocolo de Kyoto.
Devemos aproximar as ações do Coletivo Nacional de Saúde no Trabalho e Meio Ambiente (CNSTMA) das ações do Coletivo Nacional de Meio Ambiente (CNMA), entendendo a relação orgânica entre meio ambiente e desenvolvimento sustentado e segurança e saúde no trabalho.
Não existem locais de trabalho sustentados se esses causam mortes, mutilações e doenças, bem como agressões ambientais com o uso de tecnologias inadequadas, emissão de poluentes e geração de resíduos.
Não existem processos e relações de trabalho sustentado se não há o reconhecimento do direito de organização e negociação sindical no local de trabalho ou se existem práticas anti-sindicais colocadas.
Devemos levar para o campo da gestão ambiental e do desenvolvimento sustentado a nossa experiência e nossa capacidade de negociação em fóruns tripartites e órgãos governamentais, aonde geralmente logramos algum sucesso em defesa da saúde do trabalhador.
Precisamos também ampliar para o campo da gestão ambiental nossa capacidade de mobilizar os trabalhadores e firmar acordos coletivos de trabalho, abrangendo temas como o controle e redução de emissões de poluentes, participação dos trabalhadores nas auditorias sobre segurança e saúde no trabalho e meio ambiente, participação dos sindicatos do setor químico no programa Atuação Responsável da indústria química e outros, tendo como referencia os termos do Acordo Nacional Tripartite sobre o Benzeno.
Temos que ter claro que postos de trabalho, locais de trabalho, processos e relações de trabalho insustentáveis são a receita certa para o dano à saúde e integridade física do trabalhador, o desemprego, o atraso social, o dano ambiental, o aumento do custo dos serviços de saúde, o risco do futuro da previdência social, o atraso do nosso projeto de nação.
Tendo isso em conta, devemos aproximar-nos dos governos e autoridades locais, ampliar nossa parceria com ONG's do campo progressista, compreender e apoiar a luta das comunidades locais, realizar alianças com associações de consumidores, apoiar iniciativas que visem desenvolver nossa capacidade tecnológica e defender junto aos órgãos ambientais de governo, a introdução de análises e indicadores sociais que funcionem como parâmetros para a elaboração de políticas públicas e governamentais dirigidas para o desenvolvimento sustentado.
Garantir maior eficácia na luta contra a biopirataria com envolvimento de toda a população no debate a respeito de quais recursos podem ser patenteadas. E assegurar que o patenteamento seja realizado de maneira que a população envolvida tenha participação dos resultados (Roy altis).
Lutar para assegurar a presença de CIPAS nos locais de trabalho, possibilitando a apresentação de propostas para a geração de energia alternativa não poluente e não degradante (solar, eólica e etc), para viabilizar a produção nos locais de trabalho (industrias, agricultura, setor de serviços e etc).
Propostas de Ação
Discutir proposta de Modelo Energético para a construção, na prática de um modelo sustentável e a substituição das energias não renováveis e fósseis para energias limpas;
Intensificar a luta do movimento sindical contra a Privatização da água, do saneamento Básico e do esgoto;
Discutir e propor mecanismos de controle social nas empresas que interferem no meio ambiente;
Discutir e propor ações que visem o desmatamento, principalmente próximo às nascentes;
Discutir a dívida Ecológica dos Países desenvolvidos junto aos países subdesenvolvidos, inclusive mecanismos de cobrança;
Discutir propostas de ação e de mobilização para responsabilizar as indústrias quanto à sua produção que agride o meio ambiente;
Orientar as CUT's Estaduais e Ramos à formarem coletivos ou comissões para discutir questões relacionadas ao meio ambiente;
Discutir a implementação da Convenção de Kioto - pela diminuição de gases que provocam o efeito estufa;
Intensificar o debate sobre reciclagem no trabalho e educação ambiental;
Discutir campanha de denúncia das empresas que fazem propaganda enganosa em relação às embalagens não recicláveis;
Aprofundar, no interior da Central e dos sindicatos filiados a discussão da instalação de Termoelétricas

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